Caderno de resiliência (Poema dedicado)


Sou um caderno de emoções,
Diário de sentimentos,
Escrevo, apago e reescrevo quem sou.
Não deixo as páginas em branco.
Marco-as com as tintas da vida.
Uso todas da palheta!
Preencho com o vibrante dos tons
Os momentos de otimismo e felicidade,
Rasuro os cinzas dos meus medos,
Procurando resgatar as cores.
Envergo o pincel, mas não me sucumbo.
Com as mãos firmes, seguro o tremor,
Contenho os temores e transponho a página,
Restaurando meu passado,
Renascendo no capítulo seguinte,
Para mais um salto à frente,
Vencendo meus medos com serenidade
E colorindo de amarelo os meus dias que eram de cinzas.

(GeraldoCunha/2020)

NOS PASSOS E BRAÇOS DA POESIA – desafio poético …ENTÃO FLUTUE


Dançam os cabelos ao vento,
Escondendo o rosto que esconde o sorriso.
A valsa dos ventos e versos.
As folhas roçando os galhos em sinfonia.
Um poema que se vai construindo.

Dançam as folhas secas ao vento,
Flutuam meigas pelo ar.
Tocam a pele leve …. leve… leve,
Prendem nos cabelos que enfeitam,
Como as palavras que se abraçam em poesia.

Dançam os pássaros, enquanto assobiam a melodia.
Valsam entre os cabelos que voam,
Cobrem o rosto que já não esconde o sorriso.
Passos que flutuam, asas que valsam.
Braços que se enlaçam em versos.

(Um delicioso desafio de escrita proposto pelo poeta mineiro Estevan, do blog Sabedoria do Amor, https://estevamweb.wordpress.com/, um amigo escritor, de elevada cultura e conhecimento, que sempre com muito carinho prestigia a minha escrita simples e que transforma em poesias belíssimas suas experiências e as questões sociais atuais, nos chamando à reflexão)
A partir do poema Deixe-se levar” foi-se nascendo este poema “Então flutue” e a poesia Nos passos e braços da poesia deste ilustre poeta mineiro.
São só agradecimentos…

Série poema curto- Vai deixar passar


Poderia ser uma pergunta.
Poderia ser uma afirmação.
Poderia ser uma interjeição.
Mas é só uma frase sem futuro,
Pois quando perceber foi tarde demais…
Passou!
(GeraldoCunha/2020)

Enquanto isso…


Coelhinho da Páscoa não bota ovo
Só esconde os ovos no jardim
E é verdade que são de chocolate
E eu não gosto é do recheio e de Natal

Papai Noel não desce pela lareira
Vem pela porta da frente
Deposita o presente sob a cama
Eu não vi pois estava sonhando

Sonhando com os duendes
Mas eles não vivem nas florestas
Habitam o pote de doces na cozinha
Foi um quem me contou

E eu guardo seu segredo
Em troca de guloseimas
Que a fada dos dentes não me veja
Ou me manda para a terra dos gigantes

E continua …na terra do nunca!

(GeraldoCunha/2020)

Sem título


Estive escondido pela vida,
Que quando ressurgi assustei
Aos outros,
A mim.
Quando olhei para trás
E a porta se fechou,
Não tinha como voltar,
Como me esconder.
E já não era o que eu queria.
A cada passo uma luz se acende,
Tremula,
Pisca fraca e vai se fortalecendo.
Sigo, desafiando os que dizem:
– não pode!
– não é capaz!

(Sempre quis fazer um poema sem
Título)

GeraldoCunha

Viagem ao espaço tempo


Viajar é se permitir.
Estar aberto para novas experiências.
Voe sem amarras.
Esqueça as malas.
Você sem asas.
Rasgue as roupas e saia.
De saia dance em ondas.
Veleja o ar.
Embarque no vento.
Rasgue o bilhete e ande.
Sinta o cheiro da terra com os pés descalços.
Peça carona e deixe ir.
Mude a rota e conheça o mar.
Não se vive só de cachoeiras.
Não se sobrevive só de asfalto.
Recolha a chuva e beba.
Com os restos que escorrem se lave.
Seque ao sol.
Ou revire na areia da praia e tome banho de mar.
Tempere a pele.
Salgue os cabelos.
Agarre a crina do cavalo pelo pescoço ou cauda.
Cavalgue o tempo.
Recoste sob a sombra de uma paineira, sobre a grama molhada.
Cubra-se com suas flores.
Sonhe.
Sonhar é viajar.
Conhecer o outro lado por dentro.
O inconsciente.

