Sob o fogo cruzado (Poema curto)


Para tudo há dois lados
E o meio!
Sob fogo cruzado.
Para tudo há o certo e o errado
E o talvez!
Na corda bamba.
Para tudo há o bem e o mal
E o mais ou menos!
Cruzando o alvo.
Para tudo há o bom e o mau
E o mediano!
Sem pressão.

(GeraldoCunha/2019)

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Abraço mineiro


O abraço mineiro
Tem gosto de café com pão de queijo.
Acredite…
Há quem recuse café;
Há quem recuse pão de queijo.
Já aviso que é caso de se ‘ofendê’.
Só nunca vi alguém ‘recusá’ um longo abraço mineiro.

O abraço mineiro
Tem jeitinho de pode se ‘achegá’.
É aconchego no frio.
É refresco no calor.
E aí de quem se ‘recusá’!
É desfeita que não se há de ‘perduá’.
Não que eu tenha visto alguém ‘refugá’!

(GeraldoCunha/2019) (‘…’ linguagem coloquial – minerês)

Insones noites


Refém das noites vazias
E o noturno como cárcere.
Rabisco a parede da memória.

Insone albergue madrugada,
Em que o silêncio é voz
E o breu é companhia.

Atravesso os passos
E tropeço no invisível.
Arrasto o corpo leito frio.

Sucumbo ao insólito,
Reviro do avesso,
Esmurro o tempo.

Vedados os olhos
Pelo sólido escuro,
Enxergo passivo o algoz.

Suplico ao opressor.
Atormento até me render.
Vão tentativa de me libertar.

Conformado ao exílio obscuro.
Submisso à opressão.
Insano, rasgo versos mudos.

Refém das noites vazias,
Capturo os pesadelos
E me transformo no carrasco!

(GeraldoCunha/2019)

Cheiro e sabor / Ciclos da vida

(este poema é absolutamente pessoal – talvez alguém se identifique)

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2019)

O meu tamanho

Às vezes é do tamanho do mundo
Sem barreiras visíveis
Sem limites estabelecidos
Sem espaços definidos
Às vezes se abre a um vasto
De possibilidades

Às vezes sou imensidão
Às vezes sou solidão
Às vezes sou partícula
Às vezes sou multidão

Às vezes é do tamanho de bola de gude
Pode ser translúcido
Pode ser variável
Pode ser multicolorido
Às vezes luta para permanecer
No círculo riscado no chão

Às vezes sou rompante
Às vezes sou impulso
Às vezes sou derrotado
Às vezes sou campeão

Às vezes do tamanho de um buraco de fechadura
Escondo segredo
Revelo desejos
Dou asas à imaginação
Às vezes curiosidade
Pelo que pouco que não é visto

Às vezes sou mistério
Às vezes sou óbvio
Às vezes sou segredo
Às vezes sou transparente

(GeraldoCunha/2018)

Eu e meus livros

Uma relação de amor
Por todos
Que foram lidos
Que ainda serão
Que furam a fila
Por tantos
Que são divididos
Que ficam pela metade
Que estão empoeirados

Uma relação de alegria
Por todos
Que vou ganhar
Que vou revisitar
Por tantos
Que vou doar
Que me pego a folhear

Uma relação de egoísmo
Por todos
Que quero só comigo
Que leio escondido
Que insisto em não terminar
Por tantos
Que deixei de emprestar
Que esqueço de devolver
Que ainda vou resgatar

(GeraldoCunha/2018)

Prece ao desalento


(gsotou? veja Réstia de luz)///.
Ao espaço
Para o desalento
Digo que está tudo bem
E tento firme acreditar
Persisto na esperança
Não desisto do sonho
Destruído…
Construo outro

Ao tempo
Da espera
Vou dormir quase sem forças
Para tê-las no dia seguinte
Acordar e não se lembrar
Que fraquejei
E recomeçar…
Perseverando

Ao momento
De reflexão
Penso em não seguir
Se não tenho rumo certo
É perambular
Caminhar até cansar
E não conformado…
Voltar a trilhar

(GeraldoCunha/2018)