Espiando a madrugada


As cidades dormem
Não os que habitam
Luzes que acendem
Corpos que debruçam
Vagalumes

Os prédios dormem
Não os que ruminam
Fumaça que inalam
Pensamentos que evaporam
Insones

As ruas dormem
Não os que perambulam
Luzes que apagam
Corpos que movem
Zumbis

As esquinas dormem
Não os que espreitam
Fumaça que dispersam
Pensamentos que vagam
Sentinelas

(GeraldoCunha/2018)