(GeraldoCunha/2020)

Sempre em ti


O tom da voz
Sussurrando silêncio
Envolve-me
Encanta-me
Seduz-me
Sou em ti

O cheiro que exala
Do sem perfume
Enlaça-me
Confunde-me
Penetra-me
Estou em ti

O sabor da pele
Sentida ao toque
Alimenta-me
Completa-me
Aquece-me
Mergulho em ti

O brilho dos olhos
Que se querem abertos
Ruboriza-me
Hipnotiza-me
Percorre-me
Sempre em ti

(GeraldoCunha/2020)

Estranhos poemas


Tudo que não disse com palavras,
Mas deixou escapar pelo olhar.
O espaço entre as minhas mãos e os seus cabelos.
A fumaça que escapa da xícara, atravessa as narinas e dissipa.
As letras escapando entre os dedos.
A folha que se desprende do galho e pousa suave sobre a página a virar.
A última frase da música ou talvez a primeira, nunca o refrão.
O atrevimento inesperado no memento tão esperado.
O soco, já disseram isto também. O soco!
O risco na parede, direcionado para a janela.
Janelas são poemas prontos, que se renovam todos os dias.
Tudo que pensei no segundo seguinte àquele olhar.
Nenhuma das opções acima, ou todas, exceto uma.

(GeraldoCunha/2020)

Série Títulos: Caverna do Dragão


Os infelizes vivem. Não percebem a felicidade que passa. Enquanto isso gritam e choram. Buscam uma saída sem saberem o que há do outro lado. Só querem fugir. Só querem retornar. São felizes não sabem. Acreditam que a felicidade está lá fora. Insistem na felicidade que ficou no passado. Tentam uma saída para o escape das mazelas. Sempre voltam ao começo. Vivem e não percebem a aventura. Têm medo da felicidade. Do presente e do futuro. Acreditam que ao alcançarem a felicidade serão plenitude. E morrerão tentando ou serão castigados. Não enxergam as recompensas. Seguem infelizes os viventes. Enquanto a felicidade lhes sorri. Sorri para o vazio dos que a buscam. Os infelizes acreditam que a felicidade é o amanhã. Pobres coitados.

(GeraldoCunha/2020)

Porta entreaberta


Não queria estar só.
Timidamente me recolhia,
escondendo atrás das cortinas,
espreitando as frestas das janelas.
Na iminência da proximidade,
sorrateiramente me entranhava
entre as cobertas e ficava ali,
atenciosamente,
prendendo a respiração ofegante,
esperando retornar ao conforto da minha solidão.
Novamente sozinho pensava ter
recuperado minha liberdade,
antes ameaçada,
mas logo percebia que o estar
sozinho não era liberdade
e sim solidão.
E só eu não queria estar.
Impulsivamente eu emergia
daquelas cobertas
que serviam de refúgio e,
ainda ofegante,
abria as cortinas atrás das quais me escondia,
escancarava as janelas,
deixando o ar e sol invadir aquele quarto
e, loucamente,
pedia para você voltar
pela porta entreaberta.

(GeraldoCunha/2017)

Cá fé

(Este café teve a gentil companhia de Eliana Cunha, irmã/amiga e assídua leitora 🙏🏼)

Nas manhãs
Bebida quente
Para aquecer o dia
Uns preferem café
Outros vão de chá
Há aqueles etílicos
Não os julgo
Prefiro café
Que traz fé
Para cá

(GeraldoCunha/2020)

Ciclos


Sou feito de ciclos!
Entre revoltas e conformação,
Vivo!
E disto retiro o que se tem de melhor.

Nos ciclos de revoltas,
Esbravejo o mundo,
Insisto e desisto,
Revejo conceitos,
Expurgo rancores,
Desintoxico!

Nos ciclos de conformação,
Reciclo ideias,
Acomodo pensamentos,
Resignado à ordem,
Reestruturo!

Nos intervalos,
Vivo!
Assim sou constituído,
Ora desconstrução,
Ora reconstrução,
Ser em evolução.
Um apanhado de erros,
Um bocado de acertos,
Vertigem!

