Ilhado – reeditado

Preso em meus pensamentos,
Escravo dos meus medos,
Ilhado sem ter para aonde ir.

Fixado em ideias torpes,
Perdido em mundo de angústias,
Ilhado sem ter para quem ir.

Prisioneiro sem grades,
Escravizado sem grilhões,
Ilhado em meio à multidão.

Para se libertar
o primeiro passo
é entender
o que te aprisiona

(GeraldoCunha/2017)

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Poema da (in)sanidade – reeditado


Deixa eu explicar minha loucura.
É excesso de amor.
Uma gota de (in)sanidade.
Explosão de alegria despretenciosa.
Medida a conta-gotas.

Deixa eu justificar minha loucura.
É escassez de infelicidade.
Uma porção da tristeza a se esconder.
Implosão de sentimentos incontidos.
Medida em proporções.

Deixa eu explorar minha loucura.
É prazer de fugir à razão.
Uma dose dos pensamentos sórdidos.
Perturbação da ordem normal.
Medida em pequenos goles.

Deixa eu defender minha loucura.
É condição do próprio existir.
Uma concha dos desatinos.
Percepção da verdade distorcida.
Medida em gramas.

Deixa eu viver minha loucura.
É expressão do meu ser.
Uma parcela do que sou.
Extensão do racional.
Medida em quilômetros.

(GeraldoCunha/original2017)

Amizade e transformação – reeditado

A mim me interessa a amizade.
O tempo se encarregará da direção.
Não quero nada que se inicie de outra forma.
O meio vai traçando  o percurso.
O final é simples consequência.

Qualquer outro plano que seja diferente,
Pode estar fadado ao fracasso.
Confiar no tempo é a melhor forma para a conquista.
Explorar cada possibilidade,
Sem ir direto ao ponto,
Sem ansiedade ou atropelos,
Pode ser o caminho ideal em direção ao objetivo.

A amizade permite, sem paixões,
Conhecer o outro e se conhecer,
Permitindo a construção de uma relação sólida,
Que desafia o tempo,
Que não encontra barreira nem mesmo na distância.
Aquela que, na ausência, desperta saudade.

Desistir no curso é sempre uma possibilidade
Mas, lembre-se, é um risco a se correr.
Pegar atalhos pode fazer parte do processo,
É a aceleração do tempo,
Queima de etapas,
Quando se tem certeza do que se quer.

Sentar só, à beira da estrada, pode ser uma necessidade,
Sempre é possível alcançar o outro quando se quer muito.
Só não pode deixar que se perca de vista.
Esquecerá ou será esquecido.

Toda relação que não respeite o tempo,
Que seja fruto de uma tentativa de alimentar a ansiedade,
Não me interessa.
Ser afoito leva a más escolhas,
Cega a percepção de quem realmente
Merece ser visto e conhecido.

(GeraldoCunha/2016-2017)

Voei para o longe


(Gosotu? veja também Réstia de luz )///.
quando você finalmente pousou
eu já havia perdido a esperança
preparava para voar sozinho
ir em busca de outro sonho
demorou demais para se aproximar
quando o fez
não conseguiu sequer completar uma frase
fosse outro o tempo
nem seria preciso
pois saberia o que ia dizer
hoje já nem sei
ou se sei não mais me interessa
entre o distante e o se aproximar
tive espaço para observar ao redor
e o seu pouso não era mais
que uma expectativa frustrada
percebi que o mundo é maior
e não cabia mais naquele minúsculo espaço
sufocado deixei você ficar
mas não eu
voei para longe
por isso você não mais me encontrou
era paixão
fosse amor
teria chegado na hora certa
ou isto não seria importante
não precisaria de frases perfeitas
bastaria apenas estar
transformaria aquele pequeno espaço
em um mundo só nosso
seria um voo de chegada
sem hora de partida

(GeraldoCunha/originalmente2018)

Caminhos – reeditado


Gostou? veja também Já não sei eu só)///.
Quis uma razão para voltar
E encontrar você novamente,
Mas não encontrei.
Há caminho que não tem volta
E não há razão que modifique.

Vou encontrar outro você,
Que por um tempo me acompanhará
Na direção que sigo.
A distância a percorrer
Só o tempo definirá.

Longo ou curto o trajeto,
Seremos companhia,
Alegria, tristeza e superação,
Até o momento e a necessidade
De tomarmos rumos diferentes.

Assim é na vida e nas amizades,
Às vezes é preciso parar
Para deixar o outro seguir,
Às vezes é preciso seguir
Deixando o outro para trás.

Para este desapego
A saudade e as lembranças.
Gostar é não ter o sentimento de posse
É praticar a liberdade sua e do outro
É deixar partir quando não há razão para ficar.

(originalmente GeraldoCunha/2016)

Paciência – (in)sano ser (reeditado)


(Gostou? veja também A canção)///.
Tenha paciência comigo.
Há um louco que me habita.
Às vezes nem mesmo eu o suporto.
Mas este ser insano, na verdade, é quem sou.
Suas insanidades me torna especial entre os demais.
Esta parte que mais o incomoda talvez seja o meu melhor.
Por isso mantenho-o inquilino, mesmo querendo despejá-lo.
Hoje este habitante é a justificativa para você querer tanto partir.
Ontem foi protagonista de tantas histórias que fez você querer ficar.

Publicado originalmente
(GeraldoCunha/2017)

Já não estávamos mais! – reeditado


(Gostou? veja também Jogo do tempo)///
Quando percebemos havíamos nos abandonado
Não sei mais quem foi embora primeiro
Certo é que fomos nos distanciando
A cada ausência injustificada
A cada telefonema não prontamente atendido
A cada silêncio mal interpretado
Aquilo que era inteiro virou metade
Foi se esvaindo
Até desaparecer
Já não sentíamos ou fazíamos falta
Ficamos ali
Cada um em seu canto
Feito lembranças empoeiradas!

Não mais importavam as justificativas pela ausência
As desculpas por não atender prontamente o telefone
Ou as tentativas de explicar o silêncio
Nos abandonamos
Antes queríamos sempre próximos
E não havia barreiras de comunicação
Ou obstáculos que não enfrentássemos juntos
Tudo era leve
Ou ficava mais leve quando estávamos juntos
Já não estamos mais!

Não voltaremos mais
O que foi abandonado que fique
Pois já não nos satisfazia
Não nos complementava
Não era verdadeiro
Somos estranhos conhecidos
personagens de uma história que passou
E agora só retratada em vagas lembranças
Não sei mais se vivenciamos tudo aquilo
Ou se foram excertos de poemas
Ou poesias que povoavam nossas mentes
Havia música onde hoje há silêncio!
(GeraldoCunha-originalmente publicado/2016)