Série Open – Só queria dizer


.Só queria dizer, Que foi bom enquanto durou, Se hoje sofro pelo silêncio, Amanhã serei outro, E todo este sentir, Será saudade, Até já não ser mais, Aí será esquecimento, Só queria dizer, Que não compreendo a ausência, Mas respeito a distância, É o tempo da reflexão, Necessária para saber se valeu a pena, Ou se foi só um encontro do acaso, Que hoje já não faz mais sentido, Só queria dizer, Que estou triste, Não guardo mágoa, A que resta vai passar, É preciso ter esta compreensão, Somos todos idas e vindas, Encontros e desencontros, Há muito caminhos, E foi muito bom enquanto por alguns percorremos juntos, Se outros se seguirão, Já não sei, Já não sabemos, O silêncio impede este saber, Só queria dizer.

(GeraldoCunha/2020)

Série Elos – Caderno de emoções


Arrancaram as minhas emoções.
Quebraram as pontas dos lápis
E as tintas das canetas secaram.
O papel não segura mais as palavras!
As cores estão desbotadas.
É que já não sinto mais o amor.
As poucas emoções que me restam
Escapam entre tédio e desesperança!
Deixando espaço para a inércia.
Sem as vontades é sentir para menos
E o tempo mesmo assim não se segura.
Sou cadernos abandonados na estante.
Folhas rasuradas com lágrimas
E suor dos calafrios das noites vazias.
Emoções espalhadas entre os livros.
Sou rabiscos ilegíveis,
Pedaços de poesia esquecidos em guardanapos!
O desenho na poeira sobre a mesa.
E foi o que restou de mim!
Cadernos de emoções que não se leem.
Sentimentos arquivados à espera do amor!

Arte: Mi Cruz – do blog mcmistturacriativa.wordpress.com

Texto: GeraldoCunha

Série Open : Desimportante


Tem um momento que tudo fica desimportante.
Não há mal em ser desimportante.
São os ciclos da vida.
Ora de repensar para não despencar.
Provocar a mudança,
Para não ser provocado.

Tem pessoas que ficam desinteressantes.
Não há mal em ser desinteressante.
Sobre isto não se tem controle.
Não se põe diante do júri.
Pois não se atribui culpa.
Lamenta, aceita e segue.

O que se tem em comum
Entre o desimportante
E o desinteressante
É a possibilidade do novo

(GeraldoCunha/2020)