Poema da arrogância

Como se atreve…
A partir sem pedir licença.
A sair sem deixar aviso.
A fugir sem olhar para trás.

Como se atreve…
A não se calar.
A não esperar cicatrizar as feridas.
A não apagar os rastros.

Como se atreve…
A clamar por liberdade.
A desistir de lutar.
A buscar por dignidade.

Como se atreve…
A não sucumbir aos clamores.
A não respeitar as vontades.
A não se escravizar pelos desejos.

Como se atreve…
A romper o silêncio.
A expor as amarguras.
A escancarar as dores.

Como se atreve…
A não se contentar com os restos.
A não implorar submissão.
A não suplicar perdão.

Como se atreve…
A abandonar o desconforto.
A acordar para a vida.
A lutar pela felicidade.

(arrogância: qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros – Dicionário Online de Português)

Seguir o caminho – reeditado

Quis uma razão para voltar e reencontrar você.
Não encontrei.
Há caminhos sem volta.

Vou encontrar outro você.
Por um tempo me acompanhará na direção que sigo.
A distância a percorrer só o tempo definirá.

Longo ou curto o trajeto,
Seremos companhia,
Às vezes alegria, às vezes tristeza, mas sempre superação,
Até o momento e a necessidade de tomarmos rumos diferentes,
Se houver essa necessidade.

Assim é na vida e nas amizades.
Às vezes é preciso parar para deixar o outro seguir.
Às vezes é preciso seguir deixando o outro para trás.
Para este desapego há a saudade e as lembranças.

Gostar é não ter o sentimento de posse.
É praticar a liberdade sua e do outro.
É deixar partir quando não há razão para ficar.

(GeraldoCunha/publicado originalmente em 05/2017)

Informativo: esta categoria tem como objetivo reeditar poemas, poesias e textos que foram ficando esquecidos, mas que são muito importantes para mim e que gostaria de compartilhar com mais pessoas. Gratidão sempre!