Lista de romance

Lista de romances

Olhar. A boca. Livro. Um sorriso. Calafrio. Vinho. Uma taça. Outra. Toque. De leve. Rubor. Conchinha. Flerte. Luz. De velas. Pétalas. Por do sol. E luar. O dia todo. E a noite. Uma modinha. Namoradeira. Aquelas de janela. Horizonte. O horizonte. Belo Horizonte. Brisa. Desenho na areia. Que o mar leva. Um passeio. Mãos dadas. Primeiro encontro. Bolo de casamento. Votos. Renovação dos votos. Envelhecer e morrer. Juntos.

Série poema curto – Ecos inaudíveis

Tantas vozes silenciaram.
Dentro de mim (…) o eco.
Fora emudeceram.
As palavras não foram
Nem cortadas ao meio,
Nem interrompidas,
Foram (…) silenciadas
Veladas (…) inaudíveis.

O silêncio (…) os outros
Me fizeram calar.

Absentismo

Ausente, a falta não foi sentida.
Já não pertencia àquele lugar.
Não era percebido, sentido e observado.
Mas de algum modo fazia parte daquela cena.
Clamava por atenção em seu anonimato.
Mas em silêncio ficou, esperou e observou.
Era tempo mesmo de ficar.
Não tinha para onde ir.
Não tinha com quem ir.
Sozinho, não queria estar só.
Somente não era tempo de partir.
(GeraldoCunha)

Caderno de resiliência (Poema dedicado)


Sou um caderno de emoções,
Diário de sentimentos,
Escrevo, apago e reescrevo quem sou.
Não deixo as páginas em branco.
Marco-as com as tintas da vida.
Uso todas da palheta!
Preencho com o vibrante dos tons
Os momentos de otimismo e felicidade,
Rasuro os cinzas dos meus medos,
Procurando resgatar as cores.
Envergo o pincel, mas não me sucumbo.
Com as mãos firmes, seguro o tremor,
Contenho os temores e transponho a página,
Restaurando meu passado,
Renascendo no capítulo seguinte,
Para mais um salto à frente,
Vencendo meus medos com serenidade
E colorindo de amarelo os meus dias que eram de cinzas.

(GeraldoCunha/2020)

Imenso


Imenso

Do imenso do tempo, desafio a tempestade.
No atrevimento das horas,
Engulo os raios.
Postergo a calmaria.
Sucumbo às avalanches.
No enorme deste desassossego,
O minúsculo se agiganta.

Com as mãos ordeno o tempo.
Deito-as em punhos rijos.
Dissolvo as barras do não existir.
Agarro com os dedos a vida.
Clamo ao imenso a resiliência.
Enfrento o temor dos ventos.
Faço das lágrimas chuva de esperança.

Do imenso abismo roto,
Escalo as rochas úmidas.
No escorregadio do lodo,
Agarro-me ao impossível!
Pés firmes
Supero e sigo.

(GeraldoCunha/2020)

Série poema curto- Companhia


A música
E a poesia
Não me deixam só
São os braços invisíveis
Abraços!
As mãos que acariciam
Carinhos!
As palavras que não faltam
Confortos!
Quando precisei foram companhia
Amigas!
(GeraldoCunha/2020)

Crônica de um sujeito sem rumo (vale a pena publicar de novo)


Fazia planos todas as noites, esperando começar a realizá-los logo que o dia amanhecesse. Mas o sono não vinha, se vinha era por pouco tempo, sobrava tempo para mais reflexões e mais planos eram idealizados, diante da percepção de que muito ainda podia ser feito para alterar por completo aquela vida que estava ali, por tanto anos, parada, no mesmo lugar, sabotando qualquer tentativa de fazer diferente.
Amanheceu, agora sonolento pela noite mal dormida, já não se lembra de todos os planos traçados, os poucos que se recorda pensa que podem ficar para outro dia, o sono tardio convida a ficar na cama.
Desperto, já tarde do dia, percebe que nada mudou, acordou, tomou café, ouviu a música de sempre, comeu a refeição e deitou novamente, depois de tentativas de sair daquela rotina. Já não importavam os planos traçados na noite anterior. Dentre os poucos de que ainda se recorda, para cada um, uma desculpa para começar a colocá-los em prática mais tarde.
Com a tarde indo embora e a noite querendo se mostrar, percebe-se sem rumo, nada fez, permitiu que a vida continuasse exatamente como está. Fez um lanche, comeu uma fruta e tomou um gole de café. Em frente à televisão hipnotizado e sem esperança, fazendo-se acreditar que os planos não eram para hoje e que poderiam ser colocados em prática amanhã, quando aquelas desculpas já não fizessem mais sentido e outras não pudessem ser inventadas, espera por nada, até a hora de tomar um copo de leite e deitar novamente.
A noite chegou, deitado, é hora de refazer os planos, pensar nos motivos e desculpas que impediram fossem realizados e ter esperança de que estes novos planos lhe darão um rumo diferente, mas o sono não vem.
(GeraldoCunha/2016) texto original, sem alterações ou correções.

