Traga uma notícia boa


Invada a minha casa,
Pela porta,
Pela janela.
Grite!
De alegria.
Traga uma notícia boa!
Ocupe os espaços vazios.
Incomode o silêncio,
Incomode os vizinhos,
Que não vão se importar.
Encha de vida,
A sala,
O quarto.
A varanda.
O copo.
O corpo.
Atropele as palavras,
Troque gargalhadas,
Compartilhe risadas,
Fale! Fale! Fale!
De coisas boas
De ontem,
De hoje,
Para amanhã!

(GeraldoCunha/2020)

Viagem ao espaço tempo


Viajar é se permitir.
Estar aberto para novas experiências.
Voe sem amarras.
Esqueça as malas.
Você sem asas.
Rasgue as roupas e saia.
De saia dance em ondas.
Veleja o ar.
Embarque no vento.
Rasgue o bilhete e ande.
Sinta o cheiro da terra com os pés descalços.
Peça carona e deixe ir.
Mude a rota e conheça o mar.
Não se vive só de cachoeiras.
Não se sobrevive só de asfalto.
Recolha a chuva e beba.
Com os restos que escorrem se lave.
Seque ao sol.
Ou revire na areia da praia e tome banho de mar.
Tempere a pele.
Salgue os cabelos.
Agarre a crina do cavalo pelo pescoço ou cauda.
Cavalgue o tempo.
Recoste sob a sombra de uma paineira, sobre a grama molhada.
Cubra-se com suas flores.
Sonhe.
Sonhar é viajar.
Conhecer o outro lado por dentro.
O inconsciente.

(GeraldoCunha/2020)

Tempos sombrios


Não é o tempo que está diferente,
Éramos nós os indiferentes.
E ainda somos!
Sempre choveu e o tempo se fechou como de luto.
E para o tempo a tristeza destes dias não é diferente de hoje.
O medo, a insegurança, a dúvida sobre o amanhã aflora os sentimentos.
Nos faz perceber que só temos o hoje.
E como não percebemos isto antes?
O tempo percebeu.
Inventou o passado e o futuro para rir de nós.
Enquanto uma camada cinza redoma nossas cabeças,
Nos tranca com nossos pensamentos no sombrio do solitário.
Jogamos com o tempo, como se fosse o adversário, o rival, o inimigo.
Engano!
Lutamos com nosso reflexo que trêmula na poça d’água.
Indignamos como nossas próprias atitudes medíocres, quase sempre disfarçadas por vis atos nobres.

(GeraldoCunha/2020)

Série – Um pouco de mim


Na adolescência o contato com música. Antes não, ou talvez! gostava de algumas coisas no rádio ou na televisão, outras não entendia. Nada para se orgulhar.
Foi quando surgiram os videoclips que veio o interesse. E íamos pelos anos 80. A Blitz foi a banda que ligou o start. Parêntesis aqui para dizer: – recuperei os três LPs e o proibidão (prova da existência da censura). E agradeço por isso, não pela censura. O que era aquilo? entre tantos movimentos ocorrendo e que eu negligenciava, aquela música me fascinava. Meu gosto musical para aqueles tempos não era considerado o mais refinado, quem liga? Havia polarização, saudável! Ou nem tanto. Quando fui apresentado à Legião Urbana, conjurei, apesar de ter ficado hipnotizado por “Índios”, não podia admitir. Hoje devoro toda a obra de Renato Russo, de Cazuza e de tantas bandas nacionais. Escrevo ao som de Cindy Lauper, foi quem me trouxe estas memórias. Quando fui apresentado à cena musical mundial, de imediato me conquistou, assim como Madonna e um furacão, verdadeiramente furacão, chamado Tina Turner. Nem preciso dizer de Michael Jackson. Foi só o início, para quem tinha pouco acesso a este produto, depois fui apresentado à MPB e às bandas internacionais. Foi quando entendi Milton, Caetano, só para começar! Elis, Bethânia, Gal, Rita Lee, Tim Maia…Queem, Duran Duran, The Smiths, Van Hallen, The B-52’s (o que era aquilo?), Dire Straits, até chegar ao U2. E a RPM. Impossível listar. Foi assim que tudo começou, não sou músico, não toco nenhum instrumento, ainda tenho gostos duvidosos, mais sou um apaixonado por música, a ponto de respeitar todas as formas de expressão, o que não quer dizer que toque nas minhas playlists.

(GeraldoCunha/2020)

Série Open- Delay


Quando achar que é hora de dizer adeus
É porque esta hora já passou.
As palavras chegam mais tarde que os sentimentos.
Nesse intervalo de tempo muito se disse:
No silêncio!
Na respiração ofegante!
No calafrio da saudade!
Na dúvida.
Esse breve instante…
O tempo da arrogância disfarçada de teimosia,
O tempo de perceber que tudo vivido não fez sentido,
O tempo da poeira assentar nos móveis,
O tempo das palavras se perderem
E de ouvir o grito da vitória na sala do vizinho.

