Poema preciso


Poema não precisa ser complicado.
Poema precisa substituir as mãos no toque que falta.

Poema não precisa ser rebuscado.
Poema precisa substituir os braços do abraço que não acolhe.

Poema não precisa ser rimado.
Poema precisa substituir o silêncio da palavra não dita.

Poema não precisa ser preciso.
Poema precisa substituir o concreto por metáforas.

(GeraldoCunha/2019)

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Sob o fogo cruzado (Poema curto)


Para tudo há dois lados
E o meio!
Sob fogo cruzado.
Para tudo há o certo e o errado
E o talvez!
Na corda bamba.
Para tudo há o bem e o mal
E o mais ou menos!
Cruzando o alvo.
Para tudo há o bom e o mau
E o mediano!
Sem pressão.

(GeraldoCunha/2019)

Abraço mineiro


O abraço mineiro
Tem gosto de café com pão de queijo.
Acredite…
Há quem recuse café;
Há quem recuse pão de queijo.
Já aviso que é caso de se ‘ofendê’.
Só nunca vi alguém ‘recusá’ um longo abraço mineiro.

O abraço mineiro
Tem jeitinho de pode se ‘achegá’.
É aconchego no frio.
É refresco no calor.
E aí de quem se ‘recusá’!
É desfeita que não se há de ‘perduá’.
Não que eu tenha visto alguém ‘refugá’!

(GeraldoCunha/2019) (‘…’ linguagem coloquial – minerês)

Já vou avisando

Já vou avisando:
Se há incorreção no texto,
A culpa é do autocorretor.
Se não cheguei na hora certa,
Foi o relógio que não despertou.
Se a comida está salgada,
O responsável é o sal, não Eu!
Eu? Mais que lembrança,
Sou esquecimento.
Este sou Eu,
Já vou avisando.

Já vou avisando:
Se esqueci o aniversário,
Chame a atenção do calendário.
Se perdi as chaves,
Grite com a fechadura.
Se o bolo ficou queimado,
Reclame com o forno.
Eu? Mais que atenção,
Sou disperso.
Este sou Eu
E vida é breve para escusas!
Já vou avisando.

(GeraldoCunha/2019)

Insones noites


Refém das noites vazias
E o noturno como cárcere.
Rabisco a parede da memória.

Insone albergue madrugada,
Em que o silêncio é voz
E o breu é companhia.

Atravesso os passos
E tropeço no invisível.
Arrasto o corpo leito frio.

Sucumbo ao insólito,
Reviro do avesso,
Esmurro o tempo.

Vedados os olhos
Pelo sólido escuro,
Enxergo passivo o algoz.

Suplico ao opressor.
Atormento até me render.
Vão tentativa de me libertar.

Conformado ao exílio obscuro.
Submisso à opressão.
Insano, rasgo versos mudos.

Refém das noites vazias,
Capturo os pesadelos
E me transformo no carrasco!

(GeraldoCunha/2019)

Pegadas

Poemas são como pegadas,
Vão ficando pelo caminho,
Por onde tantos passam,
Se dispondo em compasso,
Se dissipando com o vento!

Palavras são como o vento,
Invadem os espaços vazios,
Suspiram janelas entreabertas,
Enchem de poeira o papel,
E se transformam em versos!

Poemas são nossas digitais
Estampadas na escrivaninha,
Dando formas às palavras,
Desenhando sentimentos,
Direcionando nossas pegadas!

Palavras são estes traços,
Que feito nossas pegadas,
Unem-se para contar,
Qual poema desenhado,
Excertos de nossas verdades.

(GeraldoCunha/2019)

Gravata borboleta (Poema curto)

Quero ser enterrado de gravata borboleta.
Em vida nunca usei.
Quero ela presa em meu pescoço.
Para que não se atreva a voar.

(GeraldoCunha/2019)