Recheio


O melhor do queijo é a goiabada
O melhor do livro é o recheio
O melhor do pão é a manteiga
O melhor da vida é o recheio
O melhor do rio é a cachoeira
O melhor da cama é o recheio
O melhor do mar é a terra
O melhor da roupa é o recheio
O melhor da carteira é o dinheiro
O melhor do abraço é o recheio

(GeraldoCunha/2020)

Série open – Saudade quanta


De quanta saudade estamos falando?
Daquela que está à distância:
De um toque,
De um telefonema,
De um … abraço?
Daquela que não vai ter mais os braços?
Tem saudade demais para pouca ação.
Saudade falada, mais que sentida!
É saudade?
A saudade que eu reconheço hoje é aquela:
Que não se alcança,
Que não tem voz,
Que não tem…mais!
Saudade, se está ao alcance, pode ser contida, acalmada.
Aí são só saudadinhas!
Que carregam mágoas,
Que são só nostalgias.
A causa sempre é a ausência,
O sentimento de incompletude.
É o que se encontra nos dicionários,
Para o qualquer que se chame saudade!
Os poetas nem sempre se contentam:
Com estas distâncias,
Com estas definições,
Com estas quantidades.
Querem o imensurável!
Saudade não tem medida certa,
Não se segura com barreira de contenção,
Quando é, é avalanche!
Sempre penso se saudade é quanta..
Penso…pois minha saudade:
Não tem alcance,
Não tem o cheiro,
Não permite o encontro!
No tanto mais que eu quero, nem pouco mais posso ter.
Moral da história…
Se ainda se tem saudade que possa ser medida:
Ou não é saudade,
Ou são saudadinhas, que podem ser encurtadas.
Antes de se tornarem saudade.
(GeraldoCunha/2020)

NOS PASSOS E BRAÇOS DA POESIA – desafio poético …ENTÃO FLUTUE


Dançam os cabelos ao vento,
Escondendo o rosto que esconde o sorriso.
A valsa dos ventos e versos.
As folhas roçando os galhos em sinfonia.
Um poema que se vai construindo.

Dançam as folhas secas ao vento,
Flutuam meigas pelo ar.
Tocam a pele leve …. leve… leve,
Prendem nos cabelos que enfeitam,
Como as palavras que se abraçam em poesia.

Dançam os pássaros, enquanto assobiam a melodia.
Valsam entre os cabelos que voam,
Cobrem o rosto que já não esconde o sorriso.
Passos que flutuam, asas que valsam.
Braços que se enlaçam em versos.

(Um delicioso desafio de escrita proposto pelo poeta mineiro Estevan, do blog Sabedoria do Amor, https://estevamweb.wordpress.com/, um amigo escritor, de elevada cultura e conhecimento, que sempre com muito carinho prestigia a minha escrita simples e que transforma em poesias belíssimas suas experiências e as questões sociais atuais, nos chamando à reflexão)
A partir do poema Deixe-se levar” foi-se nascendo este poema “Então flutue” e a poesia Nos passos e braços da poesia deste ilustre poeta mineiro.
São só agradecimentos…

Série poema curto- Vai deixar passar


Poderia ser uma pergunta.
Poderia ser uma afirmação.
Poderia ser uma interjeição.
Mas é só uma frase sem futuro,
Pois quando perceber foi tarde demais…
Passou!
(GeraldoCunha/2020)

Lábios secos


Com os lábios secos
As primeiras palavras não saem
A boca presa à garganta cala
As palavras exiladas percorrem o corpo
E derramam pelas mãos trêmulas
Em rabiscos generosos se libertam
Nutrem o corpo
Umedecem a língua
Que passeia entre os lábios
Antes secos
Agora umedecidos
Deixando escapar a última que falta ao poema
Mas que o poeta em um assombro de egoísmo
Guarda para si
Ou para outro poema

(GeraldoCunha/2020)

Gostou? Tem mais este poema Entrelinhas

Série experimentações- Deixe-se levar


Vamos, é a nossa música!
Nós não temos uma música.
Agora temos.
Não sei dançar.
Siga meus pés.
E se eu pisar nos seus?
Eu te carrego pelo salão.
(Um respiro)
Deixe-se levar aos rodopios.
Posso cair.
Eu te seguro no segundo antes do chão.
Mas…
(O corpos se entrelaçam mais forte)
Não tenha medo, entregue-se.
Não tenho.
(Sussurros ao ouvido)
Então feche os olhos.
Já estavam fechados.
Os meus também.
(Suspiros)
(Rodopios)
(Mais rodopios)
(Pausa)
A música parou de tocar.
Mesmo? Não percebi.
Faz mais de uma hora.
Não escutei o tempo parar.
Não abra os olhos.
Deixe-se levar.

(GeraldoCunha/2020)

Recomendo a leitura do poema Nos passos e braços da poesia do amigo poeta mineiro Estevan MATIAZZ do blog Sabedoria do Amor, que surgiu de um delicioso desafio poético.

