Pegadas

Poemas são como pegadas,
Vão ficando pelo caminho,
Por onde tantos passam,
Se dispondo em compasso,
Se dissipando com o vento!

Palavras são como o vento,
Invadem os espaços vazios,
Suspiram janelas entreabertas,
Enchem de poeira o papel,
E se transformam em versos!

Poemas são nossas digitais
Estampadas na escrivaninha,
Dando formas às palavras,
Desenhando sentimentos,
Direcionando nossas pegadas!

Palavras são estes traços,
Que feito nossas pegadas,
Unem-se para contar,
Qual poema desenhado,
Excertos de nossas verdades.

(GeraldoCunha/2021)

Lágrimas derramadas

As lágrimas que escorrem calmamente,
São como nascentes que vão secando,
São como rios que vão morrendo,
São como oceanos que vão se retraindo.
Escorrem até não mais!

As lágrimas que umedecem meu rosto,
São como orvalho em manhãs de frio,
São como cristais que revelam emoções,
São como brisa soprando a beira-mar.
Umedecem sem explicação!

As lágrimas que molham a fronha,
São como vento que corta a face,
São como gelo que derrete ao sol,
São como faca que perfura a alma.
Molham rejeitando acolhimento!

As lágrimas que encharcam o travesseiro,
São como gotas de chuva formando poças,
São como lagos que transbordam nas cheias,
São como enchentes de sentimentos.
Derramam absurdas sem qualquer razão!

GeraldoCunha

Série surtados – projeto Instagram

O que aprendi

A tomar chá quente.
Que quem se preocupa liga.
A entender que a solidão não é só minha.
Que não sou só eu quem precisa dar o primeiro passo.
A não levar as mãos no nariz.
Que quem tem ambição continuará tendo ambição.
A lembrar de regar as plantas.
Que quem é solidário ainda é mais solidário quando é preciso ser solidário.
A não acumular porque vai ter que limpar.
Que quando alguém ausente diz “você está guardado no meu coração” é porque perdeu a chave.
A ocupar os espaço vazios.
Que os alienados continuarão alienados ou mais.
A deixar o acaso dizer a que veio.
Que as maiores distâncias podem ser percorridas em um passo.
A não ter pressa ou pensar que tinha.

(GeraldoCunha)

Crava o aço no chão

O som que afugenta o sono
Rompendo a manhã sôfrega
Os barulhos dos carros
Abafado pelo ronco da escavadeira
Vozes, gritos, risos
Ronco de motor
Afastando a calmaria

Rasgando a pele
Embrenhando nas entranhas da terra
Fazendo jorrar água
Que molha a rua
Alcança a calçada
Afugenta os passantes
Alivia a sede dos pássaros
Apaga a poeira dos dias insanos
Enlameando os pés que sujam o tapete

GeraldoCunha

Série agora desenhos: florais – brotados

(parte 1 – rascunhando)
✏️
Desenho à mão livre com lápis de cor

Série cotidianos- diário

do começo

o dia agarra-se

da necessidade da esperança

batalhas

lutam-se no diário vida

nas folhas descritas

as horas não passam

em branco

enganam-se os que se apegam ao vazio

a tinta invisível denúncia

aos olhos atentos

a rotina cortina os sentimentos

arrasta para debaixo do tapete

os desejos

escrevo os dias

desenho as horas

fotografo os segundos

embalo o tempo

(GeraldoCunha/2021)

M.A.T.E.R.N.O. especial dia das Mães

[do latim maternu]
seus sinônimos

adjetivo substantivado.

afagos afetuosos
na barriga que cresce
rompido o cordão umbilical
lágrimas esquecidas das dores
no primeiro beijo melado

risos soltos ou severos
nos acalantos diários
que sobrevoam a noite
ninam choros insistentes
dengosos dos carinhos

cafuné na criança
aproveitada do colo de mãe
que renuncia aos cansaços da lida
entregando-se ao ócio maternal
advertindo [com iras disfarçadas] as bobas traquinagens

braços que acolhem
a adolescência rebelde
recolhendo as próprias angústias
curando dores alheias
lambendo a cria
tantas arredias

amor inconteste
que acompanha adulta vida
de quem vê eterna criançola
fingindo não carregar tristezas suas
doando-se por inteira
incondicionalmente

Geradora, Defensora, Mãe, Cuidadora, Madre, Protetora, Mamãe.

(GeraldoCunha/2021)

Série vale à pena ver de novo – Útero

Quero voltar para o útero de minha mãe.
De onde não queria sair.
Fui expulso!
Não tive escolha, o mundo se abriu.
E eu curioso quis ver como era.
Achei tudo hipnotizante.
Não entendi bem o que vi.
Não compreendi o que as pessoas diziam.
E quis voltar para o útero de minha mãe!
Mas me foi oferecido só os peitos.
Foi o que bastou para eu querer ficar.
No colo me senti tal-qualmente protegido.
Até o momento que ouvi: vai pra vida!
Criei coragem
E eu fui!
Do que venho vivendo
Muito desgostei,
Outros tantos me foi é indiferente,
Um quanto de tudo e um pouco mais, gostei.
Mesmo assim, hoje quero voltar para o útero de minha mãe.

Que todas as mães em todo o universo sejam abençoadas no seu dia especial … que são todos os dias.

GeraldoCunha