Poema falso


Minha tristeza é fingimento
Assim como é minha alegria
Disfarço-me de dor para suportar
Pinto o rosto para me esconder
E a lágrima é apenas um borrão
Tinta seca escorrida à mão

Trago no sorriso uma ilusão
Forjada pelos músculos
De quem não quer se mostrar
Mas que se revela no olhar
Confessando a solidão
Dissimulada pela extravagância

Sou essa falsa lembrança
Uma mentira inteira contada
Sem qualquer constrangimento
Que se torna uma e meia verdade
Roupa esquecida no camarim
Aos poucos ficando desbotada

Sujo de histórias o lenço envelhecido
Umedecido não pelas lágrimas
Mas pela farsa que construí
E o que vejo não sou mais eu
Uma palidez sem reflexo na luz
Depois de representar mais um espetáculo

(GeraldoCunha/2019)