(GeraldoCunha/2019)

Histórias de amizade

Como são lindas as histórias de amizade.
Carregadas de sentimentos.
Sufocadas de abraços.
Enlaçadas pela cumplicidade.
Risos, choro, lágrimas,
Choros, riso, lágrimas,
Acúmulos de amores!
Despretensiosos encontros de almas.
Ausência sentida,
Presença exigida,
Distância compreendida!
Inusitadas relações de opostos que se conectam.
Atropelo de erros e acertos
E entre idas e vindas,
A permanência …
Memória das tristezas e alegrias
Avalanche de saudade!

(GeraldoCunha/2019)

Alma gêmea


Não quero pessoas intocáveis, preciso sentir o tato, o cheiro, o sabor e escutar sussurros desassossegados.

Desavergonhadamente quero tocar, cheirar, saborear e silenciar.

Calorosamente quero o toque, o sentir, o saborear e abafar o som da sua voz.

Atrevidamente quero ser tocado, sentido, saboreado e escutado.

Calmamente quero não tatear, não cheirar, não sentir e não escutar, candidamente adormecendo em seus braços.

(GeraldoCunha)

Convite


no meu coração
terá sempre um cantinho para você,
na minha casa
sempre haverá uma xícara de café quentinho,
no meu corpo
reservarei um ombro para secar as lágrimas
no meu pensamento
buscarei as melhores lembranças
no meu abraço
guardarei as alegrias e expulsarei as tristezas
nos meus gestos
desenharei seus traços
nas minhas palavras
ouvirá afeto com sinceridade
no meu convite
a resposta é a reciprocidade

(GeraldoCunha/2019)

Credite-se


Acredita
Que é feliz
Que tudo passa
Que dias melhores virão
Que isto não é ilusão
Que nada fica
Que é vida

Acredita
Se decidiu ir
Pode também voltar
Para sempre só a morte
Pode também ficar
Não é desistir
É escolha

Acredita
Nos sonhos
Nos projetos de vida
Nas promessas de amor
Que nos alimentam
Que impulsionam
Que inspiram

(GeraldoCunha/2019)

Humana poética


A poesia
é o encontro com o Eu mais humano
A Minha direção
na realidade crua que cega
O norte
para os Meus anseios mais loucos
O porto seguro
dos Meus devaneios

O Meu corpo
é poesia exalada pelos poros
O íntimo
extrapolado das Minhas feições
O humano incondicional
que Me habita
O extravasar
das Minhas entranhas

(GeraldoCunha/2019)

Café da manhã


(@divagacoesgcc.geraldocunha – mais um canal de interação)

Derrame a xícara com fel na pia
E nos sirva um café coado na hora
Ponha uma colher de mel para adoçar
Duas gotas de chocolate para meu bem estar
Sente ao meu lado e vamos degustar
A manhã que se inicia
A notícia que não é novidade
Que o amargor escorra pelo ralo
E os aromas nos envolvam as narinas
E que o dia comece assim
Sem mágoas
Sem rancores
Só amores
Uma tela em branco
Pronta para ser pintada

(GeraldoCunha/2019)

Cores

Gosto das cores.
Amarelo vibrante
E dos tons pastéis,
Gosto de pastel!
Vermelho fogo
E a frieza do cinza.
Gosto da brasa!
Azul celeste
E do azul mar.
Que é verde!
Que é azul!
Sei lá.
Gosto do mar!
E dos corais,
São todas as cores.
E do sem cor,
Que também é cor
E mata a sede!

(GeraldoCunha/2019)

Poema aos Pais


(Não é usual eu fazer poemas de datas comemorativas, mas meu coração pediu e a ele não sei dizer não)

Ah, Pai.
Este olhar de preocupação…Eu sei!
Quando se recebe uma encomenda especial que não vem com manual de instrução:
É carinho, cuidado…proteção.

Ah, Pai.
Este semblante calmo…Eu sei!
Quando quer apresentar o mundo aos poucos, mas como é:
É disfarce para as tristezas que, inevitáveis, virão.

Ah, Pai.
Este sorriso desconfiado…Eu sei!
Quando a alternativa é deixar partir:
É resistência em entregar ao mundo quem tanto protegeu.

Ah, Pai.
Este ar de satisfação…Eu sei!
Quando olha para a frente e vê quem construiu:
É certeza de dever cumprido, medida exata da felicidade.

Parabéns àquele que verdadeiramente honra ser chamado: Pai, Papai, Paizinho, Papito, Painho…Eu sei!
Conheço muitos.

(Homenagem póstuma ao meu Pai)