Poema urbano


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Não se ouve mais o cantar,
É pássaro que voou pra longe;
É vento que deixou de soprar;
É manada invadindo o lugar;
É celular que não para de chamar.
Somos nós.

Só se ouve o ruído das máquinas,
São campos tomados por asfalto;
São árvores tombadas por concreto;
São gritos assombrados no ar;
São armas disparando sem avisar.
Somos nós entregues à própria sorte.

Não se vê árvore a frutificar,
É água que não quer parar de afogar;
É fogo que não quer cessar de queimar;
É multidão sem lugar de morar;
É flor de plástico a enfeitar.
Somos nós.

Só se vê carros a transitarem,
São combustíveis a inspirar;
São buzinas a incomodar;
São pessoas a se atropelarem;
São painéis a nós cegarem.
Somos nós a nos viciarmos.

Não se sente mais os pés a pisarem,
É terra que não para de tremer;
É mar que só quer revoltar;
É população que só quer reclamar;
É negligência por todo lugar.
Somos nós.

Só se sente pessoas se amontoarem,
São casas suspensas a se suportarem;
São calçadas invadindo os mares;
São esgotos a se misturarem;
São condomínios particulares.
Somos nós a nos socializarmos.
(GeraldoCunha/2018)