Cheiro e sabor / Ciclos da vida

(este poema é absolutamente pessoal – talvez alguém se identifique)

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2019)

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Sem roteiro


Não fiz um roteiro,
Fui seguindo intuições.
Tantos atropelos,
Tropeços e quedas.
Outros tantos,
Acertos e sorte!
Quantas vezes
Não sabia a direção,
Mas fui assim mesmo!
E as indicações erradas?
Foram tantas, nem sei!
Arrisquei, apostei
Mas fui assim mesmo!
Depois retomei o curso.
Nem vou falar dos
Arrependimentos…
Por eles me martirizei,
Por algum tempo,
Não muito!
Só o tempo de me reestruturar.
Mas também tive
Bons direcionamentos.
Sem contar as ótimas
Companhias.
Estas foram muitas.
E como foram!
Entre risos e choros
Quantos encontros!
Não fiz um roteiro,
Não, não fiz!
Não por prepotência
Em achar desnecessário.
Mas por inexperiência mesmo.
Muitas vezes foi assim.
Outras pura falta de imaginação.
Confesso!
O certo é que andei
E andei e andei e andei.
Até me encontrar aqui
E sem querer olhar pra trás…
Sigo, sigo em frente sem roteiro.

(GeraldoCunha/2019)

Não mais que o tempo


(Gosotu? veja também Prisioneiro)///.
Segure o tempo
Enquanto estivermos só um
E isto fizer todo sentido
E que cada segundo
Seja contado em horas

Solte o tempo
Quando estivermos longe
E isto não fizer qualquer sentido
E que cada hora
Seja contada em segundos

Congele o tempo
Quando estivermos partindo
E isto ainda for mais uma opção
E que cada dia
Seja contado em eternidade

Confunda o tempo
Quando estivermos só um
E isto não for mais uma opção
E que a eternidade
Seja o agora para sempre

(GeraldoCunha/2018)

Quietude incômoda


(Gostou? veja também: Sentimento)…
Quieto espio o tempo.
Tudo está parado.
Tudo está em silêncio.
Ou quase.

Inquieto sobressalto.
Uma sombra distrai.
Um zunido desconcentra.
Um quase incômodo.

Inquietude que priva.
Proíbe a inércia.
Repreende o prazer.
Rouba momento de paz.

Quietude que é vida.
Espio renovador.
Silêncio restaurador.
Necessidade que se faz.

(GeraldoCunha/2018)

Tempo: T01 : Efinal – Observava

Há muito eu te observava.
Só não percebia que você também me observava.
Passamos todo esse tempo só observando.
Só não observamos que o tempo passou.
Seguimos caminhos paralelos nos observando.
Apenas o olhar observador se encontrava.
Distraídos a observar não percebemos que só distanciávamos.
Observamos atentos cada movimento.
Só não observamos que o tempo passou.
(Gcc/2017)

Tempo: T01 : E07 – o tempo é agora

Tempo: T01:E01 – amizade e transformação


A mim me interessa a amizade.
O tempo se encarregará da direção.
Não quero nada que não se inicie de outra forma.
O meio vai traçando o percurso.
O final é consequência.
Qualquer outro plano que seja diferente pode estar fadado ao fracasso.
Confiar no tempo é a melhor forma para a conquista.
Explorar cada possibilidade sem ir direto ao ponto e sem ansiedade pode ser o caminho ideal para o objetivo.
A amizade permite, sem paixões, conhecer o outro, construindo relações sólidas.
Desistir no curso é uma possibilidade – é um risco a correr.
Pegar atalhos faz parte do processo – é a aceleração do tempo.
Sentar só à beira da estrada pode ser uma necessidade – sempre é possível alcançar o outro quando se quer muito.
Toda relação que não respeite o tempo e seja fruto de uma tentativa de alimentar a ansiedade não me interessa.
Ser afoito leva a más escolhas e cega a percepção de quem realmente merece ser visto é conhecido.
(GeraldoCunha/2016)