O meu tamanho

Às vezes é do tamanho do mundo
Sem barreiras visíveis
Sem limites estabelecidos
Sem espaços definidos
Às vezes se abre a um vasto
De possibilidades

Às vezes sou imensidão
Às vezes sou solidão
Às vezes sou partícula
Às vezes sou multidão

Às vezes é do tamanho de bola de gude
Pode ser translúcido
Pode ser variável
Pode ser multicolorido
Às vezes luta para permanecer
No círculo riscado no chão

Às vezes sou rompante
Às vezes sou impulso
Às vezes sou derrotado
Às vezes sou campeão

Às vezes do tamanho de um buraco de fechadura
Escondo segredo
Revelo desejos
Dou asas à imaginação
Às vezes curiosidade
Pelo que pouco que não é visto

Às vezes sou mistério
Às vezes sou óbvio
Às vezes sou segredo
Às vezes sou transparente

(GeraldoCunha/2018)

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Eu e meus livros

Uma relação de amor
Por todos
Que foram lidos
Que ainda serão
Que furam a fila
Por tantos
Que são divididos
Que ficam pela metade
Que estão empoeirados

Uma relação de alegria
Por todos
Que vou ganhar
Que vou revisitar
Por tantos
Que vou doar
Que me pego a folhear

Uma relação de egoísmo
Por todos
Que quero só comigo
Que leio escondido
Que insisto em não terminar
Por tantos
Que deixei de emprestar
Que esqueço de devolver
Que ainda vou resgatar

(GeraldoCunha/2018)

Prece ao desalento


(gsotou? veja Réstia de luz)///.
Ao espaço
Para o desalento
Digo que está tudo bem
E tento firme acreditar
Persisto na esperança
Não desisto do sonho
Destruído…
Construo outro

Ao tempo
Da espera
Vou dormir quase sem forças
Para tê-las no dia seguinte
Acordar e não se lembrar
Que fraquejei
E recomeçar…
Perseverando

Ao momento
De reflexão
Penso em não seguir
Se não tenho rumo certo
É perambular
Caminhar até cansar
E não conformado…
Voltar a trilhar

(GeraldoCunha/2018)

Mensagem para todos os dias

Hoje quero que o dia seja o mais feliz de todos.
Hoje quero tristeza para menos e alegria para mais.

Hoje é o dia mais especial de todos.
Hoje não é passado nem futuro.

Hoje é um presente.
Hoje é celebração.

(GeraldoCunha/2017)

Escolhas (pergunta e resposta sempre em construção)


É possível conviver com nossas escolhas, sejam boas ou ruins.
Pergunta ou resposta?

Muitas vezes me fiz esta pergunta, outras tantas já fui respondido, mas houve aquelas em que o silêncio imperava.
Depois de fazer algumas boas escolhas e outras tantas ruins, agora sentindo o peso de cada uma delas e reflexos que geraram, ponho-me a refletir.
Aquelas que consideramos boas escolhas são imediatamente incorporadas, sem nenhuma dificuldade, não importa o quanto de resistência seja imposta.

Porém, o processo de convivência com as escolhas não tão boas assim, ou ruins mesmo, é mais tormentoso é doloroso.
Mas há quem faça a indagação – Se é uma escolha, por qual razão optar por alguma que seja ruim? 

A resposta que tenho hoje é simples – Porque sim. Sim, às vezes fazemos escolhas ruins conscientemente, mesmo sabendo que vão machucar, trazer angústia e causar medo.
Há quem diga que estas escolhas, por serem ruins, não são conscientes, não acredito. Escolhas não tão boas assim trazem consigo o desafio de provar o contrário, mesmo sabendo do grande risco que corremos e das poucas chances de sucesso.

Não podemos negar, somos, em boa parte, especialistas em escolhas ruins. Aliás, somos induzidos a dar mais valor e importância a estas escolhas. Então, conviver com estas escolhas, até que possam ser abandonadas, é o desafio.

Só não podemos nos acostumar com tais escolhas e resignados deixar de acreditar que tudo pode ser diferente, ainda que, neste exato momento, tenha optado, mais uma vez por uma escolha ruim, qual seja, a de acreditar que não há mais esperança e espaço para coisas boas. 
(GeraldoCunha/2017)

Prisioneiro

Prisioneiro dos meus desejos.
Escravo das minhas convicções.
Soterrado por ideologias.
Sufocado por rancores.
Paralisado fiquei.

Serrando grades.
Rompendo correntes.
Emergindo para o novo.
Respirando perdão.
Ensaio um movimento.

Liberto, não sei por onde ir.
Sem rumo, não quero voltar.
Angustiado, tento resistir.
Consciente, não caibo naquele espaço.
Convicto, tenho esperança.

Deixo pelo caminho correntes.
Leve, não sinto mais seu peso.
Sereno, não sinto mais aquela dor.
Estranho, não me reconheço mais.
Resoluto, não olho para trás.

Relutante, controlo os desejos.
Equilibrado, pondero convicções.
Sábio, revejo ideais.
Livre, resisto ao desapego.
Sem correntes e grades, hoje sou prisioneiro da liberdade.

(GeraldoCunha/2017)

Jogo do tempo

Hoje eu não quero fazer mais nada, a não ser olhar o tempo.
E já faço muito, pois é tarefa por demais árdua.
Entro num jogo que quase sempre perco.
Olhar o tempo requer pensar no que foi, no que é e como será.
Ufa! Só de pensar canso.
Mas não desisto.
O não fazer nada é um engano, embaralhamento das ideias.
Eu sei, mas quero jogar.
O tempo se mistura, o que foi, parece ainda ser e talvez nunca será.
Não, não e não.
Não quero pensar e por isso fico só a olhar o tempo.
Penso não fazer nada, mas faço.
Penso, é isso!
Como esvaziar a mente se penso?
No foi, no é, no agora?.
Mas tudo é hoje, fagulha de tempo, quando se vê, veio e foi.
Então apenas é e fico a olhar o tempo, enquanto não faço nada.
Estou enganando a quem? A mim talvez.
Só não engano o tempo, que no meio do nada, neste jogo, me lembra o que fiz, quem eu sou e como gostaria que fosse.
Nessa de não fazer nada, acabo fazendo mais do que deveria.
Jogo com o tempo e ele quase sempre ganha, pois tem nas mãos o que foi, o que é e como será.
Nessa de olhar o tempo, entro em um jogo de cartas marcadas em que tenho a meu favor apenas o fator surpresa. Algumas vezes ganho, em muitas perco, mas continuo. E eu que não queria fazer nada e só olhar o tempo ?!

(GeraldoCunha/2017)