Não me lembro da sua voz

Não escuto mais as vozes, sinto sua falta, as conversas não têm mais sonoridade, a não ser o sussurrar das teclas, nao se houve o sentimento.
As palavras estão frias e não há pontos de exclamação, reticências, interrogações ou símbolos que as devolva o verdadeiro significado.
Significado que podia ser sentido ao longo das breves ou longas conversas ao pé do ouvido, ainda que à distância.
Se antes tinha o aconchego daquela voz amiga para acalmar, dar esperança ou simplesmente confortar, hoje já não tenho.
Se antes tinha a risada, a gargalhada e o soluçar que se seguia a uma piada contada, hoje já não tenho.
Se antes esperava ansioso aquele retardatário a desejar votos de felicidade, hoje já não espero.
Restam umas poucas palavras, economicamente escritas, às vezes substituídas por símbolos, muitas vezes indecifráveis, e com isso teria que me contentar.
Só se ouve o silêncio das vozes, que, uma a uma, vão se perdendo ou sendo substituídas.
Não reconheço mais as vozes.
Sinto sua falta.
Não me contento apenas com o sussurrar das teclas, elas nem sempre são capazes de transmitir o que verdadeiramente estamos sentindo.
(GeraldoCunha/2017)

Tranque a Porta ao Entrar

Novela da Vida Real – Uma ficção …FIM (que poderá  ser um começo)

CAPÍTULO FINAL

Dizendo-se já com saudades, foram dormir, …apaixonados… . Entre um “oi”, um “olá”, um “estou com saudades” acompanhado de um “eu também” as semanas foram passando. Padaria, semáforo, coletivo, vitrine, biblioteca e o rotineiro “boa noite”. Confortáveis naquela relação, chegou um momento em que não conversavam mais, naquele vazio tiveram tempo de, ao atravessarem a rua, trocarem olhares discretos e tímidos sorrisos, mais foi só, sempre seguiam cada um seu rumo. Desesperançosos e desacreditados perceberam que, apagadas as conversas, não restavam lembranças, sem rostos definidos, aquele romance parece nunca ter existido, sobrou tempo para o amor real, que poderia estar naquela padaria ou mesmo no coletivo ou quem sabe entre as prateleiras da biblioteca, à distância apenas de um “oi”.

***F I M***

(Amigos, esta crônica foi uma pequena experiência, uma ousadia para, no futuro, quem sabe, desenvolver textos mais aprofundados, assim, sua opinião é muito importante para mim, obrigado a todos que acompanharam a trajetória destas duas pessoas que, não se enganem, acreditam no amor)

Divagação 51

Sou eclético 🤔:
Às vezes amo 😍;
Às vezes odeio 😡;
Outras vezes …. nem tanto 🙄.


(GeraldoCunha/2017)

Novela da Vida Real – Uma ficção continua…

CAPÍTULO 7
Continuavam apaixonados, mas, no conforto desta relação, as conversas foram se espaçando. Já não iam todos os dias à biblioteca, por isso combinavam de se falar no dia seguinte. Já não nutriam aquela ansiedade e expectativa do encontro, sabia que estariam ali, à distância apenas de um teclado, o amor podia esperar. Já sabiam que estavam enamorados e que aquela paixão se transformou em um relacionamento estável e confortável que poderia ceder espaço para outros compromissos. O já foi lhes afastando, já e já e já era! Em um dia como outro qualquer, acordaram, arrumaram o material nas mochilas, passaram na padaria, o pão na chapa, para surpresa do atendente, foi substituído por pão de queijo, acompanhado de uma xícara de café puro. Sentaram-se, olharam-se, mas não se viram, o pensamento estava longe. Como que por obrigação, se conectaram e trocaram um “oi”, seguido de um “até daqui a pouco, estamos atrasados”, acompanhado de mútua concordância e um #eutiamo.O dia passou, à noite chegou e, como combinado, conversaram sobre o dia e sua rotina. Dizendo-se já com saudades, foram dormir, … apaixonados…

CAPÍTULO FINAL

Dizendo-se já com saudades, foram dormir, …apaixonados…

Sentimentos (reeditado)

Ausente, a falta não foi sentida.
Já não pertencia àquele lugar.
Não era percebido, sentido e observado.
Mas de algum modo fazia parte daquela cena.
Clamava por atenção em seu anonimato.
Mas em silêncio ficou, esperou e observou.
Era tempo mesmo de ficar.
Não tinha para onde ir.
Não tinha com quem ir.
Sozinho, não queria estar só.
Somente não era tempo de partir.
(Gcc/2017)

Novela da Vida Real – Uma ficção continua…

CAPÍTULO 6

Estavam apaixonados e iriam se conectar, chegaram ao restaurante afastados apenas por alguns pouco minutos, distraídos serviram-se como de sempre, não havia tempo para novidades gastronômicas, a expectativa era o encontro marcado, seria o primeiro almoço juntos. O restaurante era pequeno, aconchegante, de decoração acolhedora, daqueles que convidam o amor a sentar à mesa. No entanto, a seu modo, escolheram mesas próximas e sentaram-se, mas não trocaram olhares, o pensamento estava no encontro virtual. Logo colocaram os pratos de lado e se reconectaram, não havia pressa, não estavam com fome. Assunto nunca faltava e sem perceberem o tempo marcou presença, era preciso seguir com suas vidas. A tarde veio, acompanhada ao longe pela noite que logo lhe alcançou. Era momento de voltarem para suas casas, desde o almoço não se falavam e a distância era angustiante, tantos assuntos não foram concluídos, quantos outros surgiam em suas mentes e motivavam sorrisos solitários. Era preciso observar o semáforo ao atravessarem a rua e também o número do ônibus que os levariam às suas casas, tudo o mais não tinha importância. Estavam lado a lado, tão apaixonados que não se preocuparam com detalhes pessoais, nem mesmo pensaram em marcar um encontro real. Os dias foram passando, as noites chegavam e iam, já eram virtualmente íntimos, suas vidas estavam entrelaçadas. Foi o que pensaram, era o que bastava e os satisfazia. Continuavam apaixonados, mas, no conforto desta relação, as conversas foram se espaçando.

CAPÍTULO 7

Continuavam apaixonados, mas, no conforto desta relação, as conversas foram se espaçando…