Passeio

Tem gente que gosta de passear no Shopping.

Eu não gosto!

Ir no Shopping não é passeio é necessidade do bolso.

Passear é ir na praça,

Ver os casais de mãos dadas

E os passarinhos enamorados,

As crianças correndo com a bola,

E os pais correndo atrás!

Passear é parque de diversões,

Comer algodão doce,

Achar a maçã do amor bonita e não comprar,

Aventurar-se na roda gigante,

Rir no bate-bate,

Ir embora carregando balão, ursinho e felicidade.

Passear é ir na casa da avó,

Quem ainda tem avó,

Deliciar com as guloseimas,

Elogiar o bordado posto à mesa,

Chupar laranja e comer o bagaço.

Só para começar … a lista é grande!

(GeraldoCunha/2021)

Série poesia concreta – CRUEL

Série cotidianos- invenção das coisas

Gosto de nomear
Dar nomes aos regalos
Meu passarinho de madeira não é mais de madeira é o Sebastião
O pássaro de origami não é mais Tsuru ….. é Miyake
e nisto não se tem nenhum desrespeito
As tartarugas moldadas ao barro pelas mãos da criança
à beira da estrada
Lembram um dia na Serra do Cipó,
Vestiram-se de Araci, Arlete e Matilda
E aquela criança deve ser hoje um adulto… um artista… espero.

Os São Franciscos que vão chegando não são só imagens devoção
simbolizam paz esperança e amizade
Ser lembrado acarinhado
Como os pássaros que os circundam
logo que chegam vão pegando intimidades de Chicos



O beija-flor, aquele do poema que vem na varanda, que se fez cotidiano, nas visitas pelas manhãs e agora às tardes
(Certo que é visita de hospital)
é O beija-flor
pelas carnes
os ossos
as penas …
e o bico que bebe da água que lhe sirvo
e não me pede mais nada



Não tenho livros, tenho Pessoas, Clarices, Drumons, Gabos, Saramagos …. e uma lista desalfabéticas de outros tantos seus vizinhos que se juntam aos Mias , Conceições, Valteres , Quintanas e fazem festa ao som de Abelhas Rainhas Rouxinóis Sabiás que pousam em guardanapos de papel
Só falta objetivar pessoas, não todas, algumas, aquelas que se desumanizaram sem volta.

TextoEfotografia

GeraldoCunha

Origami de bonsai no haicai

Série O poeta

Série cotidiano- Beija-flor de outrora

o beija-flor que outrora
rondava a varanda
cumprimentava e partia
do cotidiano virou poema

no atrevimento dos sentidos rompeu a tela
ocupou todo o espaço
no reconhecimento da área
saudou o pé de maracujá
que sobe pelo beiral
os ramos do hortelã
recém plantado

procurou pelas flores
encontrou os Chicos
em estado de oração
pausou sem pousar
e novamente se foi

no abandono
fico aguardando
no mesmo horário
todas as manhãs
a companhia

(GeraldoCunha/2021)