Série Visitando 2016 (tudo começou assim…) Crônicas de um sujeito sem rumo

Fazia planos todas as noites, esperando começar a realizá-los logo que o dia amanhecesse.Mas o sono não vinha, se vinha era por pouco tempo, sobrava tempo para mais reflexões.

Mais planos eram idealizados, diante da percepção de que muito ainda podia ser feito para alterar por completo aquela vida que estava ali, por tanto anos, parada, no mesmo lugar, sabotando qualquer tentativa de fazer diferente.

Amanheceu. Agora sonolento pela noite mal dormida, já não se lembra de todos os planos traçados, os poucos que se recorda pensa que podem ficar para outro dia, o sono tardio convida a ficar na cama.

Desperto, já tarde do dia, percebe que nada mudou, acordou, tomou café, ouviu a música de sempre, comeu a refeição e deitou novamente, depois de tentativas de sair daquela rotina.

Já não importavam os planos traçados na noite anterior. Dentre os poucos de que ainda se recorda, para cada um, uma desculpa para começar a colocá-los em prática mais tarde.

Com a tarde indo embora e a noite querendo se mostrar, percebe-se sem rumo. Nada fez, permitiu que a vida continuasse exatamente como está. Fez um lanche, comeu uma fruta e tomou um gole de café.

Em frente à televisão hipnotizado e sem esperança, fazendo-se acreditar que os planos não eram para hoje e que poderiam ser colocados em prática amanhã, quando aquelas desculpas já não fizessem mais sentido e outras não pudessem ser inventadas, espera por nada, até a hora de tomar um copo de leite e deitar novamente.

Anoiteceu, deitado, é hora de refazer os planos, pensar nos motivos e desculpas que impediram fossem realizados e ter esperança de que estes novos planos lhe darão um rumo diferente, mas o sono não vem.

(Geraldocunha/2016)

11 comentários sobre “Série Visitando 2016 (tudo começou assim…) Crônicas de um sujeito sem rumo

  1. Teu texto, Geraldo, me trouxe algumas lembranças. Primeira, os dias de hospital. Apenas, que não fazia planos, pensava em sair, fazer o melhor e o máximo que podia naquele momento para então depois pensar no futuro. Curioso que ainda assim, durante mais oito meses não conseguia planejar nada além de sair do câncer da melhor maneira possível. A segunda lembrança, um texto em três partes que escrevi – Martin, está no blog – que passeia sobre os tempos através de morador de rua. Enfim, gostei muito da tua palavra sensível e lúcida. Grande abraço.

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    • Primeiro obrigado pela leitura. Este texto de 2016 que busquei (naquele tempo escrevia mais em prosa, experimentava crônicas …) hoje tem outro sentido para mim, reflexo do tempo e maturidade (ou não rsrs). A persistência em sonhar, procurar experimentar o novo continua, os fracassos nestas tentativas também rsrs, não sempre! No somatório final, lucrei. E tudo é experiência, é viver. Abraço fraterno e seguimos na fé.

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  2. Ida disse:

    Tenho me sentindo assim, com certa frequência. Se não fosse o hábito da meditação, que me traz para o agora, acho que me perderia nesse mundo imaginário de vontades, possibilidades e inação. Percebi que quase sempre é fuga, seja por meio da atividade frenética impostas pelas demandas do cotidiano, seja pelos devaneios oníricos. Fuga do quê? Quando me deparo com a questão, até escrever entedia. E volto pro círculo vicioso onde me refugio de mim.

    Curtido por 2 pessoas

    • Ida, obrigado pela leitura. Concordo com você, este texto, como vou, é de 2016, mas é atual para mim, apesar de ter outro sentido hoje, quando relembro o percurso. Acho positivo no sentido do querer romper com este círculo, às vezes fuga às vezes sede de libertação. Gostei demais do teu comentário, aqui refletindo sobre! Principalmente sobreaviso parte da “atividade frenética”. Abraços 🤗

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  3. Eliana Cunha disse:

    Quantas vezes isto acontece. Muitos planos são feitos a noite enquanto o sono não chega. Quando o dia nasce são esquecidos.Que parte de nossos planos possam ser colocados em prática no dia seguinte!

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    • Disse tudo: sabotar . E como somos hábeis nesta prática não é? Mas estou aos poucos aprendendo a dar rasteira nestas “sabotagens”, tava fácil, mas possível. Resgatar estes textos de 2016 faz parte deste plano e tem dado certo, quando não escorrego e me saboto 😅.

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