Série cotidianos- replantio

De uma estação
à outra,
folhas nascem, crescem, secam, caem e as flores espalham o pólen;
à outra,
os galhos finos, engrossam, envergam, escurecem, cascam e descascam… secam a seiva e desabrigam as folhas;
à outra,
os pássaros, vermelhos, cinzas, todas as cores, cantantes, papagaios e … os beija-flores… meus encantamentos; besouros e mais insetos, morcegos, todos não serão mais, além do seu tempo;
à outra;
o sol mais quente, sem as águas certeiras, sem março, junho, setembro, dezembro nos desajustes, nos desencontros, nas inobservâncias do insubstituível.
Um dia esta árvore em poema restará, não estará mais aqui, nos não estaremos, naturalmente;
à rua restará os concretos, asfaltos, carros, as estações e um canteiro ao replantio.

(GeraldoCunha/2021)

Série o poeta

Série dedicadas às pessoas que amam amar a arte de escrever e ler

Gratidão!

Série uma saudade – episódio 5

Série uma saudade – episódio 4

Série uma saudade – episódio 3

Série uma saudade – episódio 2

Série uma saudade – episódio 1

Reeditado- Útero

M.A.T.E.R.N.O. especial dia das Mães

[do latim maternu]
seus sinônimos

adjetivo substantivado.

afagos afetuosos
na barriga que cresce
rompido o cordão umbilical
lágrimas esquecidas das dores
no primeiro beijo melado

risos soltos ou severos
nos acalantos diários
que sobrevoam a noite
ninam choros insistentes
dengosos dos carinhos

cafuné na criança
aproveitada do colo de mãe
que renuncia aos cansaços da lida
entregando-se ao ócio maternal
advertindo [com iras disfarçadas] as bobas traquinagens

braços que acolhem
a adolescência rebelde
recolhendo as próprias angústias
curando dores alheias
lambendo a cria
tantas arredias

amor inconteste
que acompanha adulta vida
de quem vê eterna criançola
fingindo não carregar tristezas suas
doando-se por inteira
incondicionalmente

Geradora, Defensora, Mãe, Cuidadora, Madre, Protetora, Mamãe.

(GeraldoCunha/2021)

Série vale à pena ver de novo – Útero

Quero voltar para o útero de minha mãe.
De onde não queria sair.
Fui expulso!
Não tive escolha, o mundo se abriu.
E eu curioso quis ver como era.
Achei tudo hipnotizante.
Não entendi bem o que vi.
Não compreendi o que as pessoas diziam.
E quis voltar para o útero de minha mãe!
Mas me foi oferecido só os peitos.
Foi o que bastou para eu querer ficar.
No colo me senti tal-qualmente protegido.
Até o momento que ouvi: vai pra vida!
Criei coragem
E eu fui!
Do que venho vivendo
Muito desgostei,
Outros tantos me foi é indiferente,
Um quanto de tudo e um pouco mais, gostei.
Mesmo assim, hoje quero voltar para o útero de minha mãe.

Que todas as mães em todo o universo sejam abençoadas no seu dia especial … que são todos os dias.

GeraldoCunha

Série dedicados – No sopro do tempo

Tudo se modificando tão depressa
No lentamente do tempo
Os anos passam
Um sobre o outro
Entre rosas e bolos
Se acendem
E se apagam
Ao sopro da vela
Rajada de vida
Ventos de sonhos
Desejos em ebulição
Um mundo novo por colorir
Com as cores de sua escolha
Refletindo suas realizações

GeraldoCunha/2021

Dedicado a Gabriela Borges, afilhada querida, pelo seu aniversário.

Presenteamos com que temos de melhor.

NOS PASSOS E BRAÇOS DA POESIA – desafio poético …ENTÃO FLUTUE


Dançam os cabelos ao vento,
Escondendo o rosto que esconde o sorriso.
A valsa dos ventos e versos.
As folhas roçando os galhos em sinfonia.
Um poema que se vai construindo.

Dançam as folhas secas ao vento,
Flutuam meigas pelo ar.
Tocam a pele leve …. leve… leve,
Prendem nos cabelos que enfeitam,
Como as palavras que se abraçam em poesia.

Dançam os pássaros, enquanto assobiam a melodia.
Valsam entre os cabelos que voam,
Cobrem o rosto que já não esconde o sorriso.
Passos que flutuam, asas que valsam.
Braços que se enlaçam em versos.

(Um delicioso desafio de escrita proposto pelo poeta mineiro Estevan, do blog Sabedoria do Amor, https://estevamweb.wordpress.com/, um amigo escritor, de elevada cultura e conhecimento, que sempre com muito carinho prestigia a minha escrita simples e que transforma em poesias belíssimas suas experiências e as questões sociais atuais, nos chamando à reflexão)
A partir do poema Deixe-se levar” foi-se nascendo este poema “Então flutue” e a poesia Nos passos e braços da poesia deste ilustre poeta mineiro.
São só agradecimentos…

Traga uma notícia boa


Invada a minha casa,
Pela porta,
Pela janela.
Grite!
De alegria.
Traga uma notícia boa!
Ocupe os espaços vazios.
Incomode o silêncio,
Incomode os vizinhos,
Que não vão se importar.
Encha de vida,
A sala,
O quarto.
A varanda.
O copo.
O corpo.
Atropele as palavras,
Troque gargalhadas,
Compartilhe risadas,
Fale! Fale! Fale!
De coisas boas
De ontem,
De hoje,
Para amanhã!

