Amor liberto


Você merece um amor liberto
Que não seja só de alcova
Que possa ser revelado
Que possa ser declamado

Você merece um amor anunciado
Que não tenha só aparência de amizade
Que possa ser apresentado
Que possa ser fotografado

Você merece um amor respeitado
Que não ceda a embaraços
Que possa ser aclamado
Que possa ser protegido

Você não merece ser prisão
A boca que ama grita por liberdade
E os braços que amam libertam

(GeraldoCunha/2019)

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Quereres


São tantos
Os quereres

Queria agradar
Não agradei
Tentei

Queria falar
Não falei
Sussurrei

Queria gostar
Não gostei
Interessei

Queria apaixonar
Não apaixonei
Flertei

Queria amar
Não amei
Desencantei

Nos quereres
Fiquei

(GeraldoCunha/2019)

Voe

Voe
Sublime
A planar
A pairar
Leve asas

O vento irá direcionar

Voe
Atento
No tempo
No alento
Acredite

O inusitado irá revelar

Voe
Ecoe
No ar
No mar
Grite

O silêncio irá escutar

Vi pássaros
Vi borboletas
Vi você
Vi a mim
Vi a vida
Voei

(GeraldoCunha/2019)

Vaga mente


Estou vagando
Em pensamentos turvos
Por ruas desertas
Estou pirando
Nas ideias
Nas alucinações
Estou cambaleando
Vertiginosamente

Estou vadiando
Em meio à confusão
Por terrenos baldios
Estou delirando
Nas sarjetas
Nas gavetas
Estou divagando
Vorazmente

Estou arruando
Em memórias desconexas
Por esquinas sombrias
Estou rondando
Nas imagens
Nas memórias
Estou me conhecendo
Vagarosamente

(GeraldoCunha/2019)

E danço!


Ouço os passos
E danço!
À espera da tua voz.
Imagino sinfonia,
Batuta e violino.

Escuto a voz
E danço!
À espera da tua música.
Mãos que dançam,
Balé sem melodia.

Ouço a música
E danço!
À espera do teu amor
Que nunca chega,
Passos que se vão.

(GeraldoCunha/2019)

Escute

Rasgue
Este
Discurso.
Escute!

Esqueça as
Respostas
Prontas.
Escute!

Ouça
Atento
Ao que digo.
Pare!

Estou
Gritando
E o som
Não te
Alcança!

(GeraldoCunha/2019)

Revelação

Teço os mais belos trajes
Alinhavando os sentimentos
Tento me esconder
Mas as palavras me revelam
Às vezes sou socorro

Escolho as melhores imagens
Só para me mascarar
Tento me disfarçar
Mas as cores me denunciam
Às vezes sou esperança

Opto por não pontuar
Só para não direcionar
Tento mais confundir
Mas o que faço é explicar
Às vezes sou interrogação

Cada peça que visto
Me deixa mais nu
Não sou aquele do espelho
Mas nos poemas traduzido
Às vezes sou solidão

(GeraldoCunha/2019)