Série cotidianos- melodiosa

a chuva avançou pela janela

entreaberta o som do zinco se [banhando ecoava

melodiosa escorria pelo telhado

suave harmoniosa cadenciada

os pássaros recolhidos não me acordaram

é sábado domingo feriado não sei

eu recolhido embalado

[no tempo do agora

este som do vento frio que assusta os sentidos

convite para ficar no corpo adormecido

desejo de arrastar a cortina e flutuar na brisa

invadir o espaço que é dela

[a chuva

vestir de sua transparência

pentear seus fios que escorrem dos cabelos

sentir os gelados dos pés

pisando nas poças

ou só ficar nos ouvidos

os olhos cerrados

entoando as notas musicais

(GeraldoCunha/2021)

Série de improviso – cais

Improváveis- livro de poemas EM BREVE

Série cotidianos- replantio

De uma estação
à outra,
folhas nascem, crescem, secam, caem e as flores espalham o pólen;
à outra,
os galhos finos, engrossam, envergam, escurecem, cascam e descascam… secam a seiva e desabrigam as folhas;
à outra,
os pássaros, vermelhos, cinzas, todas as cores, cantantes, papagaios e … os beija-flores… meus encantamentos; besouros e mais insetos, morcegos, todos não serão mais, além do seu tempo;
à outra;
o sol mais quente, sem as águas certeiras, sem março, junho, setembro, dezembro nos desajustes, nos desencontros, nas inobservâncias do insubstituível.
Um dia esta árvore em poema restará, não estará mais aqui, nos não estaremos, naturalmente;
à rua restará os concretos, asfaltos, carros, as estações e um canteiro ao replantio.

(GeraldoCunha/2021)

Série agora desenhos – tropical

Série surtados – hibernação

Série distopia – distúrbios

Série uma saudade – episódio 3

Origami de bonsai no haicai

Pegadas

Poemas são como pegadas,
Vão ficando pelo caminho,
Por onde tantos passam,
Se dispondo em compasso,
Se dissipando com o vento!

Palavras são como o vento,
Invadem os espaços vazios,
Suspiram janelas entreabertas,
Enchem de poeira o papel,
E se transformam em versos!

Poemas são nossas digitais
Estampadas na escrivaninha,
Dando formas às palavras,
Desenhando sentimentos,
Direcionando nossas pegadas!

Palavras são estes traços,
Que feito nossas pegadas,
Unem-se para contar,
Qual poema desenhado,
Excertos de nossas verdades.

(GeraldoCunha/2021)

O que aprendi

A tomar chá quente.
Que quem se preocupa liga.
A entender que a solidão não é só minha.
Que não sou só eu quem precisa dar o primeiro passo.
A não levar as mãos no nariz.
Que quem tem ambição continuará tendo ambição.
A lembrar de regar as plantas.
Que quem é solidário ainda é mais solidário quando é preciso ser solidário.
A não acumular porque vai ter que limpar.
Que quando alguém ausente diz “você está guardado no meu coração” é porque perdeu a chave.
A ocupar os espaço vazios.
Que os alienados continuarão alienados ou mais.
A deixar o acaso dizer a que veio.
Que as maiores distâncias podem ser percorridas em um passo.
A não ter pressa ou pensar que tinha.

(GeraldoCunha)

Série agora desenhos: florais – brotados

(parte 1 – rascunhando)
✏️
Desenho à mão livre com lápis de cor

Série sentimental – cheiro e sabor / ciclos da vida

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2021)

Série listas – É suspiro É saudade

Alegria triste
Riso bobo
Coceira no coração
Frio na espinha
Cheiro bom
Areia no olho
Olhar no nada
Ir querendo ficar
Canção mordida
Abraço vazio
Toque no invisível
Infinito invadido
O mar sem praia

(GeraldoCunha/2021)

Série reciclos- Penas

duras penas
se arrancam
no tempo
não sangram
consomem-se em arte
voejam

assopram
o vento coça o nariz
plúmulas
descansam
sobre planadas
cerdas
aguçam os sentidos

pena
sinto
dos
que
sangram
e não sentem

(GeraldoCunha/2021)