(GeraldoCunha/2020)

POR AQUI


Aqui tudo em paz, na mesma.
Comendo e engordando,
Exercitando e desistindo,
Lavando e passando,
Passando o tempo,
Passando entre o móveis,
Imóveis.
Esquecido e esquecendo,
Lembrando e nostalgizando,
Observando e espreitando,
Trabalhando e esperando,
Lendo e esperando,
Escrevendo e esperando
E esperançando…

(GeraldoCunha/2020)

Chuva


Gosto dos barulhos da chuva.
Quando leve,
É sinfonia que faz acalmar,
É melodia que embala o pensar,
É fluidez!
Quando forte,
Anuncia-se sem temores,
Causa tremores,
Tanto arrasa quanto limpa!

Gosto da água que cai.
As gotas que batem na janela,
O cheiro da terra molhada vindo de fora,
Convidando-se para entrar,
Escorrem pelo vidro
Procuram frestas
Molham o chão.

São torrentes que escorrem,
Traçando seu próprio caminho,
Invadem sem pedir licença,
Avançam rumo ao lago, ao rio, ao mar,
O pouco que terra não conseguiu drenar.

(GeraldoCunha/2020)

(Colaboração Eliana Cunha)

Visita ao passado


Visitar o passado é se decepcionar.
As coisas já não são como eram.
Mudanças pelo abandono ou pela transformação.
O melhor é guardar na memória,
Se aquele lugar ou aquela pessoa representou algo de importância.
Deixa lá! na memória, na lembrança, na … saudade!
Não se volta para ver o castelo de areia.
Ele não estará mais lá,
Pois foi descontruido pelas ondas,
Destruído pelos pés do homem ou
Invadido por outras mãos e transformado.

(GeraldoCunha/2020)

Série Poema Curto – Passos


Os meses passam…
E eu lentamente.
Lenta a mente!
E os passos?
Passo a passo…
Lentos nos dias.
E os dias?
Largos nos passos!
Os dias passam…
E eu não passo.
Preso na horas.
Conto os segundos…
Segundos passam.
A passos lentos!

(GeraldoCunha/2020)

Dar tempo ao tempo


(Estou também no Instagram @divagacoesgcc.geraldocunha)

Hoje vou dar um tempo ao tempo
D E S L I G A R E I:
O relógio para não despertar;
O telefone para não incomodar;
A televisão para não clarear.
F E C H A R E I:
A cortina para o sol não entrar;
As caixas da mente para não pensar;
O caderno para não criar.
D E I X A R E I :
O tempo descansar …
Dos ponteiros;
Dos clarões;
Do poeta.

(GeraldoCunha/2020)

R E L Ó G I O D O T E M P O


Tudo tem o seu tempo!
Frase de efeito.
Ou se come cru.
Ou se come queimado.
Há quem espera o tempo certo.
Há quem coma a ansiedade.
Certo é que do tempo não se escapa.

O tempo não para!
Foi o poeta quem disse.
Ou se corre muito
E atropela!
Ou vai no d e v a g a r
E é atropelado!
Se parar passam por cima.

O tempo rouba a memória!
Sou eu quem digo.
Se os ponteiros não correm juntos,
O risco é ficar para trás ou sumir na frente.
Isto o relógio não perdoa!
Implacável é fiel ao tempo.
É quando a saudade dá o seu jeito.

(GeraldoCunha/2020)

Dono do tempo

De manhã escrevo,
De tarde estremeço,
De noite enlouqueço;
Quando acordo esqueço.
As horas passam!
Por ora tímidas,
Por ora atrevidas,
Quase sempre insanas.
Quando recobro a lucidez,
Quero adormecer
Dono do tempo,
Para no seguinte acordar
E começar tudo de novo!
Sou dono tempo,
Mas é o tempo que me domina!

(GeraldoCunha/2019)

Frágil


A vida é este frágil do tempo
Um instante de prolongamento
Um breve no hesitante do existir
Fagulha de uma chama que não se apaga
Ou o devagar apagar de uma vela
O delicado da seda que com o toque se rompe

A vida é este flash no tempo
O orvalho que seca ao primeiro sol
O eterno do instante que resta
Um sopro de esperança que não basta
O inevitável encontro de olhares
O silêncio do encerramento inevitável

A vida é este romper do tempo
A acelerar as impressões no rosto
A encurtar os passos na distância
O ressignificar os sentimentos
O desacelerar das palpitações
A substituir as saudades por lembranças

(GeraldoCunha/2019)

Jogo do tempo (vale a pena publicar de novo)


