Foi-se assim

Foi-se percebendo,
Não se entendia.
Nos encontros tão esperados,
A conversa não era a mesma,
Os diálogos foram-se…
Ficando cada vez esparsos!
Já não nos falávamos tanto
E quando falávamos …
Parecia compromisso agendado.
De conversas intermináveis ao telefone,
Foi-se restando intervalos…
De silêncios constrangedores!
As frases não se completavam,
As piadas não se compreendiam,
Os compromissos desmarcados,
E foi-se assim…
Aos poucos indo-se embora!
Até nunca mais sermos vistos.

(GeraldoCunha/2018)

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Deixa-me partir


(Gostou? veja também Poema furtado)///…
Amarra-me os pés ao chão,
Se não me queres a voar,
Minhas asas insistem no bater.
Se me queres preso eu quero é voar!

Ata-me as mãos às costas,
Se não me queres soltar,
Meus punhos insistem no recusar.
Se me tens amarrado eu quero é libertar!

Cega-me os olhos à venda,
Se não me queres a enxergar,
Minhas vistas insistem no olhar.
Se me queres cego eu quero é sonhar!

Cala-me a boca à mordaça,
Se não me queres a contestar,
Minhas palavras insistem no escapar.
Se me queres mudo eu quero é cantar!

(GeraldoCunha/2018)

Poema do abrandamento


(Gostou? veja também Nessa de não ter tempo)//…
Te transformei em poesia
Para abrandar a saudade
Por não ter para onde voltar
Para tornar a acreditar
Quebrei lápis para suportar

Te transformei em poesia
Para sentir em meu tato
Por não ter a quem tocar
Para poder de novo afagar
Rasguei folhas para aliviar

Te transformei em poesia
Para não esquecer o cheiro
Por não ter como respirar
Para me sentir no inexplicável
Apaguei palavras para recomeçar

Te transformei em poesia
Para desviar da tristeza
Por não ter modo com a dor
Para voltar um dia a sorrir
Molhei as páginas para o tempo secar

(GeraldoCunha/2018)

Estrofe

O amor sabia
Eu sábio
Eu sóbrio
Eu assobio
O amor cabia

(GeraldoCunha/2018)

Em sonhos sol

Hoje procurei o sol,
Você não estava lá!
Foi para a lua me observar.
Invadiu meus sonhos,
Criando fantasias,
Trazendo desejos,
Me fazendo voar.
Me agarrei a esta estrela,
Era cometa em busca do sol,
Que na lua se refugiou!
Foi onde encontrei você,
No próprio sonho que criou.

(GeraldoCunha/2018)

Quem é você?

Não conheço sua história,
Não deu chance para o acaso!
Não deu chance para nós!
Fez promessas e não cumpriu.
Fingiu estar por perto,
Mas não se aproximou!
Não se deixou conhecer.
E no tempo da espera
Ficou espaço para a dúvida!
Afeto se converteu em rancor
E o que era amor em dor…
(GeraldoCunha/2018)

Divagação 78

Quando aprendi a estar só, entendi o que é estar sozinho, me acostumei com a solidão e compreendi que nela pode haver felicidade, aconchego e sossego.

(GeraldoCunha/2018)