Série elos – Algumas distâncias são necessárias

Do olhar no horizonte
necessário descanso dos olhos
ao calmo do mar.
Percurso das ondas
Ditando o rumo do vento,
Que chega lento à face,
Em forma de brisa!

A estrada que se alonga sem curvas,
Leva o olhar para o horizonte,
Repetindo e repetindo a paisagem,
Esquecendo os zunidos de volantes afoitos,
Abafando as ofegantes buzinas que se perdem.

A árvore que se observa por sob,
No afastado da mata,
No silêncio longo das folhas,
Que se rompe ao sopro,
Afugentando os pássaros,
Que partem em debandadas asas.

Olhos que se prendem ao livro,
Perseguindo as mesmas palavras,
Em demoradas horas.
Esquecidas páginas.
No breve cochilo,
Escapam das mãos,
Devolvendo o pensamento à razão.

Música que se perde nos ouvidos,
à exaustão dos agrados intermináveis dos acordes,
Na penumbra calma da noite a engolir o dia,
Cobrindo com sonhos os ruidosos noturnos.

Título cedido por Alex konrado
TextoEarte GeraldoCunha

Caderno de resiliência (Poema dedicado)


Sou um caderno de emoções,
Diário de sentimentos,
Escrevo, apago e reescrevo quem sou.
Não deixo as páginas em branco.
Marco-as com as tintas da vida.
Uso todas da palheta!
Preencho com o vibrante dos tons
Os momentos de otimismo e felicidade,
Rasuro os cinzas dos meus medos,
Procurando resgatar as cores.
Envergo o pincel, mas não me sucumbo.
Com as mãos firmes, seguro o tremor,
Contenho os temores e transponho a página,
Restaurando meu passado,
Renascendo no capítulo seguinte,
Para mais um salto à frente,
Vencendo meus medos com serenidade
E colorindo de amarelo os meus dias que eram de cinzas.

(GeraldoCunha/2020)

NOS PASSOS E BRAÇOS DA POESIA – desafio poético …ENTÃO FLUTUE


Dançam os cabelos ao vento,
Escondendo o rosto que esconde o sorriso.
A valsa dos ventos e versos.
As folhas roçando os galhos em sinfonia.
Um poema que se vai construindo.

Dançam as folhas secas ao vento,
Flutuam meigas pelo ar.
Tocam a pele leve …. leve… leve,
Prendem nos cabelos que enfeitam,
Como as palavras que se abraçam em poesia.

Dançam os pássaros, enquanto assobiam a melodia.
Valsam entre os cabelos que voam,
Cobrem o rosto que já não esconde o sorriso.
Passos que flutuam, asas que valsam.
Braços que se enlaçam em versos.

(Um delicioso desafio de escrita proposto pelo poeta mineiro Estevan, do blog Sabedoria do Amor, https://estevamweb.wordpress.com/, um amigo escritor, de elevada cultura e conhecimento, que sempre com muito carinho prestigia a minha escrita simples e que transforma em poesias belíssimas suas experiências e as questões sociais atuais, nos chamando à reflexão)
A partir do poema Deixe-se levar” foi-se nascendo este poema “Então flutue” e a poesia Nos passos e braços da poesia deste ilustre poeta mineiro.
São só agradecimentos…

Série poema curto- Vai deixar passar


Poderia ser uma pergunta.
Poderia ser uma afirmação.
Poderia ser uma interjeição.
Mas é só uma frase sem futuro,
Pois quando perceber foi tarde demais…
Passou!
(GeraldoCunha/2020)

Traga uma notícia boa


Invada a minha casa,
Pela porta,
Pela janela.
Grite!
De alegria.
Traga uma notícia boa!
Ocupe os espaços vazios.
Incomode o silêncio,
Incomode os vizinhos,
Que não vão se importar.
Encha de vida,
A sala,
O quarto.
A varanda.
O copo.
O corpo.
Atropele as palavras,
Troque gargalhadas,
Compartilhe risadas,
Fale! Fale! Fale!
De coisas boas
De ontem,
De hoje,
Para amanhã!

(GeraldoCunha/2020)

Estranhos poemas


Tudo que não disse com palavras,
Mas deixou escapar pelo olhar.
O espaço entre as minhas mãos e os seus cabelos.
A fumaça que escapa da xícara, atravessa as narinas e dissipa.
As letras escapando entre os dedos.
A folha que se desprende do galho e pousa suave sobre a página a virar.
A última frase da música ou talvez a primeira, nunca o refrão.
O atrevimento inesperado no memento tão esperado.
O soco, já disseram isto também. O soco!
O risco na parede, direcionado para a janela.
Janelas são poemas prontos, que se renovam todos os dias.
Tudo que pensei no segundo seguinte àquele olhar.
Nenhuma das opções acima, ou todas, exceto uma.

(GeraldoCunha/2020)

Série Elos – Caderno de emoções


Arrancaram as minhas emoções.
Quebraram as pontas dos lápis
E as tintas das canetas secaram.
O papel não segura mais as palavras!
As cores estão desbotadas.
É que já não sinto mais o amor.
As poucas emoções que me restam
Escapam entre tédio e desesperança!
Deixando espaço para a inércia.
Sem as vontades é sentir para menos
E o tempo mesmo assim não se segura.
Sou cadernos abandonados na estante.
Folhas rasuradas com lágrimas
E suor dos calafrios das noites vazias.
Emoções espalhadas entre os livros.
Sou rabiscos ilegíveis,
Pedaços de poesia esquecidos em guardanapos!
O desenho na poeira sobre a mesa.
E foi o que restou de mim!
Cadernos de emoções que não se leem.
Sentimentos arquivados à espera do amor!

Arte: Mi Cruz – do blog mcmistturacriativa.wordpress.com

Texto: GeraldoCunha