Série elos – Amor virtual

Eu daqui, atravesso a tela
E digo dos nossos beijos distantes,
Ausentes dos toques dos lábios.
Mas nosso amor está mais próximo
Das palavras compartilhadas, tecladas, expondo e envolvendo nossos sentidos, nossos sentimentos;
Dos olhares que se encontram refletidos, qual espelho, e se amam intensamente, mais e mais.
Mesmo sendo através do toque do Touch na tela,
Nosso amor resiste e inside por entre os íons e ondas magnéticas do nosso computador.
Porquê, embora sem ainda termos nos tocado e nos encontrado pessoalmente o amor aconteceu!
Como dizem os poetas, quem ama, ama com o coração e ama mesmo e apesar da distância!
Contigo as minhas noites ficam prazerosamente mais longas…
E os meus sonhos mais bonitos!
A “tela” não é capaz de deter o meu bem querer!
Mesmo com uma “janela aberta” de bate-papo, uma imagem na tela, um fone no ouvido, não me bastam pra matar a saudade, a vontade de me conectar a você total e demoradamente … “Amor Virtual!”

este poema é uma parceria entre
@meus_eseus_escritos_ne &
@divagacoes.gcc.geraldocunha

Série poema curto – Abraços


Já não tinha os abraços,
Então não me faltaram.
Permaneço de braços abertos,
Para o tempo certo,
Que o momento agora é de espera.
(GeraldoCunha/2020)

Traga uma notícia boa


Invada a minha casa,
Pela porta,
Pela janela.
Grite!
De alegria.
Traga uma notícia boa!
Ocupe os espaços vazios.
Incomode o silêncio,
Incomode os vizinhos,
Que não vão se importar.
Encha de vida,
A sala,
O quarto.
A varanda.
O copo.
O corpo.
Atropele as palavras,
Troque gargalhadas,
Compartilhe risadas,
Fale! Fale! Fale!
De coisas boas
De ontem,
De hoje,
Para amanhã!

(GeraldoCunha/2020)

Desbotado


Quando você partiu
E foi aos poucos,
Não imaginava
Que o silêncio tinha cor.
A tristeza tem cor desbotada e com respingos.
As lembranças foram-se manchando, perdendo os tons!
O vermelho não era mais vermelho,
O azul tomou-se de um cinza amargurado.
O amarelo, com suas nuanças, já não tinha o brilho que aquecia.
Empalideceu!
E foi assim aos poucos,
Descorando-se.
A voz já não segurava as cores.

(GeraldoCunha/2020)

Sempre em ti


O tom da voz
Sussurrando silêncio
Envolve-me
Encanta-me
Seduz-me
Sou em ti

O cheiro que exala
Do sem perfume
Enlaça-me
Confunde-me
Penetra-me
Estou em ti

O sabor da pele
Sentida ao toque
Alimenta-me
Completa-me
Aquece-me
Mergulho em ti

O brilho dos olhos
Que se querem abertos
Ruboriza-me
Hipnotiza-me
Percorre-me
Sempre em ti

(GeraldoCunha/2020)

Estranhos poemas


Tudo que não disse com palavras,
Mas deixou escapar pelo olhar.
O espaço entre as minhas mãos e os seus cabelos.
A fumaça que escapa da xícara, atravessa as narinas e dissipa.
As letras escapando entre os dedos.
A folha que se desprende do galho e pousa suave sobre a página a virar.
A última frase da música ou talvez a primeira, nunca o refrão.
O atrevimento inesperado no memento tão esperado.
O soco, já disseram isto também. O soco!
O risco na parede, direcionado para a janela.
Janelas são poemas prontos, que se renovam todos os dias.
Tudo que pensei no segundo seguinte àquele olhar.
Nenhuma das opções acima, ou todas, exceto uma.

(GeraldoCunha/2020)

Série poema curto – o que restou de nós?


Só restou nossa música,
Que o tempo não apaga.
É onde você vive em mim.
É ao que ficamos reduzidos.
Uma melodia e ritmo,
Sem nenhuma harmonia,
Mas eu não deixarei de dançar!
(GeraldoCunha/2020)

Poeta da solidão


Sinto uma solidão imensa,
Mas quero estar sozinho,
Para sentir a saudade:
Dos braços acolhimento,
Do toque sedução,
Do colo aconchego.
Não aprendi a amar!
O pensar do amor
Foi arremedo de gostar.

Os poetas amam a solidão!
Afastam-se da realidade
Para sofrerem por demais,
Iludidos pelas emoções,
Enamoram-se das palavras.
Esquecem de amar
E observam a vida a passar,
Como páginas em branco
Arrastadas pelo vento.

