Momento que chega


(Gostou? veja tambēm Sobre não mais)///.
tudo que não queria agora é fugir
fugi o quanto pude
sabia que chegaria neste ponto

tudo que quero é ter coragem
é momento que chega
há um tempo que não desacelera

tudo que não posso agora é me distrair
distrai com coisas que não me fizeram esquecer
sabia que chegaria até aqui

tudo que quero é ter foco
é momento de sem espera
há espaço para seguir

tudo que não pretendo é me afastar
afastei de todos por proteção minha e deles
sabendo que chegaria o momento

tudo que quero é estar presente
é momento de entrega
há um mundo de possibilidades

(GeraldoCunha/2108)

De repente saudade


(Gostou? veja mais sobre saudade…Tributo a um amigo)///.
De repente não fazia mais sentido,
Era só sua ausência que gritava,
Nada mais havia para se preocupar,
Não mais quem cuidar.

De repente todo um tempo virou saudade,
Era só um silêncio que ensurdecia,
Nada preenchia aquele espaço,
Não tinha mais onde se apegar.

De repente nada mais se via,
Era só lembrança no escuro,
Nada mais iluminava aquele lugar,
Não tinha mais para aonde olhar.

De repente é tempo de aceitar,
Era sentido de não se desapegar,
Nada mais justifica assim ficar,
Só saudade boa que se quer lembrar.
(GeraldoCunha/2018)

Poema enclausurado


(Gostou? veja também Poema da esperança )///.
Preso em meus pensamentos
Sem conseguir me guiar
Vejo esquinas que seduzem
Mas não levam a nenhum lugar
Observo ruas indicando saídas
Rumando sem qualquer direção
Não há semáforos a orientar
As luzes piscam insistentes
E confundem se é seguir ou ficar
As placas brincam de aqui acolá
E nesse balé esquecem de organizar
Servem mesmo é para desorientar

Enclausurados os pensamentos
As palavras começam a congestionar
Desordenadas não encontram o seu lugar
Vão sendo deixadas nas calçadas
Ou simplesmente se perdem no ar
As poucas frases que se querem formar
Logo se desesperam e se põem a evaporar
É trânsito impedido para todo direcionar
O que resta é no meio-fio sentar e meditar
Ir catando as palavras que teimosas querem ficar
Ter perto uma sarjeta para os maus pensamentos escoar
Pegar uma caneta e um papel e começar a poetizar
(GeraldoCunha/2018)

Calma


(Gostou desta viagem? entao veja Vale da lua)///.
Alma
Calma
Acalma

Olhe
Acolhe
Colhe

Ousa
Pousa
Repousa

Acalenta
Alenta
Lenta

(GeraldoCunha/2018)

Visceral


(Gostou? veja também Porta-retratos)///.
Tem que ser a amizade,
Daquela que não foge dos segredos,
Aquela que captura segredos,
Que enterra segredos.
Intensa na medida!

Tem que ser o amor,
Daquele que resiste ao tempo,
Aquele que bagunça o tempo,
Que se perde no tempo.
Intenso na dosagem!

Tem que ser a vida,
Daquela que insiste na teimosia,
Aquela que resiste à teimosia,
Que é teimosa.
Intensa na persistência!

Visceral,
Que não seja metade,
Que não seja vazio,
Que não seja derramado,
Que tenha a medida exata!

(GeraldoCunha/2018)

Tântrico


(Gostou?bveja também Tranque a portar ao entrar)///.
Suave toque na pele
Digitais a tatuar
Dedilhando traços e círculos
Percorrendo todo o corpo
Desenhando sensações
Ao arrepio que estremece
Prolongando desejos

Suave respirar
De total entrega
Em delicados movimentos
Ar que penetra profundo
Preenche espaço e purifica
Relógio imaginário
Tempo que se conta em sussurros
(GeraldoCunha/2018)

Vazio


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Silêncio que ensurdece
Olhar que não se encontra
Voz que não se lamenta
Espaço que não se preenche
Solidão que não se suporta
Coração que se arranca com a mão

Quero som de surdos
Quero vista de infinito
Quero palavra subentendida
Quero ocupar o nada
Quero companhia
Quero de volta este coração

(GeraldoCunha/2018)

Carona em um sorriso


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Peguei carona no seu sorriso
Já não suportava ficar aqui
Entre bocas destilando dores
Respirando tristezas alheias
Amargurado só a esperar
Acomodado sem sair do lugar

