Vale dos esquecidos


Todos esquecemos
E somos esquecidos.
Só nos esquecemos disto.
Mas eu não esqueci.
Só não estava lembrando.
Memória é coisa que vai e volta.
Tem vez que vai e não volta
E não adianta esperar!
Tem vez que vem e não faz sentido.
É memória roubada.
Pode ter sigo alguém que disse.
Ou é memória pela metade.
Sem o início, o meio ou o fim.

(GeraldoCunha/2020)

Série Open: ausência conformada – sinais


(Da série open, veja também Coração sincero-recado)

Tanta coisa para conversar. Mas que vai se perdendo na ausência. O tempo vai distanciando os dizeres. E a cada retorno uma história já se perdeu e não faz mais sentido ser compartilhada. Abre-se um clarão entre nós. É o tempo para perceber que o descuido nos afastou. Não tanto menos pela distância, mas quanto mais pela ausência conformada.

Um ponto de interrogação. “Hoje não dá”, “fica para depois”, “pode ser amanhã”, “pode esperar”. Substituído gradualmente pelas reticências. E o diálogo vai sendo suprimido, ficando só no subentendido ou no deixa pra lá. No vazio das reticências, os pontos e vírgulas, os dois pontos, as exclamações, as vírgulas e as aspas vão se evaporando. Em apressados “ois”, “tudo bem”, “saudades”, “lembrei de você”, “ligo depois”, que não fazem nenhum sentido.

E a ausência conformada nos impede até mesmo de por um ponto final.

(GeraldoCunha/2020)

Histórias de amizade

Como são lindas as histórias de amizade.
Carregadas de sentimentos.
Sufocadas de abraços.
Enlaçadas pela cumplicidade.
Risos, choro, lágrimas,
Choros, riso, lágrimas,
Acúmulos de amores!
Despretensiosos encontros de almas.
Ausência sentida,
Presença exigida,
Distância compreendida!
Inusitadas relações de opostos que se conectam.
Atropelo de erros e acertos
E entre idas e vindas,
A permanência …
Memória das tristezas e alegrias
Avalanche de saudade!

(GeraldoCunha/2019)

I Wish You Love (inspiration)


Exclua-me da sua vida
Se for para ser só saudade
Ou se o tempo das horas
For desculpa para não estar
Não quero ser um estorvo
Também não vou servir de consolo
Desocupe-me das suas mentiras
É alívio não fingir que acredito
É quando a paciência perde a calma
Se não gosta de estar aqui
O melhor é trocar a fechadura
Me deixando do lado de fora
Carregarei comigo a tristeza
Que não me acompanhará por muito
Dela desviarei na primeira esquina
É quando vou me despindo de você
Desejando-lhe um outro amor

(GeraldoCunha/2019)

Série Poema Curto: Saudade volta


Levaram minha saudade embora.
Deixaram um coração vazio.
Foi o que me restou.
O que me restou.
Me restou.
Restou.
Foi!

Saudade volta para este coração.

(GeraldoCunha/2019)

Carinho

Também no instagram @divagacoesgcc.geraldocunha
…segunda parte poema (com)sequência.

Eu preciso dos seus carinhos
E não me fale que é carência
É um tanto amor, um tanto a falta

Eu sinto falta dos teus beijos
É que a boca está seca
Sedenta dos teus prazeres

Eu necessito do teu afago
É quando me afogo e gosto
Mergulho na maciez do toque

Eu sinto falta dos teus cheiros
Que entram pelas narinas
Aquecendo e me fazendo delirar

(GeraldoCunha/2019)

Saudade dormida


A saudade fica escondida no coração!
Dormida no travesseiro
Em que repousam as lágrimas,
À espera do refrão.

A saudade rabisca o papel!
Rasurando as partituras,
Enchendo o ar de emoção,
Ecoando nas canções.

A saudade dormida,
Embalada pela canção,
Acalanta o coração,
Faz companhia para solidão.

(GeraldoCunha/2019)