Poema ao vazio


Não ouço passos na varanda
Sua voz silenciou meus ouvidos
Não vejo sombras pela janela
Meus olhos não conseguem te alcançar
Não tenho forças para reagir
Só o vazio a ocupar lugar

Escuto o vento lento soprar
Nele não tem a sua voz a me chamar
E no balanço ninguém a brincar
Abandonado sob a árvore a sucumbir
Não tenho forças para gritar
Só o vazio escuta o chamado

Vejo pela fresta o silêncio sem cor
E folhas secas que se quebram
Sob passos invisíveis que circulam
E o vento arrasta os galhos para perto
Não tenho forças para fugir
Só o vazio oferece abrigo

(GeraldoCunha/2018)