Quase nada levei na mochila
Do pouco que acumulava
Muito era tristeza achada
Amargura concentrada
Desânimo alimentado
E para isto não tinha espaço

Entre tantos trecos abandonados
Escolhi um sorriso a carregar
Que custei a encontrar
Mas que lembrava existir
Que tão pouco foi utilizado
Mas com data de validade infinita

(GeraldoCunha/2018)

Haikai 3


(Gostou? veja também Sem indiretas 3)///
Felicidade
Medida em momentos
Compartilhada
(GeraldoCunha/2018)

Divagação 73

Tanto as coisas boas quanto as ruins ficam no passado que é túmulo. Não voltam, o que voltam são apenas as lembranças. Eu? Optei por lembrar só das boas e manter enterradas as ruins, ainda que algumas sejam insistentes e escapem do túmulo. 


(GeraldoCunha/2018)

Lágrimas derramadas


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As lágrimas que escorrem calmamente,
São como nascentes que vão secando,
São como rios que vão morrendo,
São como oceanos que vão se retraindo.
Escorrem até não mais!

As lágrimas que umedecem meu rosto,
São como orvalho em manhãs de frio,
São como cristais que revelam emoções,
São como brisa soprando a beira-mar.
Umedecem sem explicação!

As lágrimas que molham a fronha,
São como vento que corta a face,
São como gelo que derrete ao sol,
São como faca que perfura a alma.
Molham rejeitando acolhimento!

As lágrimas que encharcam o travesseiro,
São como gotas de chuva formando poças,
São como lagos que transbordam nas cheias,
São como enchentes de sentimentos.
Derramam absurdas sem qualquer razão!

(GeraldoCunha/2018)

Quando foi que você me perdeu


(Gostou? veja também Não me lembro da sua voz)///
VOCÊ ME PERDEU nos detalhes que não percebi.
QUANDO foi mais cômoda a minha negligência,
EU achava que era apenas exagero.
TE ABANDONEI aos poucos!

VOCÊ ME PERDEU nos sinais que ignorei.
QUANDO foi mais importante a minha insipiência,
EU não imaginava que estava a magoar.
TE ABANDONEI ao acaso e por descaso!

VOCÊ ME PERDEU nos gestos que não suportei.
QUANDO foi mais relevante a minha crítica,
EU não me preocupei em agradar.
TE ABANDONEI por pura arrogância!

VOCÊ ME PERDEU nos sentimentos que não correspondi.
QUANDO foi mais confortável a minha indiferença,
EU fingia que estava tudo bem.
TE ABANDONEI por incompreensão!

(GeraldoCunha/2018)

Já não estávamos mais! – reeditado


(Gostou? veja também Jogo do tempo)///
Quando percebemos havíamos nos abandonado
Não sei mais quem foi embora primeiro
Certo é que fomos nos distanciando
A cada ausência injustificada
A cada telefonema não prontamente atendido
A cada silêncio mal interpretado
Aquilo que era inteiro virou metade
Foi se esvaindo
Até desaparecer
Já não sentíamos ou fazíamos falta
Ficamos ali
Cada um em seu canto
Feito lembranças empoeiradas!

Não mais importavam as justificativas pela ausência
As desculpas por não atender prontamente o telefone
Ou as tentativas de explicar o silêncio
Nos abandonamos
Antes queríamos sempre próximos
E não havia barreiras de comunicação
Ou obstáculos que não enfrentássemos juntos
Tudo era leve
Ou ficava mais leve quando estávamos juntos
Já não estamos mais!

Não voltaremos mais
O que foi abandonado que fique
Pois já não nos satisfazia
Não nos complementava
Não era verdadeiro
Somos estranhos conhecidos
personagens de uma história que passou
E agora só retratada em vagas lembranças
Não sei mais se vivenciamos tudo aquilo
Ou se foram excertos de poemas
Ou poesias que povoavam nossas mentes
Havia música onde hoje há silêncio!
(GeraldoCunha-originalmente publicado/2016)

Flutue


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Flutue no ar
de olhos fechados
com os pés no chão.

Respire sem pensar
solte as asas
comece a decolar
Soltando os pés do chão.

Faça das mãos asas
e voe sentindo o ar
com os pés no chão.

Baile a plainar
Sinta o perfume no ar
Agite as asas
Voe sem sair do lugar.

(GeraldoCunha/2018)