Vacilo de amor


Vacilo de amor

Abri a porta para que entrasse,
Não entrou, nem da soleira se aproximou.
Lá de longe só observou,
Titubeou, vacilou.
Não foi!
Era para ser?
Não sei Eu.
Não sei Você.

Tinha puxada a cadeira para que se sentasse,
Não se sentou, nem o umbral atravessou.
A varanda escureceu!
Não insisti, desistiu.
Não foi!
Era para ser?
Não tentei Eu.
Não tentou Você.

E na soleira descansa um tapete de boas vindas.

(GeraldoCunha/2018)

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Dor suprema

Roupa que sufoca
Rasgada junto ao corpo
Arranhadas unhas em carne
Amargura sem pudor

Móveis arrastados
Peso que não suporta
Costas em autoflagelo
Suplício sem amor

Copos quebrados
Coração que despedaça
Estilhaço que perfura
Espera sem chegada

Pratos atirados
Parede que escorre
Vermelho que sangra
Partida sem largada

(GeraldoCunha/2018)

Atrevo quatro folhas

Ando pouco inspirado
Por isto suspiro
Por isto respiro
Por isto aspiro
Por isto piro
Giro rodas

Motivação não vem
Por isto bravejo
Por isto escrevo
Por isto atrevo
Por isto trevo
Quatro folhas

Sorte me alcança
Por isto esperança
Por isto confiança
Por isto aliança
Caso palavras

(GeraldoCunha/2018)

Foi-se assim

Foi-se percebendo,
Não se entendia.
Nos encontros tão esperados,
A conversa não era a mesma,
Os diálogos foram-se…
Ficando cada vez esparsos!
Já não nos falávamos tanto
E quando falávamos …
Parecia compromisso agendado.
De conversas intermináveis ao telefone,
Foi-se restando intervalos…
De silêncios constrangedores!
As frases não se completavam,
As piadas não se compreendiam,
Os compromissos desmarcados,
E foi-se assim…
Aos poucos indo-se embora!
Até nunca mais sermos vistos.

(GeraldoCunha/2018)

Deixa-me partir


(Gostou? veja também Poema furtado)///…
Amarra-me os pés ao chão,
Se não me queres a voar,
Minhas asas insistem no bater.
Se me queres preso eu quero é voar!

Ata-me as mãos às costas,
Se não me queres soltar,
Meus punhos insistem no recusar.
Se me tens amarrado eu quero é libertar!

Cega-me os olhos à venda,
Se não me queres a enxergar,
Minhas vistas insistem no olhar.
Se me queres cego eu quero é sonhar!

Cala-me a boca à mordaça,
Se não me queres a contestar,
Minhas palavras insistem no escapar.
Se me queres mudo eu quero é cantar!

(GeraldoCunha/2018)

Poema do abrandamento


(Gostou? veja também Nessa de não ter tempo)//…
Te transformei em poesia
Para abrandar a saudade
Por não ter para onde voltar
Para tornar a acreditar
Quebrei lápis para suportar

Te transformei em poesia
Para sentir em meu tato
Por não ter a quem tocar
Para poder de novo afagar
Rasguei folhas para aliviar

Te transformei em poesia
Para não esquecer o cheiro
Por não ter como respirar
Para me sentir no inexplicável
Apaguei palavras para recomeçar

Te transformei em poesia
Para desviar da tristeza
Por não ter modo com a dor
Para voltar um dia a sorrir
Molhei as páginas para o tempo secar

(GeraldoCunha/2018)

Estrofe

O amor sabia
Eu sábio
Eu sóbrio
Eu assobio
O amor cabia

(GeraldoCunha/2018)