Credite-se


Acredita
Que é feliz
Que tudo passa
Que dias melhores virão
Que isto não é ilusão
Que nada fica
Que é vida

Acredita
Se decidiu ir
Pode também voltar
Para sempre só a morte
Pode também ficar
Não é desistir
É escolha

Acredita
Nos sonhos
Nos projetos de vida
Nas promessas de amor
Que nos alimentam
Que impulsionam
Que inspiram

(GeraldoCunha/2019)

Café da manhã


(@divagacoesgcc.geraldocunha – mais um canal de interação)

Derrame a xícara com fel na pia
E nos sirva um café coado na hora
Ponha uma colher de mel para adoçar
Duas gotas de chocolate para meu bem estar
Sente ao meu lado e vamos degustar
A manhã que se inicia
A notícia que não é novidade
Que o amargor escorra pelo ralo
E os aromas nos envolvam as narinas
E que o dia comece assim
Sem mágoas
Sem rancores
Só amores
Uma tela em branco
Pronta para ser pintada

(GeraldoCunha/2019)

Cores

Gosto das cores.
Amarelo vibrante
E dos tons pastéis,
Gosto de pastel!
Vermelho fogo
E a frieza do cinza.
Gosto da brasa!
Azul celeste
E do azul mar.
Que é verde!
Que é azul!
Sei lá.
Gosto do mar!
E dos corais,
São todas as cores.
E do sem cor,
Que também é cor
E mata a sede!

(GeraldoCunha/2019)

Poema aos Pais


(Não é usual eu fazer poemas de datas comemorativas, mas meu coração pediu e a ele não sei dizer não)

Ah, Pai.
Este olhar de preocupação…Eu sei!
Quando se recebe uma encomenda especial que não vem com manual de instrução:
É carinho, cuidado…proteção.

Ah, Pai.
Este semblante calmo…Eu sei!
Quando quer apresentar o mundo aos poucos, mas como é:
É disfarce para as tristezas que, inevitáveis, virão.

Ah, Pai.
Este sorriso desconfiado…Eu sei!
Quando a alternativa é deixar partir:
É resistência em entregar ao mundo quem tanto protegeu.

Ah, Pai.
Este ar de satisfação…Eu sei!
Quando olha para a frente e vê quem construiu:
É certeza de dever cumprido, medida exata da felicidade.

Parabéns àquele que verdadeiramente honra ser chamado: Pai, Papai, Paizinho, Papito, Painho…Eu sei!
Conheço muitos.

(Homenagem póstuma ao meu Pai)

Declamação


Amar intensamente
Amar por mim
Amar a mim
Amar
Sem limites

Amar intencionalmente
Amar por você
Amar você
Amar
Sem amarras

Amar insistentemente
Amar por nós
Amar-nos
Amar
Sem imposição

(GeraldoCunha/2019)

Cheiro e sabor / Ciclos da vida

(este poema é absolutamente pessoal – talvez alguém se identifique)

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2019)

Mãos de afeto


Toque suave nos cabelos
Negros fios a tocar a pele
Seda a escorrer entre os dedos
Cuidado nos prazeres

Mãos de afeto a deslizarem
Envolvendo de amor a face
Calor perfumado que protege
Percorrendo os sentidos

Toque preciso das mãos
Envolvendo a massa
Adoçando os paladares
Servindo aos sabores

Mãos tocadas em oração
Professando a fé
Suplicando uma graça
Agradecendo por devoção

(GeraldoCunha/2019)

Reflexo


Gosto desta imagem aí do espelho.
Jovem! brincando com suas rugas.
Vaidosa! se escondendo dos cabelos brancos.
Atrevida! meio a caras e bocas.
Dissimulada! escondendo partes.
Envergonhada! disfarçando os medos.

Este reflexo que observa
E no silêncio, mudo diz tanto do que reflete.
Este reflexo que se observa
Não pela perspectiva do outro,
Mas do que propriamente construiu.

Gosto deste reflexo aí do espelho.
Revelador das cicatrizes disfarçadas.
Desnudo das inibições cotidianas.
Observador nos detalhes mínimos.
Honesto na medida exata.
Denunciador mesmo do tempo.

