Série sentimental – Velhice melancólica

Hoje acordei triste,
Manhã daquelas melancólicas.
Pensando nas despedidas
E as mudanças decorrentes.

Envelhecer e ver as pessoas morrendo de velhice entristece.
É o passado que vai sendo desfeito,
Somos nós que vamos deixando de ser futuro, presente e passamos a ser o passado.

Tem manhãs destes desatinos
Em que a nostalgia sacoleja a cabeça.
E eu me pergunto onde estão todos?
Hoje estão nas fotografias esquecidas.

Do colorido que a velhice deveria,
Vejo em preto e branco… fantasmas.
Em câmara lenta envoltos na neblina perambulam.
Circulando entre as cores que já não importam.

Nos olhos tristes a felicidade roubada.
Na boca o sorriso abandonado.
No silêncio a certeza de que o mundo está ficando surdo.
GeraldoCunha/2021

Série poema curto – Refúgio

Quando tudo foi se tornando mais difícil,

As vozes foram se silenciando,

Os ouvidos se distanciando,

Refugie-me na poesia.

Encontrei conforto nas palavras

Que me atordoavam,

Transformei o processo de loucura na minha arte,

Fiz dos poetas meus terapeutas,

Da escrita minha companhia,

Foi onde encontrei abrigo.

O refúgio!

O escape!

GeraldoCunha/2021

Série poesia concreta- FOTOGRAFIA

Série sentimental – Faces do perdido

Depois de todo este tempo
O passado se vai distante
Imagens disformes
Formas perdidas
Rostos sem faces
Névoa
Nada

O futuro não ecoa
Escuridão dos planos
Imersão na ausência
Sem corpos
O Inominável
Breu

O tempo que resta
O agora
E é triste
Tem esperança
E basta
Quando não há

GeraldoCunha/2021

Série cotidianos- Outrora

O poeta repousa em versos
dispensados sobre a mesinha ao lado da poltrona.
Descansa as letras no escuro da madeira.
Afaga com as costas as almofadas que resistem
para logo cederem.

Os olhos se voltam para o Belo
Horizonte que invade pela janela,
Atraídos pelos perfumes que perfuram as narinas.
O cheiro do verde, do orvalho que não veio, do vento da chuva que ameaça, da terra adubada,
Traz outrora.

Infância de pés descalços,
Represando os rios deixados pela chuva,
Desafiando a lama que escorrega o corpo,
No inocente do barro lambuzando as vestes,
Respingando na boca,
Provocando risadas entusiasmadas,
No susto ….interrompidas pelo grito
de uma voz carinhosamente irritada.

Dormências lembrando as idades,
Recobro do tempo esquecido no dantes,
Sentindo o presente despertando,
o poeta se espreguiça, sacode os versos,
que pulam para as mãos ainda letárgicas,
Marcando com o dedo por onde a leitura continua.

GeraldoCunha/2021

Série poemamínimo – Brasil

Série títulos longos – Desbotadas cores vivas pululantes preenchem o papel invadem vida expulsam os tons pastéis para as bordas

tons pastéis
nas bordas
traçados espaços
definindo limites
régua prisional

tremer das mãos
desafiando os contornos
rompimento

lápis
carrega a cor
salta
para o papel
preenche pontilhados
em miúdos círculos
concêntricos
marejados

em algum momento
as cores
Escapam da tela
tonificam a pele
reverberando vida

GeraldoCunha/2021

Série poesia concreta- intermitências

Série sem fôlego- Felicidade não se pontua

A felicidade pode estar presa dentro de uma caixinha que se abre ao toque das sensações que envolvida em papel de seda ao abrir exala memória perfumada do que foi cativado e daquilo que o desejo almeja e sem barreiras num instante escapa

(GeraldoCunha/2021)

Série poema curto – Pelas Beiradas

Nada que começo termino
Vou guardando os poucos
As frases estão incompletas
Agonia dos pensamentos
Vou comendo pelas beiradas
Uma palavra aqui
Outra acolá
Perdidas entre os textos revisados

GeraldoCunha/2021