(texto produzido e publicado originalmente em 2017 – fotogragia 2019)

Hoje eu não quero fazer mais nada, a não ser olhar o tempo.
E já faço muito, pois é tarefa por demais àrdua.
Entro num jogo que quase sempre perco.
Olhar o tempo requer pensar no que foi, no que é e como será.
Ufa!
Só de pensar canso.
Mas não desisto.
O não fazer nada é um engano, embaralhamento das ideias.
Eu sei, mas quero jogar.
O tempo se mistura, o que foi, parece ainda ser e talvez nunca será.
Não, não e não.
Não quero pensar e por isso fico só a olhar o tempo.
Penso não fazer nada, mas faço.
Penso, é isso!
Como esvaziar a mente se penso?
No foi, no é, no agora?.
Mas tudo é hoje, fagulha de tempo, quando se vê, veio e foi.
Então apenas é e fico a olhar o tempo, enquanto não faço nada.
Estou enganando a quem?
A mim talvez.
Só não engano o tempo, que no meio do nada, neste jogo, me lembra o que fiz, quem eu sou e como gostaria que fosse.
Nessa de não fazer nada, acabo fazendo mais do que deveria.
Jogo com o tempo e ele quase sempre ganha, pois tem nas mãos o que foi, o que é e como será.
Nessa de olhar o tempo, entro em um jogo de cartas marcadas em que tenho a meu favor apenas o fator surpresa.
Algumas vezes ganho, em muitas perco, mas continuo.
E eu que não queria fazer nada e só olhar o tempo ?!
(GeraldoCunha/2017)

Relógio


Falo tanto sobre o tempo
Que tenho receio de me repetir
O tempo não se repete
O passado não se reinventa
Fica guardado na memória
E vai se desfazendo
O presente é o milésimo de segundo
Ou menos que isto
Quer tanto o futuro
Quando se vê já é passado
O tempo é o instante
O relógio se repete
O tempo dele não

(GeraldoCunha/2019)

Cheiro e sabor / Ciclos da vida

(este poema é absolutamente pessoal – talvez alguém se identifique)

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2019)

Sem roteiro


Não fiz um roteiro,
Fui seguindo intuições.
Tantos atropelos,
Tropeços e quedas.
Outros tantos,
Acertos e sorte!
Quantas vezes
Não sabia a direção,
Mas fui assim mesmo!
E as indicações erradas?
Foram tantas, nem sei!
Arrisquei, apostei
Mas fui assim mesmo!
Depois retomei o curso.
Nem vou falar dos
Arrependimentos…
Por eles me martirizei,
Por algum tempo,
Não muito!
Só o tempo de me reestruturar.
Mas também tive
Bons direcionamentos.
Sem contar as ótimas
Companhias.
Estas foram muitas.
E como foram!
Entre risos e choros
Quantos encontros!
Não fiz um roteiro,
Não, não fiz!
Não por prepotência
Em achar desnecessário.
Mas por inexperiência mesmo.
Muitas vezes foi assim.
Outras pura falta de imaginação.
Confesso!
O certo é que andei
E andei e andei e andei.
Até me encontrar aqui
E sem querer olhar pra trás…
Sigo, sigo em frente sem roteiro.

(GeraldoCunha/2019)

Não mais que o tempo


(Gosotu? veja também Prisioneiro)///.
Segure o tempo
Enquanto estivermos só um
E isto fizer todo sentido
E que cada segundo
Seja contado em horas

Solte o tempo
Quando estivermos longe
E isto não fizer qualquer sentido
E que cada hora
Seja contada em segundos

Congele o tempo
Quando estivermos partindo
E isto ainda for mais uma opção
E que cada dia
Seja contado em eternidade

Confunda o tempo
Quando estivermos só um
E isto não for mais uma opção
E que a eternidade
Seja o agora para sempre

(GeraldoCunha/2018)

Quietude incômoda


(Gostou? veja também: Sentimento)…
Quieto espio o tempo.
Tudo está parado.
Tudo está em silêncio.
Ou quase.

Inquieto sobressalto.
Uma sombra distrai.
Um zunido desconcentra.
Um quase incômodo.

Inquietude que priva.
Proíbe a inércia.
Repreende o prazer.
Rouba momento de paz.

Quietude que é vida.
Espio renovador.
Silêncio restaurador.
Necessidade que se faz.

(GeraldoCunha/2018)

Tempo: T01 : Efinal – Observava

Há muito eu te observava.
Só não percebia que você também me observava.
Passamos todo esse tempo só observando.
Só não observamos que o tempo passou.
Seguimos caminhos paralelos nos observando.
Apenas o olhar observador se encontrava.
Distraídos a observar não percebemos que só distanciávamos.
Observamos atentos cada movimento.
Só não observamos que o tempo passou.
(Gcc/2017)