A cidade dorme


Entrego-me aos devaneios da noite
E quando acordo quero voltar a dormir.
Gosto de sentir as dores da noite,
Que tumultuam meu sono,
Confundindo a realidade dos meus sonhos.
Os seres que me visitam se parecem com as sombras dos dias,
Mas tem asas de demônios,
E olhos de sangramento.
Mas não me aterrorizam tanto quanto os sombrios dos dias,
Disfarçados de anjos sem asas.
São as asas que me incomodam,
Pois podem voar e insistem em ficar por aqui.
Gostam das dores da noite,
Tanto quando eu.

(GeraldoCunha/2020)