Story


Minha vida virtual
Dura 24 horas
Tem prazo de validade!

É o tempo de nascer
Em minutos crescer
Já para no instante
23:59:59…tic! tac!
Morrer!

É o tempo de espiar
Comigo se emocionar
Já para no instante
00:01:26…clap! clap!
Ignorar!

Minha vida virtual
Dura segundos
Tem o tempo do flash!

Olhou!
Piscou!
Passou…
Foi só vertigem.

(GeraldoCunha/2019)

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Se me queres


Se me queres
Só imagem,
Eu sumo!
Viro fumaça.

Se me queres,
Queira por inteiro.
As minhas metades
Não divido!

Se me queres
Só por hoje,
Eu passo!
Vou adiante.

Se me queres,
Queira os dias,
Implore pelas noites,
Engane o tempo!

Se me queres
Por momentos,
Nem venha!
Não sou stories.

Se me queres
Só por um tempo,
Marque a lápis.
A borracha vai apagar!

Se me queres
Por costume
Eu dispenso!
Poupe o tempo.

Se me queres,
Que seja deleite.
Vontade de ficar,
Desejo de voltar!

(GeraldoCunha/2019)

O encontro

Quando você chegou
A cama estava arrumada
Pétalas vermelhas salpicadas
Não que precisasse
Mimos do amor

Quando você ficou
A mesa estava posta
Duas taças dispostas
E o vinho para aquecer
Arroubos da paixão

Quando você se foi
A porta ficou aberta
Para que voltasse
Para que quisesse ficar
Manias do coração

(GeraldoCunha/2019)

Fagulha (Poema curto)


Somos fagulha
Às vezes queimamos por nada,
Outras vezes somos brasa para aquecer.
No momento em que o coração fica mais triste,
Mesmo sabendo da chegada e da partida,
Percebemos que somos um sopro.

(GeraldoCunha/2019)

Declamação


Amar intensamente
Amar por mim
Amar a mim
Amar
Sem limites

Amar intencionalmente
Amar por você
Amar você
Amar
Sem amarras

Amar insistentemente
Amar por nós
Amar-nos
Amar
Sem imposição

(GeraldoCunha/2019)

Sentimental

Tem momentos que estou mais sentimental,
Melancolicamente sentido,
Me esqueço olhando o nada,
Me pego absorto em pensamentos,
Que não consigo acompanhar.
Se apanho o início,
Me perco no meio,
Nunca chego no final
E recomeço olhando o nada.
As palavras se misturam,
Embaralham as ideias…

E só consigo pensar
Que estou melancolicamente
Sentimental olhando o nada.

Tem momentos que estou mais sentimental,
Agarro nas minhas dores,
Sucumbo às dores mundo.
Invado a tristeza que é dos outros,
Me esqueço olhando o nada,
Vejo vultos que me rodeiam,
Semblantes que murmuram
O passado que se foi, sendo esquecido
E me perco, não sei se no início, meio ou fim.
Choro as amarguras alheias,
Por não perceber que são minhas…

E só consigo pensar
Que estou melancolicamente
Sentimental olhando o nada.

(GeraldoCunha/2019)

Reino da imbecilidade


Falas burras,
Raciocínios tolos,
Rasas ponderações,
Desfaçatez dos sentidos,
Instalado o reino da imbecilidade!
As mãos carregam pedras,
Os pés pisam as flores,
Adubo vira poeira,
A razão seca,
Instalado o reino da mediocridade!
A ignorância causa cegueira,
A intolerância sangra,
O rancor pondera,
O diálogo morre.

(GeraldoCunha/2019)