Poema coletivo – Janelas & Paisagens (tudo junto e misturado)

Enquanto flores refletem o espelho,
Rústicos traços riscam.
Da janela vejo a riqueza do tempo,
Celeste infinito descerra.
Vejo o azul que desvela,
Pandêmica tarde revela,
A lua vai nascer.
Olho pela janela,
A luz ilumina a bancada,
O medo se perde na paisagem
Do belo e do perfeito.
Todo o mundo fica feliz!
Bateu isso na cabeça …
Velhos umbrais
Arrastam paisagens,
Paineira pintada em aquarela!
A vida pulsante é mais que existir no mundo.
Os animais vão dormir à espera do acordar para outro dia começar.
A criança,
O adulto,
Brincam de versos.
Os pássaros,
Ao buscarem alimento na janela
Alimentam estas almas poéticas.

Criação coletiva de @mcmistturacriativa (Michele Cruz), @vicendron (Virgínia Carvalho), @dudinhaborbacunha (Maria Eduarda), @estevammatiazzi (Estevam Matiazzi), Fernando (do blog Chrosnofer), @divagacoesgcc.geraldocunha (GeraldoCunha), a partir do poema de mesmo título das Séries elos e agora desenhos.

Ficam os agradecimentos a todos.

Séries elos & agora desenhos – Janelas e paisagens

Obrigado a todos que participaram do poema elos.

Poemas de: @mcmistturacriativa (Michele Cruz), @vicendron (Virgínia Carvalho), @dudinhaborbacunha (Maria Eduarda), @estevammatiazzi (Estevam Matiazzi do blog @sabedoriadoamor), Fernando (do blog http://Chrosnofer2.WordPress.com @Chrosnofer2.WordPress.com), @divagacoesgcc.geraldocunha (GeraldoCunha).

Ilustrações: GeraldoCunha

Série títulos longos – Desbotadas cores vivas pululantes preenchem o papel invadem vida expulsam os tons pastéis para as bordas

tons pastéis
nas bordas
traçados espaços
definindo limites
régua prisional

tremer das mãos
desafiando os contornos
rompimento

lápis
carrega a cor
salta
para o papel
preenche pontilhados
em miúdos círculos
concêntricos
marejados

em algum momento
as cores
Escapam da tela
tonificam a pele
reverberando vida

GeraldoCunha/2021

Série elos – Algumas distâncias são necessárias

Do olhar no horizonte
necessário descanso dos olhos
ao calmo do mar.
Percurso das ondas
Ditando o rumo do vento,
Que chega lento à face,
Em forma de brisa!

A estrada que se alonga sem curvas,
Leva o olhar para o horizonte,
Repetindo e repetindo a paisagem,
Esquecendo os zunidos de volantes afoitos,
Abafando as ofegantes buzinas que se perdem.

A árvore que se observa por sob,
No afastado da mata,
No silêncio longo das folhas,
Que se rompe ao sopro,
Afugentando os pássaros,
Que partem em debandadas asas.

Olhos que se prendem ao livro,
Perseguindo as mesmas palavras,
Em demoradas horas.
Esquecidas páginas.
No breve cochilo,
Escapam das mãos,
Devolvendo o pensamento à razão.

Música que se perde nos ouvidos,
à exaustão dos agrados intermináveis dos acordes,
Na penumbra calma da noite a engolir o dia,
Cobrindo com sonhos os ruidosos noturnos.

Título cedido por Alex konrado
TextoEarte GeraldoCunha

Série dedicados – No sopro do tempo

Tudo se modificando tão depressa
No lentamente do tempo
Os anos passam
Um sobre o outro
Entre rosas e bolos
Se acendem
E se apagam
Ao sopro da vela
Rajada de vida
Ventos de sonhos
Desejos em ebulição
Um mundo novo por colorir
Com as cores de sua escolha
Refletindo suas realizações

GeraldoCunha/2021

Dedicado a Gabriela Borges, afilhada querida, pelo seu aniversário.

Presenteamos com que temos de melhor.