Fragmentos

O tempo é este fragmento,
Uma partícula de saudade,
Do passado que se quer presente,
Que chega como avalanche,
Explodindo em segundos,
Evaporando no instante seguinte!

O tempo é este segundo,
Um suspiro de esperança,
Do presente que se mostra futuro,
Que não tarda em surgir,
Preenchendo o espaço do ócio,
Desaparecendo no instante seguinte!

O tempo é este suspiro,
Um apanhado de fragmentos,
Do passado, presente e futuro,
Que se fundem e confundem,
Materializando nosso modo de ser,
Renovando no instante seguinte!

(GeraldoCunha/2018)

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Sorriso atrevido

Meigo
Pedindo atenção
Desconfiado
Pedindo segurança
Tímido
Pedindo reação
Provocante
Pedindo imaginação
Atrevido
Pedindo ação
Insinuante
Pedindo mordida
Lascivo
Pedindo prazer
Pecaminoso
Pedindo mais

(GeraldoCunha/2018)

Transparência 


Falo através dos meus poemas!
É onde me expresso sem paredes.
Quando surgem tento derrubá-las,
Escapando por janelas imaginárias,
Quando o lado mais sombrio empareda.
É onde recebo de portas abertas,
Enfrentando o solitário vazio d’alma,
Quando o coração ferido ainda cicatriza.

Sou a transparência dos meus poemas!
É aonde caminho com segurança.
Quando o pensamento é turvo.
Abrindo gavetas há muito emperradas,
Quando escapam as palavras silenciadas.
É aonde me convenço da realidade angustiante,
Aprisionando os monstros que amordaçam,
Quando só o grito por liberdade não basta.

(GeraldoCunha/2018)

Lanternas


Guia o caminho adiante
Adianta a rota da chegada
Iluminai!
O tempo do breu
O vazio do espaço
Farol do tempo

Clareia as ideias turvas
Preencha os pontos cegos
Iluminai!
O nublado pensar
O constante negar
Lampião do pensar

Transpareça luz interior
Refletindo sua imagem
Iluminai!
O saber escondido
O querer contido
Candeeiro do saber

(GeraldoCunha/2018)

Divagação 79

Alguns dizem: -a culpa é das estrelas…
Eu digo: – a culpa é do destino que nos fez ver estrelas em céus distantes…

(GeraldoCunha/2018)

Ilhado – reeditado

Preso em meus pensamentos,
Escravo dos meus medos,
Ilhado sem ter para aonde ir.

Fixado em ideias torpes,
Perdido em mundo de angústias,
Ilhado sem ter para quem ir.

Prisioneiro sem grades,
Escravizado sem grilhões,
Ilhado em meio à multidão.

Para se libertar
o primeiro passo
é entender
o que te aprisiona

(GeraldoCunha/2017)

Chuva na vidraça


Chove há horas!
Aqui dentro
Não se ouve buzinas,
Não se ouve pássaros.
Dia e noite se cunfundem,
Todos recolhidos e acolhidos.
O relógio não desperta.
Tudo é quase silêncio,
Interrompido pelo som relaxante
Da chuva que ecoa lá fora.

Chove lá fora!
Aqui dentro
Não se sabe do tempo,
Não se sabe do vento.
O quarto esconde na penumbra,
A cama ainda desarrumada.
Entre lençóis amassados,
Corpos se tocam braçados,
Respirando em compasso,
Ao som das gotas na vidraça.

(GeraldoCunha/2018)