Alto-falante


(Ensaio/experimento da Oficina O Cinema da Escrita)
Sentando na varanda. Ouve-se um som contínuo de um alto-falante. Alguém aos berros. Como se precisasse do equipamento. Levanto a cabeça. Posiciono os ouvidos de um lado. Nada. Vou para outro lado. Ainda não se entende. Não se sabe o que grita. Mas não para. Neste tempo de ajeitar os ouvidos pensa-se em tudo. Pode ser uma passeata. Há muitas nos dias de hoje. No passado também havia. Não. Não é. Não são palavras de protesto. O livro foi abandonado na poltrona. Insisto em ouvir. Ele em gritar. Não é o músico do prédio de frente. Não ouço violino. Quando há música sempre há violinos. E piano. Não. Não é. Acostumados os ouvidos. Escuto: “olha os morangos, morangos graúdos, quem vai querer, 3 por 10, tá barato freguês”.

(GeraldoCunha/2019)

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