Na solidão das palavras,
O querer estar junto é ilusão,
Realidade que perdeu para ficção.
E o vulto do amor escapa:
Pelo reflexo do espelho,
Pela penumbra da cortina,
Pela sombra que cruza a esquina.
Não há quem fique à espera
De quem está só amando o vazio!

(GeraldoCunha/2020)

Série Poema Curto: Coração

Não marque hora

É só chegar.

Não mande aviso.

Nem pense em recado!

Deixe de lado o recato.

O meu coração,

Gosta de surpresas,

Desgosta que bata à porta,

Prefere que venha invadindo.

(GeraldoCunha/2020)

Porta entreaberta


Não queria estar só.
Timidamente me recolhia,
escondendo atrás das cortinas,
espreitando as frestas das janelas.
Na iminência da proximidade,
sorrateiramente me entranhava
entre as cobertas e ficava ali,
atenciosamente,
prendendo a respiração ofegante,
esperando retornar ao conforto da minha solidão.
Novamente sozinho pensava ter
recuperado minha liberdade,
antes ameaçada,
mas logo percebia que o estar
sozinho não era liberdade
e sim solidão.
E só eu não queria estar.
Impulsivamente eu emergia
daquelas cobertas
que serviam de refúgio e,
ainda ofegante,
abria as cortinas atrás das quais me escondia,
escancarava as janelas,
deixando o ar e sol invadir aquele quarto
e, loucamente,
pedia para você voltar
pela porta entreaberta.

(GeraldoCunha/2017)

Meu mapa


Reinvento as esquinas,
Troco as placas de lugar,
Confundo os pedestres,
Que apressados,
Não entendem
As minhas ruas.
Sou eu quem
Destruo,
Construo,
Reinvento.
Invento becos
Que não levam
A lugar nenhum.
Só pelo mistério
Que aguça a curiosidade.
Desenho bueiros
Por onde escapo
Quando me sinto
Acuado,
Desconfiado,
Arredio.
Para percorrer pelas vias
É preciso conhecer a mim
E não ter receio das surpresas,
Nas esquinas,
Nos becos,
Nos bueiros.
São os desafios
Para se encontrar
O paraíso calmo
Ou cair num
Mundo de perdição!

(GeraldoCunha/2020)

Mesa para dois – 02/02/2020


Mesa para dois

Sentados de mãos
Entrelaçadas.
Entre olhares
Que não se cruzam,
Que se fundem.
Dedos que se
Tocam,
Suavemente…
Desenhando
As iniciais do seu
Nome.
Enquanto
Suavemente
Acaricias a borda
Da taça
Pela metade
Devorada.
Absortos
Neste jogo
De sedução.
Alheios ao
Imponderável
Do tempo.
Vibram os corpos
Desejosos
Um do outro.

(GeraldoCunha/02/02/2020)

Série: Visitando 2016 (tudo começou assim…) – Lá pelas tantas…


Lá pelas tantas não sabia se queria voltar.
Fui longe demais.
Vi, ouvi e falei pelo caminho.
Não era mais o mesmo desde que tudo começou.
Nunca se é.

Fui triste, alegre, indiferente e foi como deixei de ser, para ser outro eu.
No trajeto sempre surgia a dúvida entreve seguir e voltar.
A opção foi sempre seguir, mesmo quando tudo indicava que o melhor era voltar.
Recuei algumas vezes, mas nunca ao ponto da partida.

Recuar parece voltar, mas não é.
Voltar é desistir daquele caminho e não seguir outro.
É ficar.
Recuar é parar, tomar fôlego, avaliar estratégias e escolher entre ir para aquele mesmo lado ou seguir outro, sempre em linha reta.

Encontrei atropelos, resistências físicas e psicológicas minhas e de outros que faziam parte do trajeto.
Sentei um pouco, sem recuar, analisei, assimilei e me curei, para seguir.
Não foram poucas as vezes que estava só, noutras queria estar só.

Quantos também foram os momentos em que, acompanhado, sorri e chorei, ofereci o ombro e fui acalentado.
O caminho desde a partida tem sido longo.

Talvez tenha percorrido a metade do que me foi destinado.
Ou um pouco mais.
Vai saber.
Isto, se um dia foi importante, não mais é.

