Saudade é não poder voltar


(Gostou? veja também de 2014: impuro e virtuoso)
É sombra que não se alcança.
Fumaça que se dissipa com o vento.
É vento que sopra o arrepio na nuca.
Calafrio em quarto escuro.
É desejo que não pode ser atendido.
Realidade escapando entre os dedos.
Uma cama vazia.

É sentir a presença na ausência.
Reflexo abandonando o espelho.
É roupa suja que foi largada.
Passos que vão sendo apagados.
É silêncio que se ouve mais que grito.
Murmúrios que se vão abafando.
Uma porta trancada.

É angústia pelo que não foi dito.
Arrependimento que não permite o perdão.
É uma toalha sobre a cama molhada.
Espelho ainda embaçado.
É solidão depois de uma madrugada.
Liberdade de quem não se quer liberto.
Um chaveiro deixado.

É explosão contida de sentimento.
Garrafa pela metade.
É fogueira que queima sem chama.
Lareira com fogo apagado.
É olhar que se fixa no teto.
Pergunta sem resposta sem nada.
Um copo estilhaçado.

É mensagem não respondida.
Poema não compartilhado.
É palavra nunca lida.
Papel embolado jogado.
É não sentir o chão com os pés.
Rosas esparramadas na escada.
Um vaso quebrado.

(GeraldoCunha/2018)

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27 comentários sobre “Saudade é não poder voltar

  1. Eu iria comentar é muito vazio, quase surtei lendo, e ai vi o comentário, deu um aperto, mas é reflexivo o testo, profundo e intenso: “É fogueira que queima sem chama.” “É mensagem não respondida.” “Poema não compartilhado.”… Triste, profundo, intenso e ao mesmo tempo indiferente, pois na verdade, nada faz sentido ao ponto de vista externo, o que importa é vivermos e sentirmos, o sentimento alheio, não é relevante para quem sente, apenas se você viver pelo sentimentos dos outros, mas ai sim, eu teria pena da pessoa, pois eu vivo para mim, para meu sentimentos, escrevo para mim, não para os outros, embora muitas vezes escrevo pelos outros, cara, eu por muito tempo só tava escrevendo, agora terminei de escrever um release de um livro, que parei para ler o blog do pessoal, gostei muito do seu blog, continue ele me inspirou.

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    • Henrique, obrigado! Confesso que não tenho uma técnica específica. Vou muito pela intuição e emoção do momento. Por isso tenho um pouco de receio de estudar a fundo técnicas e perder esta naturalidade e simplicidade da escrita que tanto gosto, entende? Penso muito sobre isto, não sei se estou certo ou errado, enfim… Gosto muito de usar sarcasmo (quando o tema pede e eu consigo rsrs) e figuras de linguagem, para que seja leve, mesmo quando o tema pesa. Sobre processo de criação, tem um filme muito legal sobre poesia que expressa o que estou dizendo e que recomendo (foi indicação de um amigo aqui do WordPress): Paterson (já viu?). Um conselho que dou para mim mesmo é ter paciência (dar tempo) entre o escrever (construir a ideia geral e o resultado que se quer) e publicar…Abraço e grato por este Feedback.

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      • Henrique Parente disse:

        Entendo bem essa linha tênue entre técnica e inspiração. Eu costumo escrever sempre no mesmo horário, no mesmo local tomando café e fumando um cigarro. Depois de escrito só reviso a parte gramatical mas o texto não altero mais. Se pensar muito na técnica perde a essência. Vou ver o filme obrigado pela dica

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