Crava o aço no chão

O som que afugenta o sono
Rompendo a manhã sôfrega
Os barulhos dos carros
Abafado pelo ronco da escavadeira
Vozes, gritos, risos
Ronco de motor
Afastando a calmaria

Rasgando a pele
Embrenhando nas entranhas da terra
Fazendo jorrar água
Que molha a rua
Alcança a calçada
Afugenta os passantes
Alivia a sede dos pássaros
Apaga a poeira dos dias insanos
Enlameando os pés que sujam o tapete

GeraldoCunha