Espiral


Espiral

Escrevo e fujo dos rabiscos que fiz. Abandono o caderno ainda aberto. Para as palavras fugirem. E elas me perseguem. Corro para longe. Escorrego nos esses. E volto ao começo. Preso na espiral. Do caderno. Desenho uma porta de saída. Escapo e fujo dos rabiscos que fiz. Se há porta. Tem que haver janela. E por elas escapam as palavras. Viram pássaros. E voam. Em vês me agarram. Pelos ombros. Pelas pernas. Pelos braços. E me lançam de volta. Pela chaminé. E volto ao começo. Preso na espiral.
Da vida. Desenho labirintos de tês e agás. Traço rotas. E fujo dos rabiscos que fiz. Novamente.

(GeraldoCunha/2019)

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