R E L Ó G I O D O T E M P O


Tudo tem o seu tempo!
Frase de efeito.
Ou se come cru.
Ou se come queimado.
Há quem espera o tempo certo.
Há quem coma a ansiedade.
Certo é que do tempo não se escapa.

O tempo não para!
Foi o poeta quem disse.
Ou se corre muito
E atropela!
Ou vai no d e v a g a r
E é atropelado!
Se parar passam por cima.

O tempo rouba a memória!
Sou eu quem digo.
Se os ponteiros não correm juntos,
O risco é ficar para trás ou sumir na frente.
Isto o relógio não perdoa!
Implacável é fiel ao tempo.
É quando a saudade dá o seu jeito.

(GeraldoCunha/2020)

Série Visitando 2016 (tudo começou assim…)

A M I G O

Perto ou longe, sinto-me acarinhado pelos amigos, por seus gestos simples, às vezes nem por eles percebidos; por seus cuidados bobos, que em tom de galhardia, ofertam aconchego; aquele colo invisível, que fingimos negar querer, mas que lá no íntimo é o que todos nós queremos.

F E L I C I D A D E

Vou ali no mercadinho comprar felicidade e estou levando como moeda de troca meu sorriso.

L A Ç O S

Agora só me resta deixar estes cacos de vida e seguir adiante para tentar encontrar um espaço, pois eu já me encontrei .
Este vazio e está solidão são demonstrações de laços desatados, dando espaço para que outros sejam atados.

(GeraldoCunha)

I L U S àO


Estamos nós
Chorando solidão
Cercados de pessoas
Implorando por atenção
Mas que não prestam atenção
Hipnotizados pelos espelhos
Deslumbrados só por ser
E não sermos nada
Um tanto de ilusão
Um pouco de ego
Estamos sós
Ignorando os sinais
Negligenciando o sentir
Transformados em miragens
Preocupados apenas com o reflexo
Estamos presos em nós mesmos
Com a boca amordaçada
Mas querendo gritar
Com mãos atadas
Sem poder tocar

(GeraldoCunha/2020)

Das dores


Das dores…
Já nem me lembro!
Do pouco que lembro,
Luto para esquecer.
Sofrimento suporta,
Enfrenta de frente,
Até passar!
Das dores…
Não carrego comigo,
As que me agarram,
Delas tento me desvencilhar.
As que penetram arranco
Com os dentes, quando me faltam as mãos.
Das dores…
Aprendemos!
Do que nós desumaniza.
Nos torna mais humanos.

(GeraldoCunha/2020)

Série Poema Curto : Reflexão


Foi um ano intenso para todos e salvaram-se aqueles que aproveitaram a oportunidade para o autoconhecimento!
Só se muda o externo a partir do interno de cada um de nós e do modo como ele é externado.
Podemos influenciar os outros para atitudes boas ou ruins, isto não é opção é uma escolha!
E com a poesia escolhi mudar o ‘ao redor’ para melhor!
É contagiante!
A poesia é o vírus e o remédio que temos para o equilíbrio.

(GeraldoCunha/2020)

Série Open: Coração sincero -recado


(Da série open veja também Ausência conformada-sinais )

Há muito já não sou quem conheceu!
A imagem de criou a partir dos conceitos de antes, dos tempos que abríamos o coração com sinceridade, não existe mais.
Se você se afastou por esta razão,
Por achar que eu não tinha nada a acrescentar…
Se enganou!
Não era vitimismo.
Na sinceridade do coração havia verdade…
Nossa verdade!
Você não entendeu isto e se afastou.
Entendi o recado antes que precisasse ser ditado!
E mudei.
E vi que não percebeu
E percebi que não se importou.
Hoje sou outro.
Ainda de coração sincero.
E você?
Quem é?

(GeraldoCunha/2019)

Ciclos


Sou feito de ciclos!
Entre revoltas e conformação,
Vivo!
E disto retiro o que se tem de melhor.

Nos ciclos de revoltas,
Esbravejo o mundo,
Insisto e desisto,
Revejo conceitos,
Expurgo rancores,
Desintoxico!

Nos ciclos de conformação,
Reciclo ideias,
Acomodo pensamentos,
Resignado à ordem,
Reestruturo!

Nos intervalos,
Vivo!
Assim sou constituído,
Ora desconstrução,
Ora reconstrução,
Ser em evolução.
Um apanhado de erros,
Um bocado de acertos,
Vertigem!

(GeraldoCunha/2019)