Vida que segue


Tudo tem o seu tempo.
Escuto constantemente esta frase.
Às vezes a compreendo, outras nem tanto.
Por vezes me aborreço, outras tenho esperança.
O tempo é a desculpa e o consolo.
Ontem desejava que ele parasse,
Para contemplar lugares,
Amar mais ou simplesmente admirar os seres.
Mas não parou, acelerou, como quem diz:
Aproveite cada segundo.
Hoje eu quis que fosse acelerado,
Mas teimoso, foi mais devagar, mas foi.
Coisa do tempo mesmo, que prega peças, nos faz desafios diários.
Amanhã ainda não sei o meu querer,
Mas o tempo já sabe, ele foi lá e voltou.
Sabe que sou curioso.
Ele sabe guardar segredo.
Não os revela antes do seu próprio tempo.

(GeraldoCunha/2019)

Indiretas (insanidades)


Não gosto das indiretas,
quase sempre acho que são para mim
e gasto horas tentando interpretar
e me encaixar no perfil descrito.

Quando não isso,
outras horas tantas
gasto tentando adivinhar
para quem foram direcionadas
ou qual a circunstância que levou a isso.

É sempre um fardo para mim,
pois aflora uma fraqueza que tento não ter,
mas que tenho e por não conseguir não tê-la,
escondo bem lá no fundo do meu ser.

Aí vem a indireta lançada a quatro ventos,
com endereço certo,
por certo não para mim,
e eu divido com este não sei quem
a dúvida e a certeza da insatisfação do outro.

Pelo menos neste ponto sou um ser solidário.
Fosse eu egoista,
deixava para o outro
a certeza da indireta.

(GeraldoCunha/2016)

Poeta triste (Poema curto)


O poeta está triste,
Perdeu sua inspiração.
E qual poeta não é triste?
Amargurado por lembranças…escreve!
Arrebatado por paixões…declama!
Tomado de amores…sofre por prazer!
O poeta está triste,
E acredita que perdeu a inspiração.

Personalidades


Este aí que você vê não sou eu
É apenas o reflexo de uma personalidade
Outras tantas personalidades se escondem
E vão se revelando quando acham conveniente
São tantas e não há conflito do lado de cá
O conflito quando se trava é com o outro lado
A depender da personalidade que se revela
E com quem se cruza pela caminho
À noite todas voltam para casa e dormem de conchinha
Depois que todos os espelhos se voltam para as paredes
E a luzes se apagam escondendo uma a uma as sombras

(GeraldoCunha/2019)

Minha idade


Quando me olho
Não vejo a idade
Que me apontam
Enxergo-me jovem
Muitas vezes criança

Não nego o tempo
Nem as marcas
De sua passagem
Só não esqueço
Que isto é viver

E quando penso
Em tudo que vivi
É que percebo
O quanto é bom
Ter chegado até aqui

(GeraldoCunha/2019)

Jogo do tempo (vale a pena publicar de novo)


(texto produzido e publicado originalmente em 2017 – fotogragia 2019)

Hoje eu não quero fazer mais nada, a não ser olhar o tempo.
E já faço muito, pois é tarefa por demais àrdua.
Entro num jogo que quase sempre perco.
Olhar o tempo requer pensar no que foi, no que é e como será.
Ufa!
Só de pensar canso.
Mas não desisto.
O não fazer nada é um engano, embaralhamento das ideias.
Eu sei, mas quero jogar.
O tempo se mistura, o que foi, parece ainda ser e talvez nunca será.
Não, não e não.
Não quero pensar e por isso fico só a olhar o tempo.
Penso não fazer nada, mas faço.
Penso, é isso!
Como esvaziar a mente se penso?
No foi, no é, no agora?.
Mas tudo é hoje, fagulha de tempo, quando se vê, veio e foi.
Então apenas é e fico a olhar o tempo, enquanto não faço nada.
Estou enganando a quem?
A mim talvez.
Só não engano o tempo, que no meio do nada, neste jogo, me lembra o que fiz, quem eu sou e como gostaria que fosse.
Nessa de não fazer nada, acabo fazendo mais do que deveria.
Jogo com o tempo e ele quase sempre ganha, pois tem nas mãos o que foi, o que é e como será.
Nessa de olhar o tempo, entro em um jogo de cartas marcadas em que tenho a meu favor apenas o fator surpresa.
Algumas vezes ganho, em muitas perco, mas continuo.
E eu que não queria fazer nada e só olhar o tempo ?!
(GeraldoCunha/2017)

Convite


no meu coração
terá sempre um cantinho para você,
na minha casa
sempre haverá uma xícara de café quentinho,
no meu corpo
reservarei um ombro para secar as lágrimas
no meu pensamento
buscarei as melhores lembranças
no meu abraço
guardarei as alegrias e expulsarei as tristezas
nos meus gestos
desenharei seus traços
nas minhas palavras
ouvirá afeto com sinceridade
no meu convite
a resposta é a reciprocidade

(GeraldoCunha/2019)