Poema do abrandamento


(Gostou? veja também Nessa de não ter tempo)//…
Te transformei em poesia
Para abrandar a saudade
Por não ter para onde voltar
Para tornar a acreditar
Quebrei lápis para suportar

Te transformei em poesia
Para sentir em meu tato
Por não ter a quem tocar
Para poder de novo afagar
Rasguei folhas para aliviar

Te transformei em poesia
Para não esquecer o cheiro
Por não ter como respirar
Para me sentir no inexplicável
Apaguei palavras para recomeçar

Te transformei em poesia
Para desviar da tristeza
Por não ter modo com a dor
Para voltar um dia a sorrir
Molhei as páginas para o tempo secar

(GeraldoCunha/2018)

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Poema ao vazio


Não ouço passos na varanda
Sua voz silenciou meus ouvidos
Não vejo sombras pela janela
Meus olhos não conseguem te alcançar
Não tenho forças para reagir
Só o vazio a ocupar lugar

Escuto o vento lento soprar
Nele não tem a sua voz a me chamar
E no balanço ninguém a brincar
Abandonado sob a árvore a sucumbir
Não tenho forças para gritar
Só o vazio escuta o chamado

Vejo pela fresta o silêncio sem cor
E folhas secas que se quebram
Sob passos invisíveis que circulam
E o vento arrasta os galhos para perto
Não tenho forças para fugir
Só o vazio oferece abrigo

(GeraldoCunha/2018)

Poema inacabado


(Gostou? veja também Poema da felicidade)///.
É café que se deixou gelado,
Xícara que não foi usada,
Cadeira sempre desocupada!

É livro amarelado,
Página que foi arrancada,
Personagem que não se saberá amado!

É história não terminada,
Vida que ficou pela estrada,
Partida sem chegada!

É frase que ficou pela metade,
Choro que não foi consolado,
Ombro pedido e recusado!

É olhar que se perde no nada,
Horizonte que não vê paisagem,
Porteira mantida fechada!

É noite interrompida no ato,
Pelo nome sussurrado errado,
Cama que ficou abandonada!

(GeraldoCunha/2018)

Poema do otimismo


(curtiu? veja também Pormaduplo em oração
Acordei e coloquei um sorriso no rosto,
Escondi a tristeza debaixo da cama,
Coloquei o desânimo para repousar,
Que fique de pijama para não me acompanhar.

Que o dia entenda e corresponda,
Nem que seja sob a forma de pão bem quentinho,
Ou através daquela resposta tão aguardada,
Quem sabe trazendo notas de mudança.

Vou caminhar como em nuvens,
Sentindo cheiro de café coado,
Não escolhi meu melhor sorriso por nada,
Vesti de melhor roupagem para viver.

(GeraldoCunha/2018)

Poema enclausurado


(Gostou? veja também Poema da esperança )///.
Preso em meus pensamentos
Sem conseguir me guiar
Vejo esquinas que seduzem
Mas não levam a nenhum lugar
Observo ruas indicando saídas
Rumando sem qualquer direção
Não há semáforos a orientar
As luzes piscam insistentes
E confundem se é seguir ou ficar
As placas brincam de aqui acolá
E nesse balé esquecem de organizar
Servem mesmo é para desorientar

Enclausurados os pensamentos
As palavras começam a congestionar
Desordenadas não encontram o seu lugar
Vão sendo deixadas nas calçadas
Ou simplesmente se perdem no ar
As poucas frases que se querem formar
Logo se desesperam e se põem a evaporar
É trânsito impedido para todo direcionar
O que resta é no meio-fio sentar e meditar
Ir catando as palavras que teimosas querem ficar
Ter perto uma sarjeta para os maus pensamentos escoar
Pegar uma caneta e um papel e começar a poetizar
(GeraldoCunha/2018)

Poema do desapontamento 


(Gostou? veja também Poema da preguiça)…
Tudo que peço
É um pouco do seu tempo
Para ser gasto comigo
Sem que isto pareça egoísmo
Hoje sou eu que preciso
E você não está aqui

Tudo que quero
É um pouco da sua atenção
Para ser compreendido
Sem nenhuma interrupção
Hoje sou eu que peço
E você só quer falar e falar

Tudo que preciso
É de um pouco de cuidado
Para não seguir na direção errada
Sem nenhum sermão
Hoje sou eu que quero
E você não percebeu

(GeraldoCunha/2018)

Poema da serenidade 


(Gostou? veja também Meditação texto2016)…
Hoje você não ouvirá a voz gritar.
Não, não ouvirá!
Ficará em silêncio,
Esperando a voz calar.
Imaginando planícies,
Cachoeiras a derramar,
Até o eco se findar.

Hoje você não sentirá o coração fibrilar.
Não, não sentirá!
Terá o tempo de se acalmar.
Inspirando e expirando sem pensar,
Sempre em compasso,
Sereno a meditar,
Até a mente limpar.

Sim, assim será!
Hoje você ouvirá o coração,
A batucar compassado…
Manso.
Hoje você sentirá a voz.
A levitar as palavras…
Zen.
(GeraldoCunha/2018)