Mar mel


(este poema é um agradecimento aos dias que desfrutei do encanto deste lugar chamado Ilha do Mel, o poema veio assim como escrito, tão naturalmente, que optei por publicá-lo sem ajuste,cru como concebido)

São as franjas do mar,
Corda de arrebentação,
Ondas no vai e vem.
Não vai, vem e fica!
No calmo do seus braços,
Acomoda meu coração.

Dissolve o meu fel,
Adoça com teu mel,
Transforma sal em suor.
Imunda o mar de amor!
Carrega em conchas canções,
Suaviza com o toque das mãos.

Vem seduzindo caminhar,
Estrela que cai do altar,
Refletindo tua face no ar.
Espelho pra Iemanjá,
Presente ficou no mar,
Em troca o amor ao luar.

(GeraldoCunha/2019)

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Amor de praia


Amor de praia
Vem com as ondas
Cata conchinhas
Diz que quer ficar
Deixa pegadas na areia
E volta para o mar
Que é o seu lugar.

Amor de praia
Pula ondinhas
Coleciona conchinhas
Escreve na areia
Faz juras de amor
E volta para o mar
Que é o seu lugar.

(GeraldoCunha/2019)

Ser feliz dá medo

Acordei tão bem
Que até me dá medo.
Não me assustei
Com a figura no espelho.

Ser feliz dá medo…
Vai que se acostuma!

Achei graça
Da camisa do avesso.
Fosse ontem rasgava
Hoje saio sem embaraço.

Ser feliz da medo …
Vai que se acostuma!

Não me aborreci
Com a buzina arrogante
Que de tão insistente
Em canto se transformara.

Ser feliz dá medo…
Vai que se acostuma!

Estranhei tantos sorrisos
Sem receio revidei.
Não tive vergonha
Do abraço inesperado.

Ser feliz dá medo…
Vai que se acostuma!

(GeraldoCunha/2019)

Tempo do esquecimento


A falta de tempo é desculpa.
O relógio encurta as horas,
Vinte e quatro horas são doze,
Doze horas são nada.
E a sobra do tempo
Escondida debaixo do tapete!

É quando dizer saudade não basta.
É quando amor vira obrigação.
É quando estar já não é opção.

Quando já não faz falta,
O atropelo do dia é resposta,
Dias viram semanas,
Semanas correm aos meses.
O calendário se risca sozinho
E os anos trazem esquecimento!

(GeraldoCunha/2019)

Melancolia

Estou triste!
Minha tristeza não se traduz em palavras.
As que surgem logo derretem
Em lágrimas se põem a afogar!

As mãos trêmulas,
Rasuram frases no ar.
Não caibo neste lugar!

Estou triste!
Quero fugir de mim mesmo e não voltar.
Não quero me ver estar
Invejo os mortos!

A alegria outrora,
De agora não me alcança.
Preciso respirar!

Estou triste!
Não há abraço que me conforte.
Se o tenho me sinto sufocar
Vago no profundo!

Os passos seguem ermos,
Cego em meu corpo exílio.
Melancólico me ponho a rezar!

(GeraldoCunha/2019)

Sentidos turvos

Estamos surdos.
Inebriados pelos pensamentos,
Ignoramos!
Não ouvimos o trovão
E a chuva passa!

Estamos cegos.
Encantados pelo reflexo,
Iludimos!
Não vemos a escuridão
E pisamos nos cacos!

Estamos anosmáticos.
Camuflados por aromas,
Sufocamos!
Não apreciamos os jardins
E as flores secam!

Estamos insossos.
Paranóicos com os padrões,
Devoramos!
Não sentimos o paladar
E a maçã está podre!

Estamos mudos.
Amordaçados pelas convicções,
Reprimimos!
Não gritamos por socorro
E a vida passa em silêncio!

(GeraldoCunha/2019)

Poema ao ócio


Gosto de pensar
Que tenho
Todo o tempo
Do mundo
No tempo
Livre que tenho.
E só estar!

É como parar o relógio
E abrir um novo mundo
De oportunidades
De escolhas
E não optar
Por nenhuma.
E só ficar!

O melhor
É ter todas as opções
É ter todas as oportunidades
E dizer não a cada uma
Só para ficar
Olhando o tempo
E o que resta.
E só contemplar!

(GeraldoCunha/2019)