Série Open: Coração sincero -recado


(Da série open veja também Ausência conformada-sinais )

Há muito já não sou quem conheceu!
A imagem de criou a partir dos conceitos de antes, dos tempos que abríamos o coração com sinceridade, não existe mais.
Se você se afastou por esta razão,
Por achar que eu não tinha nada a acrescentar…
Se enganou!
Não era vitimismo.
Na sinceridade do coração havia verdade…
Nossa verdade!
Você não entendeu isto e se afastou.
Entendi o recado antes que precisasse ser ditado!
E mudei.
E vi que não percebeu
E percebi que não se importou.
Hoje sou outro.
Ainda de coração sincero.
E você?
Quem é?

(GeraldoCunha/2019)

Ciclos


Sou feito de ciclos!
Entre revoltas e conformação,
Vivo!
E disto retiro o que se tem de melhor.

Nos ciclos de revoltas,
Esbravejo o mundo,
Insisto e desisto,
Revejo conceitos,
Expurgo rancores,
Desintoxico!

Nos ciclos de conformação,
Reciclo ideias,
Acomodo pensamentos,
Resignado à ordem,
Reestruturo!

Nos intervalos,
Vivo!
Assim sou constituído,
Ora desconstrução,
Ora reconstrução,
Ser em evolução.
Um apanhado de erros,
Um bocado de acertos,
Vertigem!

(GeraldoCunha/2019)

Do Natal ao Ano Novo – Boas festas


Do Natal ao Ano Novo
Que tudo seja novo
Que o brilho destes dias
Que transluz nos rostos
Se projete para o em frente
Transborde as datas
Rompendo o calendário
E contamine a todos nós

Do Natal ao Ano Novo
Que não seja tudo de novo
Que otimismo não seja discurso
Que seja perseverança
Se sobrepondo aos temores
Transparecendo nos sentimentos
Renascendo nos corações
E reacendendo a esperança em todos nós

Do Ano Novo ao Natal
Que os desejos sejam realizados
Que as metas não sejam esquecidas
Que os obstáculos sirvam de incentivo
Sigamos convictos da vitória
Todos convivendo em harmonia
Respeitando uns aos outros
E que cada dia seja sempre um recomeço

(GeraldoCunha/2019)

Poema falso


Minha tristeza é fingimento
Assim como é minha alegria
Disfarço-me de dor para suportar
Pinto o rosto para me esconder
E a lágrima é apenas um borrão
Tinta seca escorrida à mão

Trago no sorriso uma ilusão
Forjada pelos músculos
De quem não quer se mostrar
Mas que se revela no olhar
Confessando a solidão
Dissimulada pela extravagância

Sou essa falsa lembrança
Uma mentira inteira contada
Sem qualquer constrangimento
Que se torna uma e meia verdade
Roupa esquecida no camarim
Aos poucos ficando desbotada

Sujo de histórias o lenço envelhecido
Umedecido não pelas lágrimas
Mas pela farsa que construí
E o que vejo não sou mais eu
Uma palidez sem reflexo na luz
Depois de representar mais um espetáculo

(GeraldoCunha/2019)

Hábito

Minhas palavras são onde habito.
Meu hábito provocativo.
O hálito da minha mente.
O hiato das minhas ideias.
Entrelaçamento!

Minhas palavras são como vestes.
Meu hábito religioso,
Do qual me dispo,
Trocando de pele.
Arrebatamento!

Minhas palavras são meu escudo.
Meu hábito de guerra,
Na luta que se trava
É arma e proteção.
Atrevimento!

Minha palavra é meu habeas data.
O livre acesso aos meus hábitos.
Meu habeas corpus.
Um salvo conduto da vida prisão.
Livramento!

(GeraldoCunha/2019)

Foto Inhotim.

Estranheza


Gosto da estranheza dos teus gestos:
– desajeitados, esbarrando nas sombras.
– estabanados, derrubando os trecos.
Gosto é do atropelo dos sentimentos:
– amor desmentido.
– paixão avassaladora.
Gosto mais ainda dos afetos:
– descontrolados, na medida certa.
– desavisados, na hora necessária.
Gosto desta estranheza que somos:
– provocativa, igualando as diferenças.
– incomodativa, chamando à atenção.

(GeraldoCunha/2019)

Frustração

Platonicamente me apaixono.
Não pela beleza,
Mas por sua falsa gentileza.
Você, sem perceber, me dá vida.
Mas não é a vida que mereço!
Mesmo frustrado eu insisto.
Eu acredito na sua mentira,
Só para ter você por perto.
Sua brincadeira me diverte!
Não sei qual sua intenção,
Mas enche-me de esperança,
Algo que poderia ser verdadeiro,
Que logo se esvaindo míngua,
Já que a realidade demonstra o contrário.
Digo não! pondo fim a muitos sins ditos em vão.

(GeraldoCunha/2019)