R E A P R E N D E N D O


Estou reaprendendo
Os significados
Da amizade
Do amor
Do perdão

É doloroso
No começo
É necessário
No percurso
E essencial
Na chegada

Ressignificar
É solitário
Não é fácil
É romper
Conceitos
É quebrar
Barreiras
É desnudar-se

(GeraldoCunha/2020)

Série Open : Desimportante


Tem um momento que tudo fica desimportante.
Não há mal em ser desimportante.
São os ciclos da vida.
Ora de repensar para não despencar.
Provocar a mudança,
Para não ser provocado.

Tem pessoas que ficam desinteressantes.
Não há mal em ser desinteressante.
Sobre isto não se tem controle.
Não se põe diante do júri.
Pois não se atribui culpa.
Lamenta, aceita e segue.

O que se tem em comum
Entre o desimportante
E o desinteressante
É a possibilidade do novo

(GeraldoCunha/2020)

Sem vergonha (II) 2020


Não vou ter vergonha
De ser sentimento.
Vou chorar
Quando me emocionar!
Represei por tempos
Os meus sentires.
Vou rir
Debochadamente,
Não de você!
Mas com você
E para nós!
E nem vou lembrar
De olhar para os lados.
Não quero sorrir
Só com o olhar,
Mas com as rugas!
Sem retoques
Na fotografia.
Não vou ter vergonha
De ser quem sou
Só para não ser
A vergonha do outro!
Vou falar amo
Quando amar
Verdadeiramente.
E se achar lindo
Não vou ter vergonha,
Vou dizer ainda que
Alguém fique rubro.
Não vou ter vergonha
De ser sentimento,
Já que outro não sou!

(GeraldoCunha/2020)

Sem vergonha (I) 2018


Quero não ter vergonha de sorrir.
Quando a alternativa seria chorar.
Que me depreciem por isso.
Eu não vou ligar.

Quero não ter vergonha de gargalhar.
Quando a opção seria me conter.
Que me castiguem por isso.
Eu não vou relutar.

Quero não ter vergonha de silenciar.
Quando o necessário seria gritar.
Que me critiquem por isso.
Eu não vou questionar.

Quero não ter vergonha de mim.
Quando o outro desviar o olhar.
Que me respeitem por isso.
Eu não vou me julgar.

Quero não ter vergonha alheia.
Quando outros assim se comportarem.
Que eu também os respeite por isso.
Eu não vou julgar.

(GeraldoCunha/2018)

Série: Visitando 2016 (tudo começou assim…) – Lá pelas tantas…


Lá pelas tantas não sabia se queria voltar.
Fui longe demais.
Vi, ouvi e falei pelo caminho.
Não era mais o mesmo desde que tudo começou.
Nunca se é.

Fui triste, alegre, indiferente e foi como deixei de ser, para ser outro eu.
No trajeto sempre surgia a dúvida entreve seguir e voltar.
A opção foi sempre seguir, mesmo quando tudo indicava que o melhor era voltar.
Recuei algumas vezes, mas nunca ao ponto da partida.

Recuar parece voltar, mas não é.
Voltar é desistir daquele caminho e não seguir outro.
É ficar.
Recuar é parar, tomar fôlego, avaliar estratégias e escolher entre ir para aquele mesmo lado ou seguir outro, sempre em linha reta.

Encontrei atropelos, resistências físicas e psicológicas minhas e de outros que faziam parte do trajeto.
Sentei um pouco, sem recuar, analisei, assimilei e me curei, para seguir.
Não foram poucas as vezes que estava só, noutras queria estar só.

Quantos também foram os momentos em que, acompanhado, sorri e chorei, ofereci o ombro e fui acalentado.
O caminho desde a partida tem sido longo.

Talvez tenha percorrido a metade do que me foi destinado.
Ou um pouco mais.
Vai saber.
Isto, se um dia foi importante, não mais é.

(GeraldoCunha/2016)

Cá fé


(Este café teve a gentil companhia de Eliana Cunha, irmã/amiga e assídua leitora 🙏🏼)

Nas manhãs
Bebida quente
Para aquecer o dia
Uns preferem café
Outros vão de chá
Há aqueles etílicos
Não os julgo
Prefiro café
Que trás fé
Para cá

(GeraldoCunha/2020)

Série Poema Curto: saudade é para o além


Quero ser saudade para só depois da morte.
Não me enterre vivo dizendo da saudade se estou aqui.
Saudade é não poder tocar
E ter de se contentar em abraçar uma fotografia.
Chore saudade somente sobre minha lápide fria.

(GeraldoCunha/2020)