Esta imagem às vezes distorcida.
São os percalços da vida…inevitáveis.
Esta imagem às vezes embaçada.
São as angústias da alma…inquietudes.
Este Eu que se esconde e se mostra!

(GeraldoCunha/2019)

Poema da saudade


É como vir à terra como anjo
E ter as asas arrancadas
É não poder regressar
E ficar sem ter sentido

É querer muito e não alcançar
E ter a certeza do nunca
É querer se agarrar ao pouco
E não ter onde segurar

É lutar para não esquecer
E ter as lembranças embaçadas
É sofrer com a ausência
E achar na dor esperança

(GeraldoCunha/2019)

Imagem: Inhotim/Brumadinho-MG

Saudade alucina

Hoje eu acordei com saudade de você,
Saudade é companhia na ausência.
Os cantos deste apartamento são vazios,
Espaços que não podem ser preenchidos,
Sombras que me lembram de você!

Hoje não tem lugar aqui que me caiba,
Saudade é amor que foi interrompido.
Você não está e ao mesmo tempo me ocupa tanto,
As paredes são telas gigantes,
Projetam sua imagem.

Hoje eu quero conversar com a saudade,
Saudade é alento em noites frias.
O que nos aquece como manto protetor,
O que nos alimenta para seguir, sem ter que esquecer,
Que no escuro deste apartamento de novo amanheço!

(GeraldoCunha/2019)

Meu olhar


(Em dezembro/2016 publiquei IMPURO E VIRTUOSO)///…
Se olho para trás é para aprender com meus erros e me alegrar pelos meus acertos,
Meu trunfo é esta história que escrevi,
Com tantos rabiscos, páginas rasuradas e reticências.
Em meu olhar o reflexo de quem sou!

Se olho para o lado é para saber com quem ando e escolher a quem dar a mão.
Meu maior orgulho é ter feito escolhas certas entre tantos equívocos,
Sem que nunca me tivesse faltado uma palavra de apoio.
Em meu olhar o espelho das minhas escolhas!

Se olho para a frente é para não perder o foco e ter um motivo para não querer voltar.
Não dá para insistir em voltar as páginas da vida,
Pois quando uma mão se perde no caminho outra logo se estende.
Em meu olhar a imagem do que construí!

(GeraldoCunha/2018)

Um amor


(Gostou? veja também A canção)///.

Um
Amor
Guardado

Para
Não
Ser
Revelado

Um
Amor
Engavetado

Para
Não
Ser
Encorajado

Um
Amor
Trancado

Para
Não
Ser
Invadido

Um
Amor
Escondido

Para
Não
Ser
Desafiado

Um
Amor
Desolado

Para
Não
Ser
Correspondido

Um
Amor
Que
Precisa
Ser
Compartilhado

(GeraldoCunha/2018)

Eu e meus livros

Uma relação de amor
Por todos
Que foram lidos
Que ainda serão
Que furam a fila
Por tantos
Que são divididos
Que ficam pela metade
Que estão empoeirados

Uma relação de alegria
Por todos
Que vou ganhar
Que vou revisitar
Por tantos
Que vou doar
Que me pego a folhear

Uma relação de egoísmo
Por todos
Que quero só comigo
Que leio escondido
Que insisto em não terminar
Por tantos
Que deixei de emprestar
Que esqueço de devolver
Que ainda vou resgatar

(GeraldoCunha/2018)

Prece ao desalento


(gsotou? veja Réstia de luz)///.
Ao espaço
Para o desalento
Digo que está tudo bem
E tento firme acreditar
Persisto na esperança
Não desisto do sonho
Destruído…
Construo outro

Ao tempo
Da espera
Vou dormir quase sem forças
Para tê-las no dia seguinte
Acordar e não se lembrar
Que fraquejei
E recomeçar…
Perseverando

Ao momento
De reflexão
Penso em não seguir
Se não tenho rumo certo
É perambular
Caminhar até cansar
E não conformado…
Voltar a trilhar

(GeraldoCunha/2018)