Série poema curto – Paradoxo


Não ontem
Não mais cedo
Agora
Sou
Uma
Peça
Mínima
Nesta engrenagem
Substituível
Não daqui a pouco
Não amanhã
Agora
Olho
Para
Os lados
Só vejo
As cinzas
Uma semente
Terra
Água

(GeraldoCunha/2020)

Estatística (vale a pena publicar de novo)


Para muitos sou apenas estatística.
Faço parte daquele grupo de 10% de alguma coisa.
Estou entre os que contribuem com 30% para alguma coisa.
Pertenço a uma categoria que corresponde a 80% de alguma coisa.

Para muitos sou apenas o que diz minha ficha técnica.
Não tenho nome, apenas um número que me identifica e me difere.
Não tenho sobrenome, apenas um diagnóstico do que estou sentindo.
Não tenho codinome, apenas um receituário que não tem rosto.

Para muitos sou apenas mais um.
Que anda pelas calçadas forçando o desvio.
Que apressadamente ocupa a única cadeira desocupada.
Que inadvertidamente lança um olhar que intimida.

Para muitos sou apenas um gráfico.
Numa escala de um a cem, sou qualquer número.
Entre duas linhas, vertical e horizontal, estou para mais ou para menos.
Numa reta, oscilo entre altos e baixos.

Para muitos sou apenas estatística.
Para mim sou corpo e mente.
Para muitos sou apenas ficha técnica.
Para mim sou nome e sobrenome.

Para muitos sou apenas mais um.
Para mim sou um a mais.
Para muitos sou apenas um gráfico.
Para mim sou representatividade.

(GeraldoCunha/2017)

Entrelinhas


É o que não foi dito
Entre o começo até o ponto final
Reticências
Frases que evaporaram
Secaram a tinta antes da impressão
Branco, branco, branco
Borrado pensamento

É o silêncio interpretado
Não compreendido
Não compreendido
Interjeição
Que precisa ser explicado
Precisa ser explicado
Interrogação
Entremeio de ausência
Espaço de alucinações

É o espaço do aposto
Em branco
Entre vírgulas
O vazio
E não se entende nada
Não se pede explanação
Fica o não dito pelo dito

É todo o pensar contido
Interrompido
O silêncio das palavras
Um livro de entrelinhas
Entre as linhas o nada
E tantos intérpretes
Sem exclamação

(GeraldoCunha/2020)

Personagens de nós mesmos


Eu sou assim!
Foi o que Eu disse.
E todos partiram!
Tentei ser outro Eu,
Para que viessem, voltassem.
Vieram, voltaram alguns… por um tempo.
Mas não queriam este Eu,
Quereriam o outro Eu antes rejeitado.
E Eu notei…
Nunca fui outro.
Aí percebi o quanto sou injusto comigo.
Não sou Eu, são os outros.
Não compreenderam a essência do personagem.
É um alivio, um alento.
E só posso pensar:
Está tudo certo, como deve ser.
É como fechar um livro e abrir outro.

(GeraldoCunha/2020)

Séries experimentações: A resposta


De qual poesia você mais gostou?
– aquela que você ainda não escreveu.
Como assim?
– assim mesmo, aquela que está por vir, que faz você vibrar a cada palavra escrita e eu posso daqui ver os seus olhos brilharem, sentir o calor do sorriso acanhado do lado esquerdo da sua boca. É tímido e lindo. E você nem me percebe, ali no outro canto, a abraçar uma xícara de chá, envolver-me em uma manta a espantar o frio a te admirar.
E eu respondo:
– Percebo, pois você é minha inspiração.
E você responde:
– e você é minha poesia.

(GeraldoCunha/2020)

Esmago


Esmago o grão com as mãos,
O cheiro de terra perfuma o ar…
De memórias!
Do mato!
Do rio!
Da chuva!
Uma fazenda,
Uma cachoeira,
Um cachorro latindo.
Um grão,
A terra,
O cheiro,
Um esmago,
O mundo!

(GeraldoCunha/2020)

Série elos – Amor virtual

Eu daqui, atravesso a tela
E digo dos nossos beijos distantes,
Ausentes dos toques dos lábios.
Mas nosso amor está mais próximo
Das palavras compartilhadas, tecladas, expondo e envolvendo nossos sentidos, nossos sentimentos;
Dos olhares que se encontram refletidos, qual espelho, e se amam intensamente, mais e mais.
Mesmo sendo através do toque do Touch na tela,
Nosso amor resiste e inside por entre os íons e ondas magnéticas do nosso computador.
Porquê, embora sem ainda termos nos tocado e nos encontrado pessoalmente o amor aconteceu!
Como dizem os poetas, quem ama, ama com o coração e ama mesmo e apesar da distância!
Contigo as minhas noites ficam prazerosamente mais longas…
E os meus sonhos mais bonitos!
A “tela” não é capaz de deter o meu bem querer!
Mesmo com uma “janela aberta” de bate-papo, uma imagem na tela, um fone no ouvido, não me bastam pra matar a saudade, a vontade de me conectar a você total e demoradamente … “Amor Virtual!”

este poema é uma parceria entre
@meus_eseus_escritos_ne &
@divagacoes.gcc.geraldocunha