(GeraldoCunha/2016)

Cá fé


(Este café teve a gentil companhia de Eliana Cunha, irmã/amiga e assídua leitora 🙏🏼)

Nas manhãs
Bebida quente
Para aquecer o dia
Uns preferem café
Outros vão de chá
Há aqueles etílicos
Não os julgo
Prefiro café
Que trás fé
Para cá

(GeraldoCunha/2020)

Útero


Quero voltar para o útero de minha mãe.
De onde não queria sair.
Fui expulso!
Não tive escolha, o mundo se abriu.
E eu curioso quis ver como era.
Achei tudo hipnotizante.
Não entendi bem o que vi.
Não compreendi o que as pessoas diziam.
E quis voltar para o útero de minha mãe!
Mas me foi oferecido só os peitos.
Foi o que bastou para eu querer ficar.
No colo me senti tal-qualmente protegido.
Até o momento que ouvi: vai pra vida!
Criei coragem
E eu fui!
Do que venho vivendo
Muito desgostei,
Outros tantos me foi é indiferente,
Um quanto de tudo e um pouco mais, gostei.
Mesmo assim, hoje quero voltar para o útero de minha mãe.

(GeraldoCunha/2020)

Ciclos


Sou feito de ciclos!
Entre revoltas e conformação,
Vivo!
E disto retiro o que se tem de melhor.

Nos ciclos de revoltas,
Esbravejo o mundo,
Insisto e desisto,
Revejo conceitos,
Expurgo rancores,
Desintoxico!

Nos ciclos de conformação,
Reciclo ideias,
Acomodo pensamentos,
Resignado à ordem,
Reestruturo!

Nos intervalos,
Vivo!
Assim sou constituído,
Ora desconstrução,
Ora reconstrução,
Ser em evolução.
Um apanhado de erros,
Um bocado de acertos,
Vertigem!

(GeraldoCunha/2019)

Histórias de amizade

Como são lindas as histórias de amizade.
Carregadas de sentimentos.
Sufocadas de abraços.
Enlaçadas pela cumplicidade.
Risos, choro, lágrimas,
Choros, riso, lágrimas,
Acúmulos de amores!
Despretensiosos encontros de almas.
Ausência sentida,
Presença exigida,
Distância compreendida!
Inusitadas relações de opostos que se conectam.
Atropelo de erros e acertos
E entre idas e vindas,
A permanência …
Memória das tristezas e alegrias
Avalanche de saudade!

(GeraldoCunha/2019)

Frágil


A vida é este frágil do tempo
Um instante de prolongamento
Um breve no hesitante do existir
Fagulha de uma chama que não se apaga
Ou o devagar apagar de uma vela
O delicado da seda que com o toque se rompe

A vida é este flash no tempo
O orvalho que seca ao primeiro sol
O eterno do instante que resta
Um sopro de esperança que não basta
O inevitável encontro de olhares
O silêncio do encerramento inevitável

A vida é este romper do tempo
A acelerar as impressões no rosto
A encurtar os passos na distância
O ressignificar os sentimentos
O desacelerar das palpitações
A substituir as saudades por lembranças

(GeraldoCunha/2019)

Sobre amores


O amor didático é entediante …
Regras são para serem quebradas;
Não há surpresa nas pétalas vermelhas!
E o amor não é uma regra.
É um atalho no supérfluo da vida.

O amor é um riso bobo.
Um sorriso largado no canto da boca;
Uma cabeça que se acomoda no colo!
E um desejo profundo de eternidade.
É não querer não estar!

O amor às vezes é um rio de dor …
Que não conseguiu desaguar no mar!
E represado foi minguando até secar.
São restos de uma vida.
É se debater até deixar de respirar!

O amor não se ensina se arrisca…
Risca as folhas e tatua a pele!
Rompe barreiras e sacode o preconceito.
E mesmo assim não se explica apesar de tanto escrito.
É uma pichação no muro!

O amor não é uma flor nem seu perfume …
Às vezes é um ramo e seus espinhos!
Gotas de sangue, gotas de vinho.
Pés que se unem e conciliam.
É transgressão sob medida!

O amor não é tudo isto ou só isso.
Um dicionário de significados.
Há quem não acredite e desiste!
Muitos usam só como argumento para um novo livro.
É palavra que sufoca o grito!

O amor tem um quê de bonito …
Violinos e flautas como tema de fundo.
Mesmo quando o silêncio é sinfonia!
Canção que se desafina.
É música sem melodia!

O amor,
Não se ensina,
Não se explica,
Nem sempre rima.
O amor didático entedia!

(GeraldoCunha/2019)

Alma gêmea


Não quero pessoas intocáveis, preciso sentir o tato, o cheiro, o sabor e escutar sussurros desassossegados.

Desavergonhadamente quero tocar, cheirar, saborear e silenciar.

Calorosamente quero o toque, o sentir, o saborear e abafar o som da sua voz.

Atrevidamente quero ser tocado, sentido, saboreado e escutado.

Calmamente quero não tatear, não cheirar, não sentir e não escutar, candidamente adormecendo em seus braços.

(GeraldoCunha)