Fantasminha


Quando criança brincava com meu amiguinho fantasma.
Divertidas manhãs e tardes,
Boas risadas em meio a discussões sem sentido,
Que acabavam em mais risadas.
Eu cresci, ele não!
Eu continuei a brincar, ele não!
Ficou sisudo.
Criança emburrada!
Desmancha o castelinho de cartas,
Toma da minha mão o carrinho, dizendo: – éeee mêuuuu!
Para a brincadeira quando está perdendo nos dados.
Não ri mais das minhas piadas,
Que ainda são muito boas!
Fica parado, estático:
Observa, mas não vê,
Pensa, mas não fala.
Deixa tudo espalhado pelo quarto,
Eu piso, escorrego e não me irrito,
Ponho os brinquedos na caixa e vou dormir!

(GeraldoCunha/2020)