Sobre não mais

Sobre não mais

Deixei para trás os trapos.
Desnudo me reinventei.
Que outros os carreguem.
Mas que não me sigam!

Abandonei as convicções ultrapassadas.
Descrente fui em busca de novo saber.
Que outros se agarrem àquelas convicções.
Mas que não me sigam!

Despreocupei com sinais não correspondidos.
Desiludido procurei outras formas de comunicação.
Que outros continuem insistindo em sinais inócuos.
Mas que não me sigam!

(GeraldoCunha/2017)

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Perdas emocionais

Anos de grandes perdas emocionais.
Sem tempo de recuperação.
Sem tempo de respiração.
Sem tempo de reparação.

Tantos partiram e com eles suas melodias, suas poesias. 
Tantos se foram e com eles seus afetos, seus afagos, seus abraços.
Tantos deixaram um rastro de saudade, um vazio na alma.

Emoção na doce lembrança. 
Choro incontido.
Lágrima que escapa.

Saudade que não tem mais como.
De tanto se agarrar nas lembranças,
De tanto se firmar nas imagens,
De tanto se prender nas sonoridades,
De tanto se aconchegar nos cheiros.
(GeraldoCunha/2017)

Já não sei… Eu só! (Reeditado)


Já sem esperança resolvi acreditar na vida!
Quando tudo ficou em silêncio pude perceber que estava só.
Já não sou mais necessário, não faço falta!
Se sou lembrado já não sei, ninguém me diz.
Ninguém ri daquela piada engraçada que conto.
Já não conto piadas, não tenho para quem contar.
Cruzo o tempo todo com pessoas estranhas,
Até quem eu pensava conhecer virou um estranho!
Hoje luto para sobreviver,
solitário no meio de tantas vozes, vivo!
(poema escrito em 2016)

Palavras – Liberdade poética

Palavras – liberdade poética

Não tenho mais as palavras.
Me foram, roubadas.
Me foram, poupadas.
Não me foram devolvidas.

Não temos mais as palavras.
Se foram, usadas.
Se foram, apagadas.
Não se foram recuperadas.

Não temos mais as palavras.
Lhes foram, caçadas.
Lhes foram, negadas.
Não lhes foram pronunciadas.

Não temos mais me.
Não temeremos mais se.
Não tememos mais lhes.
Temos mais liberdade poética.

(GeraldoCunha/2017)

Impuro e virtuoso (reeditado)

Impuro ontem, virtuoso hoje.
Um mesmo corpo e uma mesma mente podem abrigar.
Disso sei eu ….. e outros saberão.
O que pesa é o julgamento.

Não somos o que confessamos, o que se vê não passa de ilusão,
é apenas aquilo que você prefere enxergar.
Para você não passo de uma ilusão.
Sou alma retocada.

Preciso de uma conversa sincera, verdadeira,
que só posso ter comigo mesmo, pois o outro não me alcança.
O medo da transparência isola, uma parte de mim quer gritar!
E por medo dá apenas dicas.
Direciona para aquilo que você não conseguirá enxergar.
O medo de se revelar impede ver o outro.

Vamos falar então do impuro.
Incógnito, você e seu reflexo se fundem.
A verdade transparece na penumbra, no anonimato.
Penso ser só físico, mas nem sempre o é.
Sendo eu, encontro-me pleno quando posso dividir esse momento,
que à primeira vista é só físico, com outra alma confessa.
Vivemos minutos ou horas de verdade.

Hoje virtuoso, reflito…!
Minha realidade é uma farsa que os outros impõem para não se mostrarem.
Ao me revelar não mostro quem sou – virtuoso ou impuro –
mas o que os outros também não querem ver refletido.
(21/09/2014)