(GeraldoCunha/2020)

Céu de fé

(Veja também Das dores)

Quando olhei o céu
Não vi estrelas.
Tudo quieto!
Estava sozinho…
E chorei!
Restava o amanhecer.
Esperei…
E não veio.
Fiquei preso na noite!
No escuro dos sentidos,
Sentia … as lágrimas!
Frias, escorriam até a boca.
Umedecendo os lábios,
Com sal!
Toquei o céu da boca.
Olhei o céu sem estrelas.
Umedecendo os lábios,
Descansei os olhos
Imaginei estrelas
E me pus a rezar
Na noite cárcere.

(GeraldoCunha/2020)

Convite


no meu coração
terá sempre um cantinho para você,
na minha casa
sempre haverá uma xícara de café quentinho,
no meu corpo
reservarei um ombro para secar as lágrimas
no meu pensamento
buscarei as melhores lembranças
no meu abraço
guardarei as alegrias e expulsarei as tristezas
nos meus gestos
desenharei seus traços
nas minhas palavras
ouvirá afeto com sinceridade
no meu convite
a resposta é a reciprocidade

(GeraldoCunha/2019)

Poema aos Pais


(Não é usual eu fazer poemas de datas comemorativas, mas meu coração pediu e a ele não sei dizer não)

Ah, Pai.
Este olhar de preocupação…Eu sei!
Quando se recebe uma encomenda especial que não vem com manual de instrução:
É carinho, cuidado…proteção.

Ah, Pai.
Este semblante calmo…Eu sei!
Quando quer apresentar o mundo aos poucos, mas como é:
É disfarce para as tristezas que, inevitáveis, virão.

Ah, Pai.
Este sorriso desconfiado…Eu sei!
Quando a alternativa é deixar partir:
É resistência em entregar ao mundo quem tanto protegeu.

Ah, Pai.
Este ar de satisfação…Eu sei!
Quando olha para a frente e vê quem construiu:
É certeza de dever cumprido, medida exata da felicidade.

Parabéns àquele que verdadeiramente honra ser chamado: Pai, Papai, Paizinho, Papito, Painho…Eu sei!
Conheço muitos.

(Homenagem póstuma ao meu Pai)

Mãos de afeto


Toque suave nos cabelos
Negros fios a tocar a pele
Seda a escorrer entre os dedos
Cuidado nos prazeres

Mãos de afeto a deslizarem
Envolvendo de amor a face
Calor perfumado que protege
Percorrendo os sentidos

Toque preciso das mãos
Envolvendo a massa
Adoçando os paladares
Servindo aos sabores

Mãos tocadas em oração
Professando a fé
Suplicando uma graça
Agradecendo por devoção

(GeraldoCunha/2019)

Reflexo


Gosto desta imagem aí do espelho.
Jovem! brincando com suas rugas.
Vaidosa! se escondendo dos cabelos brancos.
Atrevida! meio a caras e bocas.
Dissimulada! escondendo partes.
Envergonhada! disfarçando os medos.

Este reflexo que observa
E no silêncio, mudo diz tanto do que reflete.
Este reflexo que se observa
Não pela perspectiva do outro,
Mas do que propriamente construiu.

Gosto deste reflexo aí do espelho.
Revelador das cicatrizes disfarçadas.
Desnudo das inibições cotidianas.
Observador nos detalhes mínimos.
Honesto na medida exata.
Denunciador mesmo do tempo.

Esta imagem às vezes distorcida.
São os percalços da vida…inevitáveis.
Esta imagem às vezes embaçada.
São as angústias da alma…inquietudes.
Este Eu que se esconde e se mostra!

(GeraldoCunha/2019)

Meu olhar


(Em dezembro/2016 publiquei IMPURO E VIRTUOSO)///…
Se olho para trás é para aprender com meus erros e me alegrar pelos meus acertos,
Meu trunfo é esta história que escrevi,
Com tantos rabiscos, páginas rasuradas e reticências.
Em meu olhar o reflexo de quem sou!

Se olho para o lado é para saber com quem ando e escolher a quem dar a mão.
Meu maior orgulho é ter feito escolhas certas entre tantos equívocos,
Sem que nunca me tivesse faltado uma palavra de apoio.
Em meu olhar o espelho das minhas escolhas!

Se olho para a frente é para não perder o foco e ter um motivo para não querer voltar.
Não dá para insistir em voltar as páginas da vida,
Pois quando uma mão se perde no caminho outra logo se estende.
Em meu olhar a imagem do que construí!

(GeraldoCunha/2018)

Prece ao desalento


(gsotou? veja Réstia de luz)///.
Ao espaço
Para o desalento
Digo que está tudo bem
E tento firme acreditar
Persisto na esperança
Não desisto do sonho
Destruído…
Construo outro

Ao tempo
Da espera
Vou dormir quase sem forças
Para tê-las no dia seguinte
Acordar e não se lembrar
Que fraquejei
E recomeçar…
Perseverando

Ao momento
De reflexão
Penso em não seguir
Se não tenho rumo certo
É perambular
Caminhar até cansar
E não conformado…
Voltar a trilhar

(GeraldoCunha/2018)