Séries elos & agora desenhos – Janelas e paisagens

Obrigado a todos que participaram do poema elos.

Poemas de: @mcmistturacriativa (Michele Cruz), @vicendron (Virgínia Carvalho), @dudinhaborbacunha (Maria Eduarda), @estevammatiazzi (Estevam Matiazzi do blog @sabedoriadoamor), Fernando (do blog http://Chrosnofer2.WordPress.com @Chrosnofer2.WordPress.com), @divagacoesgcc.geraldocunha (GeraldoCunha).

Ilustrações: GeraldoCunha

Série listas – ideias para compor um poema

Palavra manchada de vinho
Roupa embriagada pelo café
Tudo no plural
Na singularidade dos versos
Dicionário folheado
Sobra do vento assoprado
Suspiro do tempo
Lista de nomes
Alguns riscados
Os negritados…
Saudades acumuladas
Amores desesquecidos
Palavras inventadas
Rompante
Gotas de ódio
Destilados dos outros
Diluídos de amor
Dilúvio
Memórias que não são minhas
Inconsciente atrevido
Novamente memória
Agora coletiva
O voo do super homem
E nem precisa da capa
S de esperança
Chama à realidade
A poesia tem que ser concreta
Fogo que arde sem se ver
Isto já escreveram
Enfrente os clichês
Flores
Sonhos
Amores
Espinhos
AÍ!

GeraldoCunha/2021

Série sentimental – Velhice melancólica

Hoje acordei triste,
Manhã daquelas melancólicas.
Pensando nas despedidas
E as mudanças decorrentes.

Envelhecer e ver as pessoas morrendo de velhice entristece.
É o passado que vai sendo desfeito,
Somos nós que vamos deixando de ser futuro, presente e passamos a ser o passado.

Tem manhãs destes desatinos
Em que a nostalgia sacoleja a cabeça.
E eu me pergunto onde estão todos?
Hoje estão nas fotografias esquecidas.

Do colorido que a velhice deveria,
Vejo em preto e branco… fantasmas.
Em câmara lenta envoltos na neblina perambulam.
Circulando entre as cores que já não importam.

Nos olhos tristes a felicidade roubada.
Na boca o sorriso abandonado.
No silêncio a certeza de que o mundo está ficando surdo.
GeraldoCunha/2021

Série poema curto – Refúgio

Quando tudo foi se tornando mais difícil,

As vozes foram se silenciando,

Os ouvidos se distanciando,

Refugie-me na poesia.

Encontrei conforto nas palavras

Que me atordoavam,

Transformei o processo de loucura na minha arte,

Fiz dos poetas meus terapeutas,

Da escrita minha companhia,

Foi onde encontrei abrigo.

O refúgio!

O escape!

GeraldoCunha/2021

Série poesia concreta- FOTOGRAFIA

Série sentimental – Faces do perdido

Depois de todo este tempo
O passado se vai distante
Imagens disformes
Formas perdidas
Rostos sem faces
Névoa
Nada

O futuro não ecoa
Escuridão dos planos
Imersão na ausência
Sem corpos
O Inominável
Breu

O tempo que resta
O agora
E é triste
Tem esperança
E basta
Quando não há

GeraldoCunha/2021

Série cotidianos- Outrora

O poeta repousa em versos
dispensados sobre a mesinha ao lado da poltrona.
Descansa as letras no escuro da madeira.
Afaga com as costas as almofadas que resistem
para logo cederem.

Os olhos se voltam para o Belo
Horizonte que invade pela janela,
Atraídos pelos perfumes que perfuram as narinas.
O cheiro do verde, do orvalho que não veio, do vento da chuva que ameaça, da terra adubada,
Traz outrora.

Infância de pés descalços,
Represando os rios deixados pela chuva,
Desafiando a lama que escorrega o corpo,
No inocente do barro lambuzando as vestes,
Respingando na boca,
Provocando risadas entusiasmadas,
No susto ….interrompidas pelo grito
de uma voz carinhosamente irritada.

Dormências lembrando as idades,
Recobro do tempo esquecido no dantes,
Sentindo o presente despertando,
o poeta se espreguiça, sacode os versos,
que pulam para as mãos ainda letárgicas,
Marcando com o dedo por onde a leitura continua.

GeraldoCunha/2021

Série poemamínimo – Brasil

Série títulos longos – Desbotadas cores vivas pululantes preenchem o papel invadem vida expulsam os tons pastéis para as bordas

tons pastéis
nas bordas
traçados espaços
definindo limites
régua prisional

tremer das mãos
desafiando os contornos
rompimento

lápis
carrega a cor
salta
para o papel
preenche pontilhados
em miúdos círculos
concêntricos
marejados

em algum momento
as cores
Escapam da tela
tonificam a pele
reverberando vida

GeraldoCunha/2021

Série poesia concreta- intermitências

Série sem fôlego- Felicidade não se pontua

A felicidade pode estar presa dentro de uma caixinha que se abre ao toque das sensações que envolvida em papel de seda ao abrir exala memória perfumada do que foi cativado e daquilo que o desejo almeja e sem barreiras num instante escapa

(GeraldoCunha/2021)

Série poema curto – Pelas Beiradas

Nada que começo termino
Vou guardando os poucos
As frases estão incompletas
Agonia dos pensamentos
Vou comendo pelas beiradas
Uma palavra aqui
Outra acolá
Perdidas entre os textos revisados

GeraldoCunha/2021

Série elos – Algumas distâncias são necessárias

Do olhar no horizonte
necessário descanso dos olhos
ao calmo do mar.
Percurso das ondas
Ditando o rumo do vento,
Que chega lento à face,
Em forma de brisa!

