Série open – Passos

Passos

Se só você é quem dá os primeiros passos:
Pare!
Pense!
Continue se valer a pegada.
Se te faz sofrer
Dê um basta!
Não deixe de dar os passos,
Apenas siga noutra direção.
Cuide de você
E de quem mereça o seu tempo.
Ocupe-se de você.
Dê tempo ao ócio
Que é melhor aproveitado.
Economize os pés,
Descanse a mente,
Deixe de caminhar na direção do egoísmo,
Não sinta culpa, rejeição ou desprezo.
Sinta alívio!

Série poema curto – arranca pela raiz

Quando algo faz mal
Arranca
Cheira a raiz
Para não esquecer
E queima
Joga as cinza no mato
Amarra os cadarços
Caminhe
Não siga a trilha
Suje a sola da bota
Encharque-se
Está pesado?
Solta a boca do balão
Vento leva

(GeraldoCunha/2020)

Série experimentações – sem as vontades

sem as vontades

gostava era da conversa menorzinha no ouvido

sentindo o calor das letras juntando palavras

cócegas nos tímpanos

começava triste no fim de tudo rindo

não dava vontade de parar não

cadinho de esperança… alento!

vontades mais não preguiça curta de não falar

mãos poucas frases por terminar

emudecendo na folha

branca

sem as vontades da borracha

agonizam solidão

para as coisas do chá: conversa palavras gostava

para agora um gostar pouco

das faltas das vontades

esfria o esquecido

as palavras congelam

livros interrompidos

são só desejos pinicam faltam as vontades

hoje não! tem dias…

quando é assim jeito não

vai ficando…

amanhã talvez!

Plantando bananeira

Um poema é para ser lido pela frente, do avesso, nas entrelinhas, linha a linha, costurando as frases, emendando um a outro, remendando, de trás para frente, pelos meios, pelas beiradas, na beira de um rio, pelas margens, dentro de um barco, sem o remo, sentindo os respingos da brisa, enxugando as lágrimas, salteando palavras, pulando corda, respirando, suspirando, do começo ao fim, só o fim, só o começo, se conseguir, cantarolando, rimando, compassando, aos passos, sem tropeços, sentado, concentrado, deitado, sem dormir, se dormir, sonhando, um poema é para ser lido plantando bananeira.

GeraldoCunha/2020

Série títulos- O diabo de cada dia

Tudo que sai daquela boca
Seria cômico,
Não fosse destruidor.
E os que riem?
São os fantoches.
E os que aplaudem?
São as marionetes.
Fanatismos,
Odeio esta palavra,
Tanto quando desprezo o ódio,
Faz da língua arma,
Cegos os olhos blindados,
Pergunto se a morte dos sonhos é assim.