Visita ao passado


Visitar o passado é se decepcionar.
As coisas já não são como eram.
Mudanças pelo abandono ou pela transformação.
O melhor é guardar na memória,
Se aquele lugar ou aquela pessoa representou algo de importância.
Deixa lá! na memória, na lembrança, na … saudade!
Não se volta para ver o castelo de areia.
Ele não estará mais lá,
Pois foi descontruido pelas ondas,
Destruído pelos pés do homem ou
Invadido por outras mãos e transformado.

(GeraldoCunha/2020)

Série Poema Curto – Passos


Os meses passam…
E eu lentamente.
Lenta a mente!
E os passos?
Passo a passo…
Lentos nos dias.
E os dias?
Largos nos passos!
Os dias passam…
E eu não passo.
Preso na horas.
Conto os segundos…
Segundos passam.
A passos lentos!

(GeraldoCunha/2020)

Série Open- Torre de Babel


não falamos mais a mesma língua, Sem uma conexão na Torre de Babel. estranhos conhecidos de outrora, Perdidos em palavras dissonantes. duas solidões não conversam. lábios que se movem Para ouvidos surdos pelos próprios pensamentos. olhares que se cruzam e Não se veem. quem somos nesta relação. não sabemos mais E culpamos o tempo. sempre o tempo a desculpar E o tempo é linear. li esta frase em algum livro E compreendi. fragmentadas são as relações, Pelo desgaste que provocamos Pela ausência. que Não é distância física É abandono do sentimento. Desprezo pelo Sentir um do outro E as palavras vão se ressignificando Sem compreensão, Quando nos acomodamos. tudo é tão simples, Mas queríamos alcançar o céu E foi nossa ambição. hoje não sabemos quem somos.

(GeraldoCunha/2020)

Poeta da solidão


Sinto uma solidão imensa,
Mas quero estar sozinho,
Para sentir a saudade:
Dos braços acolhimento,
Do toque sedução,
Do colo aconchego.
Não aprendi a amar!
O pensar do amor
Foi arremedo de gostar.

Os poetas amam a solidão!
Afastam-se da realidade
Para sofrerem por demais,
Iludidos pelas emoções,
Enamoram-se das palavras.
Esquecem de amar
E observam a vida a passar,
Como páginas em branco
Arrastadas pelo vento.

Na solidão das palavras,
O querer estar junto é ilusão,
Realidade que perdeu para ficção.
E o vulto do amor escapa:
Pelo reflexo do espelho,
Pela penumbra da cortina,
Pela sombra que cruza a esquina.
Não há quem fique à espera
De quem está só amando o vazio!

(GeraldoCunha/2020)

Série Títulos: Caverna do Dragão


Os infelizes vivem. Não percebem a felicidade que passa. Enquanto isso gritam e choram. Buscam uma saída sem saberem o que há do outro lado. Só querem fugir. Só querem retornar. São felizes não sabem. Acreditam que a felicidade está lá fora. Insistem na felicidade que ficou no passado. Tentam uma saída para o escape das mazelas. Sempre voltam ao começo. Vivem e não percebem a aventura. Têm medo da felicidade. Do presente e do futuro. Acreditam que ao alcançarem a felicidade serão plenitude. E morrerão tentando ou serão castigados. Não enxergam as recompensas. Seguem infelizes os viventes. Enquanto a felicidade lhes sorri. Sorri para o vazio dos que a buscam. Os infelizes acreditam que a felicidade é o amanhã. Pobres coitados.

(GeraldoCunha/2020)

Série Visitando 2016 (tudo começou assim…) Crônicas de um sujeito sem rumo

Fazia planos todas as noites, esperando começar a realizá-los logo que o dia amanhecesse.Mas o sono não vinha, se vinha era por pouco tempo, sobrava tempo para mais reflexões.

Mais planos eram idealizados, diante da percepção de que muito ainda podia ser feito para alterar por completo aquela vida que estava ali, por tanto anos, parada, no mesmo lugar, sabotando qualquer tentativa de fazer diferente.

Amanheceu. Agora sonolento pela noite mal dormida, já não se lembra de todos os planos traçados, os poucos que se recorda pensa que podem ficar para outro dia, o sono tardio convida a ficar na cama.

Desperto, já tarde do dia, percebe que nada mudou, acordou, tomou café, ouviu a música de sempre, comeu a refeição e deitou novamente, depois de tentativas de sair daquela rotina.

Já não importavam os planos traçados na noite anterior. Dentre os poucos de que ainda se recorda, para cada um, uma desculpa para começar a colocá-los em prática mais tarde.

Com a tarde indo embora e a noite querendo se mostrar, percebe-se sem rumo. Nada fez, permitiu que a vida continuasse exatamente como está. Fez um lanche, comeu uma fruta e tomou um gole de café.

Em frente à televisão hipnotizado e sem esperança, fazendo-se acreditar que os planos não eram para hoje e que poderiam ser colocados em prática amanhã, quando aquelas desculpas já não fizessem mais sentido e outras não pudessem ser inventadas, espera por nada, até a hora de tomar um copo de leite e deitar novamente.

Anoiteceu, deitado, é hora de refazer os planos, pensar nos motivos e desculpas que impediram fossem realizados e ter esperança de que estes novos planos lhe darão um rumo diferente, mas o sono não vem.

(Geraldocunha/2016)

Olhos baixos

De olhos baixos
Não vi o CÉU.
Esqueci das estrelas.
Firmei o pés no CHÃO.
Criei raízes de rancor,
Que fizeram florescer ESPINHOS,
Que mais feriram do que PROTEGERAM.
Sem FLORES,
Sem CÉU,
Sem ESTRELAS,
Sem VOCÊ,
Eu CHÃO.

(GeraldoCunha/2020)