A estrada que se alonga sem curvas,
Leva o olhar para o horizonte,
Repetindo e repetindo a paisagem,
Esquecendo os zunidos de volantes afoitos,
Abafando as ofegantes buzinas que se perdem.

A árvore que se observa por sob,
No afastado da mata,
No silêncio longo das folhas,
Que se rompe ao sopro,
Afugentando os pássaros,
Que partem em debandadas asas.

Olhos que se prendem ao livro,
Perseguindo as mesmas palavras,
Em demoradas horas.
Esquecidas páginas.
No breve cochilo,
Escapam das mãos,
Devolvendo o pensamento à razão.

Música que se perde nos ouvidos,
à exaustão dos agrados intermináveis dos acordes,
Na penumbra calma da noite a engolir o dia,
Cobrindo com sonhos os ruidosos noturnos.

Título cedido por Alex konrado
TextoEarte GeraldoCunha

Série dedicados – No sopro do tempo

Tudo se modificando tão depressa
No lentamente do tempo
Os anos passam
Um sobre o outro
Entre rosas e bolos
Se acendem
E se apagam
Ao sopro da vela
Rajada de vida
Ventos de sonhos
Desejos em ebulição
Um mundo novo por colorir
Com as cores de sua escolha
Refletindo suas realizações

GeraldoCunha/2021

Dedicado a Gabriela Borges, afilhada querida, pelo seu aniversário.

Presenteamos com que temos de melhor.

Rumos do poema


I ATO
O poema se completa a partir das memórias de quem o lê
Tantas vezes lido se transforma em outros tantos
O poema tem o seu tempo
Que é todo o tempo que é lido
Pode morrer ali, na última palavra, ou se perpetuar

II ATO
O poema muda de direção
Caminha pela tristeza
Percorre atalhos de alegria
Nas curvas da saudade descansa na calçada da solidão
Observa os passos dispersos
Aproxima do abismo esperando resgate

GeraldoCunha/2021

Piração

Respiro inspiração,
Seguro no fôlego as palavras,
Levo no suspiro os desejos.
Exalo os sentimentos!
Contraditórios sentidos…

Piração !

Invento as frases desconexas,
Perturbo os acentos:
Circunflexo,
Arco dobrado,
Em forma de crescente,
Ângulos que se juntam,
Noutra ponta se separam.

Piração !!

Jogo com as letras,
Palavras cruzadas,
Ou se atropelam
Ou derrubo o tabuleiro!
Ninguém marca ponto.
E pronto!

Piração !!!

Provoco os olhos dos incompreensíveis,
Ao regozijo dos meus.
Pisco e as frases aparecem…
Pisco e as frases somem…
Sobrevivem as capturadas no relance.

Piração !!!!

Rabisco o papel com aquarela.
A base é de água, tento mesclar e mancha.
Tudo desaparece no borrão das cores e a sensação é boa.
Ninguém jamais saberá o que foi o poema.

Provocação !!!!!

GeraldoCunha/2021

Série poema curto – flerte noturno

Vou dormir meu sono
Acordar meus sonhos
Flertar com a insônia
Rolar meu travesseiro
De encontro ao peito
Chutar a manta que me descobre
Depois de muito resistir
Abraçar os fantasmas que me visitam

GeraldoCunha/2021

Série de improviso – depois de muitos idos

Depois dos cinquenta, e poucos,

Decidi apagar o passado.

Rasgar as páginas, todas…uma a uma:

As bem escritas, as malescritas, as rasuradas, aquelas que ficaram em brancos tons de cinza, principalmente aquelas, e até as censuradas.

Para reescrever uma nova história o melhor é apagar o passado, muito se diz do contrário desta afirmação, para o agora penso por negação, está negação pode!

Vão me desdizer os filósofos, os psicólogos, os analistas e até aquele da mesa ao lado.

Lê-se um livro, fechando o outro.

A mesma técnica aplico ao meu caderno, recém comprado, que vou chamar de vida, não de nova vida, e que não terá prefácio.

(…no improviso tudo pode mudar a qualquer momento!)

GeraldoCunha/2021

Série livros que li – Crônica de uma morte anunciada

Atravessa os instantes das horas

à espera da morte

“Augúrio aziago”

Desatento ao prenúncio

No disse me disse dos testemunhos

O desenrolar dos acontecidos

Como cama vazia

Aconchego de tristeza

Perde-se a cabeça

Entrega-se à primeira paixão

Desonra das carnes

Vingada no arrebatar de facas

No que dizem ser defesa da honra

Oculta a covardia

do olho por olho

do dente por dente

Sem notas de arrependimento

Vida que se despede

Presságio

“nunca houve morte mais anunciada”, disse Gabo

Enquanto o luto veste-se de vermelho

Morre-se sem entender a morte

De facas que escorrem sangue inocente

📖

Obra de Gabriel Garcia Márquez

Na percepção de GeraldoCunha

Os destaques em “ ” são da obra

Prefácio: “O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma morte anunciada?”

Divagação 86

Tem discussão que para não continuar a única resposta possível é:
– pare! Isso tudo é uma grande bagagem.

(GeraldoCunha/2021)