Foi-se gota d’àgua


O rio jorrava em abundância
Sedento secava a sede
De tanto minado
Pouco cuidado
Rasando
Secou!

Foi-se água gota a gota
D’gota que brota
Não tanto jorra
À minguada
Em sede
Secou!

Dos olhos vertiam lágrimas
Saudosos os desejos
Secando a face
De tanto choro
Regrando
Secou!

Foi-se lágrima gota a gota
Aromas à taça girada
Escorrida em filetes
Sorvidos goles
Degustada
Secou!

(GeraldoCunha/2019)

Solitude


Solidão.
Conversar
E não ser compreendido.
É não falar a mesma língua!

Escuro.
Andar
E não sentir olhares.
É ser invisível na multidão!

Deserto.
Abraçar
E não sentir o calor.
É estar junto sem estar!

Vazio.
Desnudar
E sentir-se coberto.
É ser o que não é para ser!

Desalento.
Esperar
E não querer ninguém.
É não suportar o só!

Exílio.
Procurar
E se comentar com o travesseiro.
É não alcançar o ombro amigo!

(GeraldoCunha/2019)

Bagunce tudo e fique


Vem me tirar da zona de conforto
Desorganize minhas ideias
Traga malícia para meus pensamentos

Desarrume meus cabelos
Coloque conhaque no meu café
E não me conte

Revire minhas gavetas
Descubra meus segredos
E seja cúmplice

Desabilite todas as estações
Ache a música que nos ponha em sintonia
Sufoque meu ser com a melodia

Bagunce a minha vida
A ponto de me irritar
Mas fique

(GeraldoCunha/2019)

Caótico


Entrego-me
Aos caos
Da minha calma
Despeço-me
Da minha alma
Pois a mim atordoa
Preciso da calma

Invado as ruas
E me projeto
Da minha calma
Desprendo-me
Da minha alma
Sem pressa de regressar
Preciso do caos

Reviro o lixo
À procura
Da minha calma
Desfaço-me
Da minha alma
Não encontro
Preciso da alma

Visto-me
Da desordem
Da minha calma
Sucumbo-me
Da minha alma
Perdido no caos
Preciso me encontrar.

(GeraldoCunha/2019)