Orvalho (Poema Curto)


O orvalho na folha
Molha a nuca
Provoca desejos
Arrepio na pele

O orvalho que cai
Úmido na face
Escorre na pele
Molha os lábios
Que se tocam

(GeraldoCunha/2019)

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Não dê ouvidos


Não leia esta poesia
Que vai te fazer chorar
Cada lágrima derramada
Foi um sonho abandonado
Um amor não correspondido
A amizade que se foi esquecida

Não dê ouvidos ao que digo!

Não leia esta poesia
Que vai te fazer lembrar
O tempo que não estivemos
As escolhas que nós fizemos
As consequências que suportamos
Os fardos que todos nós carregamos

Não dê ouvidos ao que sigo!

Não leia esta poesia
Que vai te fazer pensar
Nos tantos desejos contidos
No silêncio não interrompido
Nas palavras não pronunciadas
Em cada pergunta que não foi respondida

Não dê ouvidos ao que penso!

Não leia esta poesia
Que vai te fazer se indignar
A cada verso que está sendo lido
Com tanta solidão compartilhada
Com todas as injustiças cometidas
Com as diferenças não compreendidas

Não dê ouvidos ao que sinto!

(GeraldoCunha/2019)

Inspiração


Uma gota de água que cai no chão,
Se é orvalho, traz saudade…
Se é chuva, vem o cheiro da terra.
Se é vazamento, conserta!

Uma pessoa que caminha pela rua,
Se está triste, é um desamor…
Se está alegre, isso é novo amor.
Se está distraída, melhor não descuidar!

Uma papel que solto sai a voar,
Se era guardanapo, vento levou…
Se era de caderno, poema que escapou.
Se era de embrulho, o pão está na mesa!

(GeraldoCunha/2019)

Por onde passo


Por onde passo toco em flores
A cada passo sinto o perfume
Ouvindo passos ao encontro
Inevitável passos de amor

Por onde passo exalto o amor
A cada amor uma flor
Entoando canções de amor
Incondicional amor efêmero

Por onde passo deixo marcas
A cada marca uma lição
Marcando o caminho
Apontando a direção

(GeraldoCunha/2019)

Humana poética


A poesia
é o encontro com o Eu mais humano
A Minha direção
na realidade crua que cega
O norte
para os Meus anseios mais loucos
O porto seguro
dos Meus devaneios

O Meu corpo
é poesia exalada pelos poros
O íntimo
extrapolado das Minhas feições
O humano incondicional
que Me habita
O extravasar
das Minhas entranhas

(GeraldoCunha/2019)

Alma inquieta (Poema curto)


Sou alma inquieta
Presa nestas carnes
A ponto de implodir
Sufocando os versos
Engolindo a saliva
Secando o grito
Nesta inquietude
(GeraldoCunha/2019)

Relógio


Falo tanto sobre o tempo
Que tenho receio de me repetir
O tempo não se repete
O passado não se reinventa
Fica guardado na memória
E vai se desfazendo
O presente é o milésimo de segundo
Ou menos que isto
Quer tanto o futuro
Quando se vê já é passado
O tempo é o instante
O relógio se repete
O tempo dele não

(GeraldoCunha/2019)