Série sentimental- criança

Série o poeta

Série dedicadas às pessoas que amam amar a arte de escrever e ler

Gratidão!

Série uma saudade – episódio 5

Série uma saudade – episódio 4

Série uma saudade – episódio 3

Série uma saudade – episódio 2

Série uma saudade – episódio 1

Série enigmático

Reeditado- Útero

M.A.T.E.R.N.O. especial dia das Mães

[do latim maternu]
seus sinônimos

adjetivo substantivado.

afagos afetuosos
na barriga que cresce
rompido o cordão umbilical
lágrimas esquecidas das dores
no primeiro beijo melado

risos soltos ou severos
nos acalantos diários
que sobrevoam a noite
ninam choros insistentes
dengosos dos carinhos

cafuné na criança
aproveitada do colo de mãe
que renuncia aos cansaços da lida
entregando-se ao ócio maternal
advertindo [com iras disfarçadas] as bobas traquinagens

braços que acolhem
a adolescência rebelde
recolhendo as próprias angústias
curando dores alheias
lambendo a cria
tantas arredias

amor inconteste
que acompanha adulta vida
de quem vê eterna criançola
fingindo não carregar tristezas suas
doando-se por inteira
incondicionalmente

Geradora, Defensora, Mãe, Cuidadora, Madre, Protetora, Mamãe.

(GeraldoCunha/2021)

Série vale à pena ver de novo – Útero

Quero voltar para o útero de minha mãe.
De onde não queria sair.
Fui expulso!
Não tive escolha, o mundo se abriu.
E eu curioso quis ver como era.
Achei tudo hipnotizante.
Não entendi bem o que vi.
Não compreendi o que as pessoas diziam.
E quis voltar para o útero de minha mãe!
Mas me foi oferecido só os peitos.
Foi o que bastou para eu querer ficar.
No colo me senti tal-qualmente protegido.
Até o momento que ouvi: vai pra vida!
Criei coragem
E eu fui!
Do que venho vivendo
Muito desgostei,
Outros tantos me foi é indiferente,
Um quanto de tudo e um pouco mais, gostei.
Mesmo assim, hoje quero voltar para o útero de minha mãe.

Que todas as mães em todo o universo sejam abençoadas no seu dia especial … que são todos os dias.

GeraldoCunha

Série sentimental – cheiro e sabor / ciclos da vida

Tem música com sabor.
Arroz com carne moída,
Fins de tarde em família,
Recordações da infância,
Sítio do Picapau Amarelo!

Tem música com cheiro.
Perfume do primeiro amor,
Amizades incondicionais,
Lembranças da adolescência,
Roda de violão e coca-cola!

Tem música com sabor.
Pão de queijo com linguiça,
Café que acabou de ser coado,
Memórias da juventude,
RPM tocando na vitrola!

Tem música com cheiro.
Flor dama da noite,
Jardim da faculdade,
Reminiscência da mais idade.
Pipoca doce de saquinho!

(GeraldoCunha/2021)

Série listas – É suspiro É saudade

Alegria triste
Riso bobo
Coceira no coração
Frio na espinha
Cheiro bom
Areia no olho
Olhar no nada
Ir querendo ficar
Canção mordida
Abraço vazio
Toque no invisível
Infinito invadido
O mar sem praia

(GeraldoCunha/2021)

Série poema e imagens – Maré

Um pouco do mar
O navio a balançar
Um pouco de amor
Uma corrente de vento
Uma maresia na face
O suspiro no ar

Meticulosamente o mar
Misteriosamente o amor
A espera do acontecer
Quando o querer é arriscar
Ao som das ondas
É não tentar chegar
Parar no meio do caminho
O silêncio me atordoa
Por isto busco o mar
O som das ondas a balançar

O marujo toca o apito
O golfinho salta a se mostrar
A vista da praia a sereia
De pedra a encantar
É tanto mar
Areia
Céu
Ar
Um vilarejo
Uma cabana
A bandeira a flamejar
As pessoas as passearem
Lagos e pedras
Cachoeiras que se formam
Entre as pedras
Um pouco de mar
Um pouco de praia
Caminhos e trilhas
Mergulho e vista
Pássaros aninhados
Percurso de amor
Percurso de mar
Preciso amar
Preciso ar
Paz
Ar
Mar
Onde o mar ancorar
Âncora de barco
No azul vastidão
Poema e imagens de arquivo pessoal (Ilha de Fernando de Noronha) – GeraldoCunha

Série uma saudade – episódio 1

A saudade, tema recorrente e que gosto imenso, merecia
spin-off, agora tem sua própria série.

Várias histórias de “saudade” serão traduzidas por sentimentos na sua singularidade, a cada episódio.

(GeraldoCunha/2021)

Série sentimental – Velhice melancólica

Hoje acordei triste,
Manhã daquelas melancólicas.
Pensando nas despedidas
E as mudanças decorrentes.

Envelhecer e ver as pessoas morrendo de velhice entristece.
É o passado que vai sendo desfeito,
Somos nós que vamos deixando de ser futuro, presente e passamos a ser o passado.

Tem manhãs destes desatinos
Em que a nostalgia sacoleja a cabeça.
E eu me pergunto onde estão todos?
Hoje estão nas fotografias esquecidas.

Do colorido que a velhice deveria,
Vejo em preto e branco… fantasmas.
Em câmara lenta envoltos na neblina perambulam.
Circulando entre as cores que já não importam.

Nos olhos tristes a felicidade roubada.
Na boca o sorriso abandonado.
No silêncio a certeza de que o mundo está ficando surdo.
GeraldoCunha/2021

Série dedicados – No sopro do tempo

Tudo se modificando tão depressa
No lentamente do tempo
Os anos passam
Um sobre o outro
Entre rosas e bolos
Se acendem
E se apagam
Ao sopro da vela
Rajada de vida
Ventos de sonhos
Desejos em ebulição
Um mundo novo por colorir
Com as cores de sua escolha
Refletindo suas realizações

GeraldoCunha/2021

Dedicado a Gabriela Borges, afilhada querida, pelo seu aniversário.

Presenteamos com que temos de melhor.

Série livros que li – Crônica de uma morte anunciada

Atravessa os instantes das horas

à espera da morte

“Augúrio aziago”

Desatento ao prenúncio

No disse me disse dos testemunhos

O desenrolar dos acontecidos

Como cama vazia

Aconchego de tristeza

Perde-se a cabeça

Entrega-se à primeira paixão

Desonra das carnes

Vingada no arrebatar de facas

No que dizem ser defesa da honra

Oculta a covardia

do olho por olho

do dente por dente

Sem notas de arrependimento

Vida que se despede

Presságio

“nunca houve morte mais anunciada”, disse Gabo

Enquanto o luto veste-se de vermelho

Morre-se sem entender a morte

De facas que escorrem sangue inocente

📖

Obra de Gabriel Garcia Márquez

Na percepção de GeraldoCunha

Os destaques em “ ” são da obra

Prefácio: “O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma morte anunciada?”

Volúpia

Volúpia

Leve
A xícara na boca
Escorrega os lábios
O aquecido da língua
esquecido
O tempo de outrora
Seguro na alça
Firme no calor
exalado
Pela fumaça
Da canela
Em pó
O aroma
Vertigem da memória
relampejo
Ao repouso da louça
O beijo marcado
De onde deslisa
a lágrima
Alcança o pires
Seca ao dedo
Que vai à boca
tênue
Repouso lento
Do nascer do dia
Ressaca da noite
volúpia

(GeraldoCunha/2020)