Zero hora


Depois de deixar de acreditar nas pessoas fica difícil seguir em frente, pois todos os projetos traçados e todos os objetivos de vida não são pensados para se fazer sozinho.
Bate o cansaço de buscar por pessoas e permitir que outras se aproximem.
Surge a dúvida, a desconfiança e o medo, que se transformam em desinteresse.
Aos poucos vai deixando de acreditar, desconfiando de suas escolhas e duvidando dos caminhos seguidos.
Deixa também de ser acreditado, observado e escutado.
Aos poucos se percebe que está falando para paredes e muros, vagando sem rumo, completamente invisível.
O melhor é zerar o relógio e começar tudo outra vez.
O recomeço é algo difícil e, a toda vez que o relógio é zerado, um pouco se perde.

Anúncios

Páginas em branco

Olhando fixo para o papel ainda branco, apenas com alguns riscos sugerindo algo a ser contado.

O vazio daquelas páginas, retratando uma alma escravizada por pensamentos que não querem se mostrar.

Folhas e folhas descartadas em um canto, arremessadas pela implacável dúvida de como começar.

A cada tentativa uma nova palavra surge, dando sentido à anterior, mas pedindo um complemento que não vem.

(GeraldoCunha/2016r)

Já não sei… Eu só! (Reeditado)


Já sem esperança resolvi acreditar na vida!
Quando tudo ficou em silêncio pude perceber que estava só.
Já não sou mais necessário, não faço falta!
Se sou lembrado já não sei, ninguém me diz.
Ninguém ri daquela piada engraçada que conto.
Já não conto piadas, não tenho para quem contar.
Cruzo o tempo todo com pessoas estranhas,
Até quem eu pensava conhecer virou um estranho!
Hoje luto para sobreviver,
solitário no meio de tantas vozes, vivo!
(poema escrito em 2016)

Impuro e virtuoso – reeditado

Impuro ontem, virtuoso hoje.
Um mesmo corpo e uma mesma mente podem abrigar.
Disso sei eu ….. e outros saberão.
O que pesa é o julgamento.

Não somos o que confessamos, o que se vê não passa de ilusão,
é apenas aquilo que você prefere enxergar.
Para você não passo de uma ilusão.
Sou alma retocada.

Preciso de uma conversa sincera, verdadeira,
que só posso ter comigo mesmo, pois o outro não me alcança.
O medo da transparência isola, uma parte de mim quer gritar!
E por medo dá apenas dicas.
Direciona para aquilo que você não conseguirá enxergar.
O medo de se revelar impede ver o outro.

Vamos falar então do impuro.
Incógnito, você e seu reflexo se fundem.
A verdade transparece na penumbra, no anonimato.
Penso ser só físico, mas nem sempre o é.
Sendo eu, encontro-me pleno quando posso dividir esse momento,
que à primeira vista é só físico, com outra alma confessa.
Vivemos minutos ou horas de verdade.

Hoje virtuoso, reflito…!
Minha realidade é uma farsa que os outros impõem para não se mostrarem.
Ao me revelar não mostro quem sou – virtuoso ou impuro –
mas o que os outros também não querem ver refletido.
(21/09/2014)

A canção 


Tantas canções de amor que não foram cantadas para você ou por você.
O que fizemos?
Desperdiçamos refrães, rimas e poesias.
Ainda há tempo?
As canções ficarão, você talvez não.
Esquecemos de nós?
A canção não esqueceu,
Lembra que fomos felizes,
Ora calmaria,
Ora tempestade.

(GeraldoCunha/2016)

Silencio

Silencio…
Para reorganizar minhas ideias.
Quando nada há para ser dito.
Em momentos que silenciar é a melhor resposta.
Para degustar um bom vinho e me deliciar com a comida servida.
Por preguiça mesmo de pensar no que dizer.
Para não ofender com uma verdade que precisa ser falada mas que não quer ser escutada.
Silencio, pois no silêncio me expresso, quando nenhuma palavra precisa ser pronunciada e, mesmo assim, sou entendido.
(GeraldoCunha/2017r)

Talvez você – reeditado

Você me deixa intrigado, mas ao mesmo tempo, me motiva.
Você atravessa uma linha tênue e eu gosto.
Você parece brincar, mas vejo comprometimento.
Talvez eu esteja enxergando onde não tem nada pra ver.
Talvez eu queira escutar o que o seu silêncio diz.
Talvez eu sinta, apesar da ausência do toque.
Talvez você e eu sejamos apenas isto.
Talvez você e eu não tenhamos a coragem necessária.
Talvez você e eu queiramos ser…amigos.
Talvez só isto não baste para você e para mim.

(GeraldoCunha/2017)