Série cotidiano – Beija-flor

Tem um beija-flor na varanda
Todos os dias vem me visitar
Pelas manhãs
No mesmo horário
Entre dez e onze horas
Chego na bancada
E logo vem
Um voo de aproximação
Uma paradinha no ar
Para logo pousar sempre no mesmo galho seco
Por segundos
E voa
O amor vai
Embora

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 85

Você percebe que o mundo não está bem quando o terapeuta vira seu paciente.

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 84


Nos fazem acreditar em coisas que não somos
E quase sempre somos nós que só acreditamos em coisas
Ser… coisa…ser
Nos … desata!
(GeraldoCunha/2020)

Série poema curto – Paradoxo


Não ontem
Não mais cedo
Agora
Sou
Uma
Peça
Mínima
Nesta engrenagem
Substituível
Não daqui a pouco
Não amanhã
Agora
Olho
Para
Os lados
Só vejo
As cinzas
Uma semente
Terra
Água

(GeraldoCunha/2020)

Série experimentações- destrutividade


Minha criatividade acabou.
Os últimos suspiros coloquei em um papel, embolei e depositei no saco preto do lixo. Rabisquei as últimas linhas dos restos que restaram do papel picado, papel de árvore plantada e destruída. Desgastei o lápis até onde o tato não podia mais alcançar e guardei como lembrança.
O grafite. Preto, sujando-se os dedos. Para mim, como um pedaço mínimo de carvão que criava, carvão de planta morta, queimada, reduzida a …carvão. Agora uma lembrança, que como todas as outras, será confundida, esquecida.

(GeraldoCunha/2020)

Sem título


Estive escondido pela vida,
Que quando ressurgi assustei
Aos outros,
A mim.
Quando olhei para trás
E a porta se fechou,
Não tinha como voltar,
Como me esconder.
E já não era o que eu queria.
A cada passo uma luz se acende,
Tremula,
Pisca fraca e vai se fortalecendo.
Sigo, desafiando os que dizem:
– não pode!
– não é capaz!

(Sempre quis fazer um poema sem
Título)

GeraldoCunha

Desbotado


Quando você partiu
E foi aos poucos,
Não imaginava
Que o silêncio tinha cor.
A tristeza tem cor desbotada e com respingos.
As lembranças foram-se manchando, perdendo os tons!
O vermelho não era mais vermelho,
O azul tomou-se de um cinza amargurado.
O amarelo, com suas nuanças, já não tinha o brilho que aquecia.
Empalideceu!
E foi assim aos poucos,
Descorando-se.
A voz já não segurava as cores.

(GeraldoCunha/2020)

Estranhos poemas


Tudo que não disse com palavras,
Mas deixou escapar pelo olhar.
O espaço entre as minhas mãos e os seus cabelos.
A fumaça que escapa da xícara, atravessa as narinas e dissipa.
As letras escapando entre os dedos.
A folha que se desprende do galho e pousa suave sobre a página a virar.
A última frase da música ou talvez a primeira, nunca o refrão.
O atrevimento inesperado no memento tão esperado.
O soco, já disseram isto também. O soco!
O risco na parede, direcionado para a janela.
Janelas são poemas prontos, que se renovam todos os dias.
Tudo que pensei no segundo seguinte àquele olhar.
Nenhuma das opções acima, ou todas, exceto uma.

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 83


Por onde passo querem curar minhas dores medicando, aplicando terapias, indicando mantras, fazendo orações, quando o que é preciso é só um abraço sincero e um ombro amigo.

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 82


Queria apagar todas as poesias.
Mas não se apaga o passado.
Nem o desejo de um futuro melhor.
É só um desalento poético do presente.

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 81


Não deixe que o silêncio e a indiferença do outro diante das suas escolhas te defina.
Se foi capaz de fazer escolhas é capaz de minar a indiferença dos outros com seu sucesso pessoal.

Dar tempo ao tempo


(Estou também no Instagram @divagacoesgcc.geraldocunha)

Hoje vou dar um tempo ao tempo
D E S L I G A R E I:
O relógio para não despertar;
O telefone para não incomodar;
A televisão para não clarear.
F E C H A R E I:
A cortina para o sol não entrar;
As caixas da mente para não pensar;
O caderno para não criar.
D E I X A R E I :
O tempo descansar …
Dos ponteiros;
Dos clarões;
Do poeta.

(GeraldoCunha/2020)

Divagação 80

Meus olhos enxergam
Mais do que a mente pode alcançar,
Tropeço nas sombras dos rancores.
Prefiro andar de olhos fechados!

(GeraldoCunha/2019)

Divagação 78

Quando aprendi a estar só, entendi o que é estar sozinho, me acostumei com a solidão e compreendi que nela pode haver felicidade, aconchego e sossego.

(GeraldoCunha/2018)

Divagação 77

Entre o certo e o errado há um infinito de possiblidades, na dúvida fique sempre no meio.

Divagação 76

Naquele momento era tudo que tínhamos, dois corpos fundindo almas em êxtase, pensamentos que se complementavam, éramos um, éramos todos, éramos universo e tudo cabia dentro de uma caixinha de música!

(GeraldoCunha/2018)

Divagação 75

Se as horas passarem lentas ou aceleradas não importa.
O que importa é aproveitar cada segundo ao seu lado.
O melhor momento é você e o agora.
É quando tudo se eterniza.

(GeraldoCunha/2018)

Divagação 74

A cada poema escrito me dispo e desnudo vou revelando minhas verdades, disfarçando minhas mentiras, confessando meus medos, penitenciando meus erros, vangloriando minhas virtudes e na transparência das palavras me visto de quem verdadeiramente sou.

(GeraldoCunha/2018)

Divagação 73

Tanto as coisas boas quanto as ruins ficam no passado que é túmulo. Não voltam, o que voltam são apenas as lembranças. Eu? Optei por lembrar só das boas e manter enterradas as ruins, ainda que algumas sejam insistentes e escapem do túmulo. 


(GeraldoCunha/2018)

Divagação 72

Helicópteros são pernilongos gigantes sobrevoando em qualquer lugar;
Aviões são grandes barcos remando sobre as nuvens permitindo voar;
Drones são olhos imensos livres e vagando no ar;
Foguetes são nossos desejos grandiosos permitindo sonhar;
E eu? Viajei e sonhei … a divagar!

(GeraldoCunha/2018)